Acredito que o leitor não acredite no Pai Natal. É possível até que nunca tenha acreditado. Hoje, pedia-lhe que me permitisse tentar convencê-lo do contrário. Sim, compreendo o cepticismo. O Pai Natal é uma ficção com a qual se convencionou ludibriar as crianças. Contudo, não quero provar a existência do Pai Natal convencional, aquele presente nos livros infantis, nos anúncios da Coca-cola e na Praça Central do Colombo. O Pai Natal em que passei a acreditar não só é real, como traz muitas prendas a uma minoria. Os que garantem que este Pai Natal não existe é que estão em negação para não destruir uma fantasia.

O Pai Natal de hoje trabalha para empresas como a Amazon. Nesta altura, faz mais de 300 entregas por dia e não só não é amado por todas as crianças do Mundo, como é possível que as suas próprias não gostem muito lá dele, uma vez que nunca está em casa. O Pai Natal de hoje não é um idoso de barbas com um ar saudável e próspero, mas milhares e milhares de homens e mulheres de meia-idade que percorrem quilómetros por dia para que as prendas cheguem a tempo a toda a gente (não num trenó com o Rudolfo à cabeça, mas numa Peugeot Partner).

O Pai Natal de hoje não tem grande poder. Não decide se os meninos foram bem ou mal comportados. Os meninos é que decidem se o Pai Natal merece ou não uma carta de reclamação, caso a entrega não tenha acontecido a horas. O Pai Natal de hoje não tem mais de 1000 anos de idade, aliás, até é bem possível que morra no processo. Não esperamos por este Pai Natal com leite e bolachas, mas com um distante e frio “olá, boa tarde. Onde é que assino?”.

Agora, nem tudo é mau. Dia 24, lá recebemos umas calças Levi’s, que o pai encomendou pela Amazon, enquanto a máquina de lavar loiça Whirpool trata de lavar os pratos da ceia - quem sabe se um tio não sugere ver um filme da Netflix. Enfim, são só alguns exemplos de que devemos toda a alegria da quadra natalícia a uma série de empresas que pagaram zero em impostos federais dos Estados Unidos em 2018. O que seria de nós sem elas, não é verdade?

Não queria com isto trazer amargura para esta altura do ano em que o optimismo deve reinar. Sejamos sensatos, o Natal é sobretudo a altura da família celebrar. Especialmente no caso das 400 famílias mais ricas dos Estados Unidos que neste momento pagam menos impostos do que a classe média. É o que se quer. Um santo Natal para todos!

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