Na Pedreira, o SC Braga procurava a sexta vitória consecutiva da presente temporada na Liga Europa, um feito que, até data, Jorge Jesus e Abel Ferreira quase conseguiram. Quase, porque ficaram pela mão cheia de vitórias seguidas.

Ricardo Sá Pinto, que tem sido rei na Europa, entrou em campo para igualar a marca alcançada pelos seus precedentes no banco bracarense. Mas queria mais. Queria a meia dúzia, num dia em que a principal claque arsenalista completou 27 anos, data que fizeram questão de assinalar ao minuto 27 com o arremesso para o relvado de um very light a servir de vela. Um gesto que não foi acompanhado de um “parabéns a você”, antes ouviu-se uma enorme assobiadela por parte do restante público num estádio que se apresentou algo despido, com pouco mais de 8 mil espectadores.

Três minutos depois, o lançamento de confetis da festa chega na sequência de uma bola disparada pela cabeça de Bruno Viana. Na sequência de uma falta, do lado esquerdo do ataque, André Horta mete a bola no meio da pequena área, num espaço no qual o central do Braga foi à Penthouse, um andar acima de dois adversários à sua volta, soprar as velas e pôr o público a cantar “Braga, Braga...”.

À meia hora, o jogador brasileiro nascido em Macaé, no estado do Rio de Janeiro, que já tinha visto um cartão amarelo, desbloqueava um jogo que, até então, pendia mais para o lado do Slovan Bratislava.

Nos eslovacos, destacava-se Dávid Holman. Tem nome anglo-saxónico, mas a origem é magiar. Nasceu em Budapeste, na Hungria, embarcou pelo Danúbio e representa, desde 2017, a formação do país vizinho, a Eslováquia. Um pontapé de livre, à Ronaldo, para defesa de Eduardo, a que se segui um toque ligeiro de calcanhar para nova defesa do internacional português, punha o SC Braga, de certa forma, em sentido.

Braga fora da lista de Santos e com Gomes na Pedreira

Bracarenses e eslovacos entraram no municipal de Braga na liderança do Grupo K da Liga Europa. Se o SC Braga foi a Inglaterra vencer o Wolves (0-1), o Slovan Bratislava goleou o Besitkas, da Turquia, por 4-2.

Ján Kozák, treinador da equipa que viajou de Bratislava e campeão da Eslováquia, na antevisão da partida deu o favoritismo à formação de Ricardo Sá Pinto, talvez recordando o tempo em que, enquanto jogador ao serviço do Petržalka, na época 2008-2009, foi derrotado pelo SC Braga numa eliminatória da Taça UEFA que que os bracarenses venceram por 6-0 no conjunto das duas mãos. Um ano que coincidiu com a passagem de Rabiu Ibrahim pelo Sporting CP, apontado, na altura, como uma pérola de Alcochete. O franzino e jovem nigeriano, que na altura custou quase um milhão de euros, apareceu em Braga de barba farta, e mais físico. Dá pelo sovaco a Palhinha, mas olha nos olhos do médio português emprestado pelos leões quando toca ao despique pela bola.

O relógio apontava três minutos de descontos na primeira parte, tempo suficiente para Bruno Viana voltar a entrar em ação. Cometeu grande penalidade, uma falta perfeitamente escusada sobre o capitão e n.º 9, Andraz Sporar, quando Esgaio, que se antecipou, tinha a jogada controlada. Ao apito do árbitro Adrien Jaccottet, Sporar remata forte, Eduardo defende, mas a bola cai para o pé direito do capitão do Slovan, que empata a partida. De nada valeu o ralhete do n.º 82 aos seus jogadores, estáticos, na linha de área.

Intervalo na Pedreira. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol estava sentado na Tribuna de Honra, num dia em que Fernando Santos fez a lista dos eleitos para os jogos com o Luxemburgo e a Ucrânia, na qual não consta nenhum jogador bracarense.

