O ténis entrou esta segunda-feira, dia 1 de junho, na fase 4 do plano de retoma da atividade. Com a pandemia do novo coronavírus a “fechar” a modalidade desde meados de março, o processo de abertura faseada permite, a partir de hoje, a “utilização de campos de ténis (totalmente fechados) a jogadores ou praticantes federados" e a abertura de aulas de grupo sem a limitação de cinco jogadores. A partir de 8 de junho, estão autorizadas as competições nacionais.

“Pela dinâmica do jogo, o ténis, como o golfe, seria uma das primeiras modalidades a recomeçar”, reconhece Vasco Costa, presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), em conversa com o SAPO24. Os 43 atletas de Alto Rendimento foram os primeiros a entrar nos courts, ao ar livre, a 22 de abril, seguindo-se o treino até quatro jogadores (4 de maio), também ao ar livre, e a utilização de campos cobertos (18 de maio), debaixo das regras impostas pela Direção-Geral da Saúde, como por exemplo, a não partilha de bolas e a proibição de utilização de balneários.

Se numa primeira fase, a FPT disponibilizou um pacote de ajudas de 500 mil euros “às associações regionais, que, por sua vez, disponibilizaram aos clubes” apoios que se estenderam a jogadores, treinadores e árbitros, agora a organização aponta baterias à competição.

“A ideia é regressar logo que possível à competição, que em Portugal será antes de várias provas internacionais”, antecipa Vasco Costa. Deixa, assim, no ar a realização de “eventos com prize-money para dar ritmo aos atletas de Alto Rendimento e aos melhores tenistas nacionais”. Estes torneios antecedem as provas internacionais (fase 5), que deverão ocorrer assim que os jogadores possam viajar. “Um torneio de alto nível recebe jogadores de 40 a 50 países”, frisa.

Depois da suspensão dos torneios femininos ITF de Oeiras, Montemor e Amarante, em virtude da COVID-19, Vasco Costa sustenta que “a ideia é fazer torneios intermédios ITF masculino e feminino”, com uma maior aposta no feminino. “Queremos que o torneio das Caldas da Rainha (prize-money de 60 mil euros) cresça”, exemplifica.

O responsável expressa ainda o desejo de ter mais dos que os três ATP Challenger (Maia, Lisboa e Braga), que Portugal acolheu em 2019. “E queremos ter mais do que as 30 provas internacionais seniores”, reforça. “A Madeira, Quinta Magnólia, que recebeu o Campeonato Nacional Absoluto, poderá receber competições internacionais, a começar pela ITF”, sustenta. “É a descentralização completa a nível de ténis”, assume.

“Queremos dotar o complexo de ténis (Jamor) como um dos melhores da Europa”

Presidente da FPT desde 2012, Vasco Costa expressa um desejo reservado ao Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor. “Queremos dotar o complexo de ténis como um dos melhores da Europa, pelo que teremos de o dotar de condições que não tem”, sublinhou.

“(O Jamor) tem 26 campos de terra batida descobertos e seis de piso rápido cobertos (na Nave)”, enumera. “Teremos courts cobertos em terra batida e vamos construir courts de piso rápido ao ar livre”. As novas infraestruturas “terão ainda espaço para salas de jogadores, de conferências e de reuniões”, garante.

Por um lado, a FPT quer “criar condições para que os atletas não sintam necessidade de ir precocemente treinar para Academias fora de Portugal”. E, em sentido inverso, procuram atrair jogadores internacionais. “Ainda estamos fechados para dentro. Daqui a três anos teremos um CAR ao estilo Academia, das melhores do mundo em termos de jogadores. E os tenistas emergentes podem vir para aqui”, reforça.

 “O Pedro Sousa está aqui no Centro de Alto Rendimento do Jamor. O Tiago Cação regressou a Portugal. Temos de criar condições de treino para jogadores a nível mundial”, frisa. “O que falta é a quantidade de jogadores. Um João Sousa treina numa academia em Espanha e consegue treinar com vários jogadores de top 50”, atira.

No CAR trabalham ainda “três das seis melhores tenistas em Portugal. Francisca Jorge, campeã nacional, a irmã Matilde Jorge e Maria Inês Fonte”, aponta. “São três jogadoras muito jovens e daqui a três anos teremos um futuro promissor no ranking”, antecipa. Para Vasco Costa, estas jogadoras podem colmatar o “vazio” criado pelo abandono da modalidade, “de um momento para o outro”, por parte de Michelle Brito, “que desistiu”, e de Maria João Kohler, que se retirou “devido às lesões”, recorda.

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