Quando lemos que no início da madrugada de domingo que a hora vai mudar, que o relógio vai saltar da 01h00 para as 02h00, lembramo-nos do que são horas. O tempo parece um conceito estranho desde que isto tudo começou. A segunda-feira é igual a qualquer outro dia da semana, o fim-de-semana é uma coisa estranha, igual à restante semana, mas sem um horário específico para estarmos à frente do computador.

O tempo nunca terá sido tão maleável para um número tão grande de pessoas como é hoje. São as rotinas é o decorrer das horas em que somos bombardeados com números, 100 mortos em Portugal, 889 mortos em Itália, 832 mortos em Espanha, 37.575 casos de infeção em França, 119.748 infetados nos Estados Unidos.

Os ponteiros andam e Jair Bolsonaro descredibiliza uma pandemia que já fez mais de 30 mil mortos no mundo inteiro. Andam mais um pouco e o epicentro desta crise de saúde pública mundial começa a deslocar-se da Europa para os EUA. O ponteiro dos segundos penteia o dos minutos, o das horas dá um passada e de repente Donald Trump parece preocupado, um sentimento que tardava em chegar.

Os ponteiros andam mais depressa do que os carros em fila para atravessarem a Ponte 25 de Abril, parados à espera de ser interpelados pelos agentes da autoridade que tentam garantir que as pessoas não saem desnecessariamente de casa. O ponteiro anda e dizem-nos que só hoje, até às 18h00, 69 pessoas foram detidas por crimes de desobediência.

Ao mesmo tempo, fala-se na curva achatada que empurra o pico da pandemia em Portugal lá para o fim de maio e não há ponteiros com passadas tão largas que nos permitam imaginar, racionalmente, o que é viver entre o quarto e a sala tantos meses mais, um sacrifício que custa exteriorizar por ser tão necessário para poder regressar à normalidade.

E no meio de tanto número, os da dor e os das previsões, já nem sabemos se é bom ou mau uma hora a menos para contar o que aconteceu no mundo, ou contar uma hora a menos para o regresso das nossas vidas.

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