“O que a banca faz é exigir ‘spreads’ mais elevados que aqueles que os protocolos e os regulamentos exigem”, diz a líder da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

De acordo com Ana Jacinto, “a banca exige garantias bancárias patrimoniais, pessoais, quando o Governo já disse sistematicamente que não podem ser exigidas garantias” e, além disso, “extravasa todos os prazos de resposta” que são fixados para que o crédito possa chegar a tempo às empresas.

A secretária-geral da AHRESP adianta que a associação escreveu a todos os bancos a queixar-se da situação e só obteve resposta de um, com a indicação de que estava a cumprir todas as regras.

Segundo Ana Jacinto, a situação já foi apresentada ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa.

Quanto aos apoios dados pelo Governo no âmbito da pandemia, a responsável diz que são “curtos” e defende que a resposta tem de ser “mais robusta” e que o tempo para isso acontecer está a chegar ao fim porque, se até ao final do mês não houver novo pacote de medidas para apoiar o setor, muitos estabelecimentos terão de fechar.

A AHRESP apresentou um pacote de 11 medidas ao Governo e considera que, para a manutenção dos postos de trabalho, é fundamental uma injeção de capital a fundo perdido nas empresas.

“Se não houver dinheiro a fundo perdido hoje, são subsídios de desemprego amanhã”, defende Ana Jacinto.

A líder da associação diz ainda que continuam a existir empresas que ainda não receberam os pagamentos do ‘lay-off’ simplificado e defende a continuidade da medida.

Quanto à descida do IVA para a restauração, Ana Jacinto realça que, no passado, a medida permitiu contratar mais pessoas e agora ajudará a manter quem está empregado.

Sobre o balanço da reabertura, a secretária-geral da AHRESP diz que foi tímido e adianta que se não houver mais medidas no final do mês, muitas empresas vão optar por voltar a fechar as portas.

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