Esta história teve início com o casamento de duas partes: o Bragantino e a Red Bull.

Clube tradicional do interior do estado de São Paulo, de Bragança Paulista, o Bragantino foi ficando enfraquecido, como tantos outros emblemas, depois da centralização dos recursos para as equipas grandes do Brasil. A sua história traz, para além de diversos jogadores revelados, um título estadual em 1990 e um vice nacional em 1991, sob o comando de dois dos maiores técnicos da década no Brasil (Luxemburgo em 90 e Parreira em 91).

Afogado em dívidas, mas mesmo assim melhor que muitos outros clubes em situação semelhante, o Bragantino lutava para se manter na Série B do Campeonato Brasileiro. Sendo um clube com bom histórico, torcida local, estádio e bem localizado, foi visto como o parceiro ideal para a expansão da Red Bull no futebol brasileiro.

A empresa austríaca de bebidas energéticas já tinha uma equipa no Brasil desde 2007, focada, principalmente, na formação de jovens talentos para revenda ou para abastecer as suas equipas europeias. Chamado de Red Bull Brasil, o clube chegou à primeira divisão de São Paulo em 2015, mas tem passado por dificuldades para atingir a Série D a nível nacional.

A Red Bull resolveu então ter novas ambições e acelerou os seus planos com a aquisição do clube do interior paulistano.  A parceria começou às vésperas da Série B do ano passado e levou o agora Red Bull Bragantino a uma vitória tranquila da competição. Agora, pela primeira vez entre os grandes do Brasil, a empresa prepara investimentos avultados para ambicionar mais do que a manutenção nesta nova época.

Até agora, o clube trouxe Alerrandro (Atlético-MG), Leonardo Realpe (Independiente Del Valle), Artur e Lucas Cândido (Palmeiras), Thonny Anderson (Grêmio) e Matheus Jesus (Corinthians), todos eles jovens jogadores considerados como tendo bom potencial. O investimento é apontado em 10 milhões de euros até aqui, especulando-se ainda negociações quanto a Boschilia (Monaco), Tiepo (Chapecoense), Walce (São Paulo) e Cleiton (Atlético-MG). 

Walce, defesa do São Paulo e da Seleção Sub-23 do Brasil, é um bom exemplo do novo poderio financeiro da equipa. A proposta feita ao São Paulo foi de cerca de 6 milhões de euros por 80% do passe do atleta, valor similar pelo qual Morato foi vendido ao Benfica, e a expectativa do clube era que o jogador continue a sua formação em Bragança Paulista antes de rumar para o RB Leipzig, da Alemanha, num futuro próximo. 

Com o cargo de treinador vago, após a saída de Antonio Carlos Zago rumo ao Kashima Antlers, o favorito dos dirigentes do clube é Carlos Carvalhal, técnico atualmente no Rio Ave. O clube não tem pressa para contratar e aponta o perfil do profissional que buscam como um treinador com estilo de jogo agressivo e ofensivo e que saiba desenvolver jovens talentos.

As ambiciosas metas do novo clube apontam para estar no topo da tabela, entre os primeiros, nos próximos 3 a 5 anos, mas com o investimento feito até aqui há quem diga que a Libertadores de 2021 é um sonho possível para o clube-empresa.

Num momento onde os clubes brasileiros têm dificuldades financeiras e procuram reorganizar-se para seguir o exemplo do Flamengo, o Red Bull Bragantino larga na frente no modelo de gestão empresarial. Se olharmos para o sucesso do projeto na Alemanha, onde o Leipzig lidera a Bundesliga, os grandes brasileiros que se cuidem.

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