"Por iniciativa do Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança [Josep Borell], o Conselho acordou hoje que a chefe da missão da República Bolivariana da Venezuela [Claudia Salerno Caldera] junto da União Europeia seja declarado 'persona non grata'", anuncia a UE em nota de imprensa.

O Conselho vinca que esta "é uma resposta à decisão do governo venezuelano de declarar a chefe da delegação da UE na Venezuela como 'persona non grata'".

"A UE considera esta declaração como totalmente injustificada e contrária ao objetivo da UE de desenvolver relações e construir parcerias em países terceiros", adianta no comunicado a estrutura onde estão representados os Estados-membros.

O Governo venezuelano notificou na quarta-feira a chefe da delegação da UE em Caracas, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, de que foi declarada 'persona non grata' e deverá abandonar o país nas 72 horas seguintes.

A notificação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, durante um encontro em Caracas.

Esta foi uma reação à decisão tomada na segunda-feira pelos chefes de diplomacia europeus de alargarem a lista de personalidades ligadas ao regime venezuelano alvo de sanções.

Numa declaração à Lusa horas após o anúncio de quarta-feira, um porta-voz comunitário disse que a UE exorta as autoridades venezuelanas a "reverter esta decisão", notando que a mesma prejudica "diretamente" os esforços no sentido de, através do diálogo, ser encontrada uma saída para a crise atual.

"A Venezuela só ultrapassará a sua crise atual através da negociação e do diálogo, com o qual a UE está plenamente comprometida, mas que esta decisão prejudica diretamente", complementou o mesmo porta-voz.

Esta é já a segunda vez que a Venezuela declara a representante da União Europeia na Venezuela, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, 'persona non grata'.

Em 29 de maio de 2020, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a sua expulsão, dando-lhe 72 horas para abandonar o país.

A decisão de Nicolás Maduro foi tomada poucas horas depois de Bruxelas ter sancionado mais 11 funcionários de Caracas.

A 02 de julho, Nicolás Maduro saudou um acordo entre Bruxelas e Caracas para suspender a expulsão da diplomata e instou a UE a mudar a relação com o Estado sul-americano.

A UE adicionou na segunda-feira 19 pessoas à lista de sanções que visam personalidades do regime venezuelano, devido ao seu "papel em atos e decisões que minam a democracia e o Estado de Direito" no país.

Com o acrescento destes 19 indivíduos, o pacote de sanções contra a Venezuela visa agora um total de 55 personalidades, que estão proibidas de viajar para a Europa e têm os seus bens congelados no espaço europeu.

ANE (ACC/FPG/TEYA) // EL

Lusa/fim

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