Nove condenações a prisão efetiva, 28 a pena suspensa, quatro multas e três absolvições, entre as quais a de Bruno de Carvalho. Foi desta forma que chegou ao fim o julgamento da invasão à Academia do Sporting, em Alcochete, um episódio que apesar de não ser singular —  nem no futebol português, nem no futebol mundial —, chocou o país e o mundo pelas imagens que passaram cá para fora de um balneário destruído, jogadores e equipa técnica agredidos.

O coletivo de juízes presidido por Sílvia Pires “acedeu” quase na íntegra aos pedidos do Ministério Público, aplicando penas máximas de cinco anos, suspensas para os arguidos sem antecedentes criminais e efetivas para os arguidos com cadastro.

Os holofotes estiveram, naturalmente, sobre o antigo presidente leonino que era acusado de ser um dos autores morais da invasão à Academia. No acórdão, foi considerado “não ter ficado provado que as críticas que fez nas redes sociais tivessem como objetivo incentivar os adeptos” e não ser possível estabelecer uma relação entre afirmações do antigo presidente em diversas reuniões mantidas na véspera do ataque e as agressões.

Além do antigo presidente, destituído do cargo em junho de 2018, foram também absolvidos Bruno Jacinto, e ‘Mustáfa’, que além da autoria moral estava também acusado de tráfico de estupefacientes.

À hora de almoço, Bruno de Carvalho já se mostrava em forma diante dos microfones dos jornalistas para um dia que prometia. Primeiro criticou-os — "Estão todos calmos? Às vezes penso que vocês não percebem que estão a falar com seres humanos com pais e filhos" —, depois pediu que não se perpetuasse o crime feito sobre a sua pessoa — “Isto que me foi feito foi um crime. Se vocês, que são quem informa as pessoas, tiverem a coragem em dizer que fui absolvido e que fui considerado inocente, eu posso sair do meu confinamento de dois anos" —, depois reforçou o pedido — "o que hoje aconteceu foi a assunção de uma coisa que eu sabia há dois anos. Está nas vossas mãos, dos vossos colegas, não perpetuar mais este crime. Eu não posso estar a vir para um tribunal e estar a ouvir que clamo inocência e que há falta de provas. Isso não é justo" — e, por fim, fê-lo uma terceira vez, classificando o que aconteceu, numa referência a um julgamento na praça pública, foi “um crime violentíssimo de quase mutilação de carácter”.

No entanto, a melhor demonstração de que o antigo dirigente estava de regresso em pleno aconteceu no Jornal da Noite, numa entrevista moderada por José Alberto Carvalho.

“Infelizmente, eu hoje estou na rua, e há muita gente que continua com o estigma que não foi feita justiça ou que isto foi por falta de prova, que os poderosos nunca são [condenados]... como se eu fosse um poderoso! Aliás, viu-se o poderoso que fui, que acabei detido. Enquanto cidadão, enquanto pai, enquanto filho, não tenho esse sentimento de que tenha sido feita justiça", lamentou.

Em cerca de 30 minutos, o antigo presidente assumiu processar o Estado português, pecuniariamente, assumiu o desejo, que nunca escondeu, de voltar ao Sporting, primeiro como sócio de plenos poderes e depois como presidente, acusou o Ministério Público e os juízes de terem deixado passar em branco “provas feitas” e de ligações entre um jogador e um dos arguidos.

"Ainda bem que as pessoas foram condenadas, está tudo perfeito, mas eu acho que as pessoas o que querem fazer é rapidamente se esquecerem, não interessa se eu vou na rua e as pessoas acham que eu sou culpado ou não, não interessa. Acabou o julgamento, já está", disse.

Bruno de Carvalho está de volta, saiu do confinamento a que foi submetido, e está pronto para falar de justiça e do seu clube.

Já sobre o processo da invasão à Academia dos leões, resta saber se as penas hoje proferidas serão suficientes para significar Alcochete jamais, não numa referência direta ao Sporting, mas sim pelo futuro do futebol nacional e de como se vive o desporto-rei em Portugal.

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