“Depois disto ... o jogo podia acabar por aqui”. Podia, mas não acabou

Na 2.ª parte, Galeno ganhava lances no um-para-um, mas depois não dava o devido seguimento ao lance. O mesmo sucedia a Ricardo Horta do lado oposto. O Braga ia à linha e punha bolas na área, mas é importante não confundir isso com cruzamentos, jogada que, por norma, cria perigo na área. No caso concreto, o esférico limitava-se a andar de um lado para o outro, sobrevoando, muitas das vezes, a zona do guarda-redes.

Do lado contrário, os eslovacos jogavam rápido, pelos flancos. Ora o marroquino Rharsalla, ora o argentino De Marco, sempre com Holmam no raio de ação a colocar em campo a força da técnica e a técnica da força, alternadamente.

Galeno, nascido no interior do Maranhão, na cidade de Barra da Corda, trazia magia para o relvado, “partindo os rins” a Medveděv. E tantas vezes sentou os seus adversários que, depois de uma jogada de entendimento com o lateral esquerdo, Sequeira, puxou a bola para o pé direito e, num pontapé de raiva, colocou-a no canto superior direito da baliza defendida por Greif.

Luís Freitas Lobo, comentador na televisão, exclamava: “depois disto, já não há muito a dizer. O jogo poderia acabar por aqui”. Enganou-se redondamente.

Os irmãos Horta saíram para dar lugar a Trincão e João Nabais e seguiram-se jogadas geométricas a envolver Galeno e Paulinho (o avançado desceu sempre muito no terreno, ficando, por vezes, por isso, longe da zona de finalização) até que ao minuto 87 a frase de Freitas Lobo entra em desuso. Com estrondo.

Bruno Viana “virou Coates" e marcou na própria baliza, depois de uma tentativa de corte. No seguimento, o treinador eslovaco baixava o fecho do casaco e beijava uma imagem presa ao fio. Talvez porque esteja em Braga, cidade dos Arcebispos, aproveitando para agradecer a alguém divino, lá em cima, e a (Bruno) Viana, cá em baixo.

No outro jogo do grupo, o Wolverhampton marcava nos descontos, frente ao Besiktas (golo de Boly, que passou pelo SC Braga). Contas feitas, os bracarenses seguem no segundo posto com os mesmos pontos do adversário de hoje e com o Wolves mais perto.

Bitaites e postas de pescada

O que é que isso, ó meu?

Bruno Viana. Quando o apelido vai para o título desta crónica, poderia pensar-se que o jogador foi decisivo pela positiva. Errado. Uma penalidade escusada (que deu golo) e um autogolo. Pior, não se pode pedir, ainda que estas intervenções no jogo tenham sido atenuadas pelo golo que marcou nas alturas.

Galeno, a vantagem de ter duas pernas

Galeno não esteve a um nível elevado na partida. Mas, ainda assim, tem a vantagem de conseguir jogar nas duas alas. E o pé direito faz a magia com a ajuda do pé esquerdo. Ora de um lado, ora do outro, no um-para-um, ou passava pelo adversário, ou sentava quem pela frente aparecia. Até marcar um grande golo que, na altura, colocou o SC Braga em vantagem.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

A bola roda no lado direito do ataque bracarense. Circula de pé para pé. Muda o flanco. Vai para o lado esquerdo. Sequeira dá de calcanhar para Galeno que puxa a bola do pé esquerdo para o pé direito e dispara. A bola só iria parar no canto superior direito da baliza eslovaca. Um golo tremendo do jogador nascido no Maranhão.

Nem com dois pulmões (e duas mãos) chegava a essa bola

Na grande penalidade, Eduardo defendeu o primeiro remate. Uma bola disparada com força, mas ainda assim, parada pela luva do internacional português. No entanto, foi incapaz de defender, à segunda, o remate, na recarga, de Andraz Sporar, numa jogada que o fez desesperar face aos seus companheiros, incapazes de impedir novo remate do esloveno.

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