No campo de regatas, estão velejadores olímpicos e quem nunca tenha colocado um pé num barco. A ambos cumpre contornar bóias, velejar à bolina, navegar em percursos de barlavento e sotavento, enfrentar condições de mar e de vento, cumprir as regras definidas à partida, treinar os procedimentos de largada e posicionamentos, recorrer à tática, muita tática e levar por diante as estratégias desenhadas, para, no final, vencer a regata do dia e receber o prémio.

Poderíamos estar a descrever uma qualquer prova náutica, aberta a todos, que pudesse estar a realizar-se em Tavira, Portimão, Lagos, Lisboa, Cascais, Figueira da Foz, Porto, Viana do Castelo, na Madeira ou nos Açores. Mas não.

Apesar de toda a descrição ser tão real, tão idêntica a uma regata, os velejadores não saíram na marina nem içaram uma vela. Estranho? Não. Vivemos debaixo de um Estado de Emergência e toda a atividade náutica de recreio e competição está vedada. Por isso, tudo decorre na sala de cada um, cada qual confinado ao seu espaço a competir na J Boats Portugal VR Series, que são, nem mais, nem menos, regatas virtuais que recriam, tal qual, o ambiente náutico. Uma realidade aumentada como se os velejadores estivessem no mar, a aprimorar e aplicar os conhecimentos, a táticos e estratégicos da navegação em competição.

De uma ideia, nascida por “carolice” por cinco apaixonados e pessoas ligadas à vela, de Lagos, Vilamoura, Cascais, Lisboa e Figueira da Foz, nasceu a 1ª edição, que arrancou no passado dia 17 de março, já com o Estado de Emergência em vigor. Dos 30 participantes o número multiplicou-se por 10, e a Federação Portuguesa de Vela associou-se, na segunda vez que foi para a água, transmitindo um cunho, não só promocional, mas também dando um caracter oficial ao mesmo.

Este fim de semana cumpre-se a 7ª edição. Na ficha de inscrição das regatas há portugueses e uma forte armada espanhola, destacando-se os olímpicos Jorge Lima (49er), Gustavo Lima e Bernardo Plantier, as esperanças olímpicas, Diogo Costa e Pedro Costa (470), Eduardo Marques, Santiago Sampaio (Laser) e João Prieto (49er), que surgem ao lado de velejadores de Optimist (11 a 13 anos), da classe SB20 (40/50 anos), velejadores de Vela Adaptada, treinadores olímpicos e velejadores de fim de semana.

“Acredito que este tipo eventos, tornam o desporto da vela verdadeiramente inclusivo. É para todos, os que normalmente andam de barco e também para os que nunca andaram ou têm pouca experiência. Temos aqui uma excelente oportunidade de 'experimentar' andar de barco num ambiente saudavelmente competitivo e em que famílias se juntam, inscrevem um barco e todos juntos tentem levá-lo a bom porto”, descreve, ao SAPO24, Rodrigo Moreira Rato, uma das pessoas por detrás da organização das regatas virtuais do J Boats Portugal VR Series. Sebastião Osório de Castro, Miguel Amaral, Luís Raposo e Nuno Neves, compõem a restante equipa.

Debaixo da fiscalização de quem está habituado à gestão de regatas “tradicionais”, a inscrição na prova é gratuita. “A prova tem um formato de eliminatórias, com 11 a 12 grupos de 20 jogadores”. Durante a semana são feitos “apuramentos regionais, Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira ” organizados pelas associações e clubes. Num sistema de eliminatórias, “passam à final os 20 melhores” e termina num “regata entre o top-8”. As finais têm Live Stream na e Sailing TV.

Entre os prémios, no final da 7ª J Boats Portugal VR Series, amanhã, domingo, o vencedor do Ranking do mês de abril recebe um programa Guest Sailor (em data a combinar) no VO65 Racing for the Planet, da Mirpuri Foundation Racing Team.

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