No último lance do jogo, numa daquelas jogadas de desespero, o FC Porto adiantou quase toda a equipa para tentar corresponder de forma positiva a um livre de Alex Telles. O brasileiro bateu de pé esquerdo, Vermeer (guarda-redes do Feyenoord) saiu dos postes mas falhou o alívio, a bola sobrou para Luis Díaz e o colombiano tentou alvejar uma baliza sem guardião, apenas para ver um jogador dos holandeses cortar de carrinho de possibilidade de o FC Porto conseguir, pelo menos, reduzir o resultado para 2-1.

O jogo terminaria segundos depois e esta jogada, no último minuto da partida, poderia resumir aquilo que foi a vida dos comandos de Sérgio Conceição na “banheira” de Roterdão (forma como é conhecido o estádio do Feyenoord): 90 minutos de desperdício.

É certo que o FC Porto não fez um jogo brilhante e que o Feyenoord não foi propriamente uma equipa inofensiva. Os holandeses, para além dos golos, incomodaram por diversas vezes Marchesín, que viu ainda uma bola raspar-lhe a barra da baliza. Mas o número de ocasiões desperdiçadas pelos dragões chegou a ser aflitivo, com duas bolas na barra e vários remates – com o pé, com a cabeça – a serem defendidos pelo veterano Vermeer ou a passarem perto da sua baliza.

Os portistas remataram por 20 vezes, 16 delas dentro da área (!), e ainda assim fizeram menos remates enquadrados que os holandeses (quatro contra sete).

À hora em que estas palavras estão a ser escritas, é provável que Sérgio Conceição esteja na flash interview depois do jogo a utilizar expressões do jargão futebolístico como “o futebol tem destas coisas” ou “quem não marca, sofre”. E a verdade é que não é possível, pelo menos “a quente”, encontrar outra explicação para o desperdício.

Se em algumas das jogadas foi Vermeer quem brilhou (como nos cabeceamentos de Pepe e Soares, cada um deles numa das partes), noutras foi a barra que não deixou (que o digam Otávio e Luis Díaz) e noutras foi ainda a incompetência dos executantes a “não deixar” o FC Porto marcar (como na perdida de Marega à frente da baliza, a meio da segunda parte).

Depois de uma primeira parte equilibrada, ainda que com maior ascendente portista, os golos holandeses surgiram na segunda metade. O primeiro surge numa jogada de insistência de Larsson: o extremo sueco surgiu descaído pela esquerda e rematou para o remate de Marchesín, que impediu o golo do escandinavo; contudo, não desistiu do lance e, recuperando a bola a uma defesa portista que se mostrou incapaz de a retirar da zona de perigo, cruza a bola que sai em balão depois de bater num defesa portista e vai parar ao local onde estava Toonstra, que sem deixar cair o esférico remata de pé direito para abrir o marcador.

Quando faltavam perto de dez minutos para o fim da partida, chegou o segundo golo dos holandeses. Depois de Soares ter visto Vermeer a negar-lhe o golo (saindo-lhe aos pés dentro da grande área), Karsdorp, lateral direito emprestado pela Roma de Paulo Fonseca, arrancou com a bola e, quase inexplicavelmente, ninguém lhe fez frente até chegar à cara de Marchesín, que ainda tocou no esférico mas não evitou o 2-0 para o Feyenoord.

Num jogo em que claramente merecia (e fez por merecer) mais, o FC Porto acaba por voltar para Portugal depois de encher a “banheira” de Roterdão de desperdício, ainda que, no Grupo G de que faz parte, esteja tudo em aberto: depois de duas jornadas, todas as equipas somam três pontos. Na próxima ronda, os portistas recebem o Glasgow Rangers no Dragão, esperando que a cidade do Porto seja mais “ecológica” e não permita tantas “sobras” ao nível dos golos.

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

O desacerto portista esteve espelhado em várias jogadas ao longo da partida. Mas quando aos 29 minutos um cruzamento da direita vai parar perto de Zé Luís e Marega e estes, dentro da área, atrapalham-se sem que algum consiga alvejar a baliza de Vermeer, é provável que alguns adeptos menos otimistas tenham pensado: “bom, isto hoje não vai lá”. E não foi.

Karsdorp, a vantagem de ter duas pernas (e não ter ninguém à frente)

O internacional holandês, que nem teve tarefa fácil quando levou com Alex Telles, Luis Díaz ou Otávio pela frente, acabou por ser decisivo quando “matou” o jogo perto do fim. Estatisticamente irrepreensível ao longo da partida, foi um dos melhores do Feyenoord e teve a “sorte” de lhe ver ser aberto um corredor na defesa portista (onde Pepe teve uma noite difícil) antes de desfeitear Marchesín e acabar com as esperanças portistas de chegar pelo menos ao empate.

Fica na retina o cheiro de bom futebol

É uma pena que as duas jogadas estudadas do FC Porto, em livres frontais, não tenham dado golo. Na primeira parte, Alex Telles não alvejou a baliza dos holandeses para assistir Nakajima que, aproveitando um “bloqueio” da Danilo ao jogador que o marcava, isolou-se descaído pela direita e tentou picar a bola por cima de Vermeer, apenas para a ver passar por cima da barra. Na segunda parte, novamente Alex Telles na jogada, a deixar Uribe picar a bola por cima da barreira (quando provavelmente muitos esperavam um remate do brasileiro) para assistir Otávio, que atirou à barra. Duas boas jogadas, dois desperdícios dos pupilos de Sérgio Conceição.

Nem com dois pulmões chegava a essa bola

Marchesín até foi dos melhores dos dragões, não comprometendo sempre que foi chamado. Mas a verdade é que até o mais felino dos guarda-redes – e o argentino tem reflexos que fazem um gato corar – pouco podia fazer quando Toonstra rematou de primeira para abrir o marcador.

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