Jacinda Ardern, a primeira-ministra neozelandesa, sugeriu esta quarta-feira, num vídeo em direto transmitido no Facebook, que o país deveria considerar opções mais flexíveis de trabalho para o período de retoma económica do pós-pandemia, entre as quais uma semana de quatro dias úteis que permitisse um melhor balanço entre a vida profissional e pessoal ao mesmo tempo que possibilitava um aumento no turismo interno e de usufruto dos serviços.

"Tenho ouvido várias pessoas dizer que deveríamos ter uma semana de quatro dias.  Em última análise, isso é algo entre empregadores e empregados. Mas, como já disse, temos aprendido muito com a Covid-19 e temos visto uma grande produtividade e flexibilidade das pessoas que trabalham a partir de casa", disse a chefe do governo da Nova Zelândia.

A ideia ficou no ar e entusiasmou um país que se pergunta como será o novo normal depois de ter vivido sob medidas de confinamento extremas - as autoridades neozelandesas impuseram em finais de março as primeiras restrições no país para lutar contra a progressão do vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença Covid-19, numa altura em que se registavam apenas 28 infetados, tendo declarado quarentena estrita no dia 25 desse mês. A reabertura progressiva começou em 28 de abril, com a retoma de cerca de 75% das atividades económicas e comerciais, acompanhada por algumas restrições e regras de distanciamento social.

A mensagem foi gravada numa viagem de regresso de Rotorua, uma das zonas mais turísticas do país onde Ardern disse que muitos neozelandeses lhe confidenciariam que viajariam mais dentro do próprio país se tivessem uma maior flexibilidade no trabalho.

O grande objetivo, com estas ideias em cima da mesa, é estimular o turismo interno numa altura em que as receitas turísticas caíram a pique numa país que ainda se encontra de fronteiras encerradas a estrangeiros.

Andrew Barnes, fundador da Perpetual Guardian, uma empresa com mais de 200 trabalhadores que a partir de 2018 instituiu uma semana de trabalho de apenas quatro dias, falou com o jornal britânico The Guardian sobre a ideia a que a chefe de governo neozelandesa deu voz, onde disse que esta seria uma boa "estratégia para reconstruir a economia e, particularmente, amortecer a quebra no mercado do turismo".

O empresário conta que a mudança da semana de trabalho na Guardian permitiu ter trabalhadores mais felizes e mais produtivos, com benefícios para a saúde mental e física, assim como para o ambiente e vidas sociais de cada um.

Desde o início da pandemia, a Nova Zelândia soma um total de 1.503 casos positivos e 21 mortes provocadas pela Covid-19.

O rápido controlo da curva de contágio levou mesmo a primeira-ministra a, no dia 27 de abril, afirmar vitória na batalha contra a pandemia. "Não há grandes infeções locais na Nova Zelândia. Vencemos a batalha", disse Ardern, afirmando que o trabalho passaria agora por "rastrear os casos mais recentes". "É como procurar uma agulha no palheiro", alertou.

A Nova Zelândia, um país que tem sido internacionalmente elogiado pela forma com está a lidar com a pandemia, registou desde domingo um novo caso de infeção no seu território insular ocupado por 5 milhões de habitantes.

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