Descreve-se como “uma coleção de notícias, análises, vozes (…) cosmopolitas, otimistas, inteligentes e expansivas” e chama-se “The New European”. É uma proposta da Archant Community Media, um grupo de media com muita tradição em Inglaterra (detém 50 revistas, vários jornais diários e semanários pagos e grátis) e é um dos novos jornais a nascer no espaço europeu.

Como o nome “The New European” sugere, pretende “celebrar o melhor da Europa”, que é como se apresenta no site onde predominam as cores azul e amarelo, como as da bandeira europeia.

Este jornal foi concebido como resposta ao referendo do Brexit, em 2016, e continua a ser imprenso atualmente, inspirando-se na “tradição dos panfletos políticos”. É agora um jornal semanal impresso, com edição digital.

“Acreditamos que a nossa voz é importante – tanto na representação da perspetiva pró-europeia como também para reequilibrar a extrema direita de muita da imprensa inglesa.”, escrevem na página onde é possível subscrever. O The New European contempla várias maneiras de apresentar conteúdos jornalísticos, como um podcast, e também conta com um sistema de crowdfunding em matéria de financiamento.

Segundo o estudo “Impacto do Coronavirus e da crise pandémica no sistema mediático português e global” realizado pela Obercom, com data de março de 2020, no Reino Unido “observou-se uma quebra de vendas de jornais impressos na ordem dos 30% desde que o Governo britânico instaurou o (tardio) lockdown”.

Uma das razões era o medo de transmissão de Covid-19 através do papel dos jornais. As “organizações que representam a imprensa tiveram que promover informação a explicar que a manipulação de jornais impressos não implica risco de contágio.”

A Obercom cita o Reuters Institute for the Study of Journalism que afirma que “os efeitos económicos da pandemia poderão custar o emprego de 10% dos jornalistas a curto prazo.”

A situação agrava-se quando se fala em jornais locais e regionais, “com alguns a deixar de imprimir e a grande maioria dependente de lucros publicitários e muitos jornalistas locais a aderir ao esquema de apoio governamental que garante 80% do salário”.

Um novo diário já "domani"

Outro jornal que se vai juntar à família dos ‘media’ na Europa é o italiano Domani, que se traduz para “amanhã”. O novo diário tem setembro como data prevista de lançamento e está sediado em Roma. É um projeto liderado por um nome com créditos no setor, Carlo De Benedetti, ex-presidente do grupo por detrás do jornal La Reppublica, e tem como objetivo ser “o jornal liberal italiano de preferência”, de acordo com o futuro diretor do Domani, Stefano Feltri.

O panorama neste que foi um dos países mais fustigados pela Covid-19 também é de dificuldades nos media. De acordo com o estudo “Impacto do Coronavirus e da crise pandémica no sistema mediático português e global” da Obercom, em Itália, “a quebra do investimento publicitário pode chegar aos 30%, com o Governo a salvaguardar no imediato essas perdas, fornecendo um desagravamento de 4000 euros em faturas da luz, telefone, internet e envios para domicílio”.

O estudo levado a cabo pela Obercom traça o destino provável dos jornais impressos pelo mundo: “A diminuição da procura do formato físico, em função do aumento da procura por notícias no formato online que melhor responde às características de um fenómeno dinâmico, como é o do coronavírus, ditará uma agudização do formato tradicional.”

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