O órgão de comunicação norte-americano The Hollywood Reporter apurou junto da filha de Lee que uma ambulância se deslocou de urgência à casa do desenhador em Hollywood para transportá-lo para o Centro Médico Cedars-Sinai onde terá morrido. Stan Lee já padecia de problemas de saúde há algum tempo.

"O meu pai amou todos os seus fãs. Foi o maior e mais decente dos homens", disse a filha do criador da Marvel, Joan Celia Lee, à publicação 'online' TMZ, numa reação à morte.

Nascido Stanley Martin Lieber em 1922 no seio de uma família de imigrantes judeus em Nova Iorque, Lee iniciou-se na indústria em 1939 na secção de banda-desenhada da Timely Publications enquanto assistente, tornando-se depois editor. Foi essa empresa que, em conjunto com Jack Kirby, transformou na Marvel Comics em 1961, tendo as aventuras do Quarteto Fantástico como série de lançamento.

Após o sucesso inicial, depressa Lee criou outros super-heróis de referência, sozinho ou em cocriação, como o Incrível Hulk, o Homem Aranha, o Demolidor e os X-Men. Sob o seu leme, a Marvel Comics tornou-se uma gigante da banda-desenhada, por força das suas histórias socialmente relevantes encabeçadas por protagonistas poderosos mas falíveis, de fácil conexão com o público. As adaptações destas suas criações ao cinema resultaram em alguns dos maiores êxitos de bilheteira da história da indústria.

O período em que esteve à frente da editora foi também marcado pela produtividade, destacando-se a velocidade a que lançava novos títulos, sendo uma das forças emergentes que levou a banda-desenhada norte-americana à sua Era de Prata.

A sua gestão da editora durou até 1972, quando abandonou a direção e passou a presidente emérito da Marvel. Fora dos quadros, Stan Lee continuou ligado à sua criação, assumindo funções desde consultoria até fazer "cameos" nas adaptações dos seus super-heróis ao grande ecrã, e manteve-se figura ativa na indústria.

Figura lendária da banda-desenhada e do meio editorial,  o seu reconhecimento passou da adoração dos fãs para o respeito dos seus pares, entrando para o Hall of Fame dos Prémios Will Eisner (o equivalente da banda-desenhada aos Óscares no cinema) em 1994. Já em 2008, obteve a Medalha Nacional das Artes, a mais alta distinção conferida no campo das artes pelo Congresso norte-americano.

Numa entrevista de 2006 à AP, o criador afirmou que “toda a gente adora coisas maiores do que a vida”.

“Eu penso nelas como contos de fadas para adultos (...). Criei tantos [heróis] que nem os conheço. Escrevi centenas, milhares de histórias", disse na entrevista, que recorda a "contribuição decisiva" de Lee, com todos os super-heróis que criou.

"Era como se houvesse algo no ar. Não podia fazer nada de errado", lembrou Stan Lee à agência norte-americana.

Algumas das suas criações tornaram-se símbolos da mudança social - o conflito interno do Homem Aranha não era alheio aos confrontos em curso nos Estados Unidos, nos anos de 1960 -, defende a AP, enquanto as minorias e o movimento feminista encontravam eco em personagens como A Pantera Negra e The Savage She-Hulk.

Publicou os livros "The Superhero Women" e "How to Draw Comics the Marvel Way".

Em 1972, depois de um longo percurso como redator principal, tornou-se editor e diretor editorial da Marvel, que acabaria por presidir.

Nos anos de 1970, Hulk chegou à CBS, seguindo-se o Homem Aranha, quer com figuras de "carne e osso", como em séries de animação. Era apenas a primeira etapa do sucesso dos seus heróis, no cinema e na televisão.

"X-Men" foi o sucesso de Hollywood em 2000, arrecadando mais 130 milhões de dólares (cerca de 114 milhões de euros, a preços correntes), só nos cinemas norte-americanos.

"Homem-Aranha", que Lee via como "o Mickey Mouse do grupo", chegou aos 400 milhões (352 milhões de euros), em 2002, no mercado norte-americano.

"O que fiz, foi tentar escrever histórias que gostaria de ler e, de um modo ou outro, funcionou", disse Stan Lee em 2017, durante uma homenagem de que foi alvo, em Los Angeles.

Os seus últimos anos de vida foram turbulentos, marcados pela morte da sua mulher, Joan, no ano passado, e pelas suspeitas de que estaria a ser sujeito a abuso por um dos seus managers, levando a polícia de Los Angeles a abrir uma investigação.

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