As crianças norte-americanas passam muito tempo a ver vídeos no YouTube. Seja a ver conteúdos relacionados com videojogos ou outras temáticas, tanto a plataforma da Google como outras empresas (TikTok, por exemplo) podem vir a sofrer alterações significativas na maneira como operam com este tipo de temáticas. Isto, caso um decreto-lei, denominado KIDS (The Kids Internet Design and Safety ACT — O Projeto de Segurança das Crianças na Internet), passe no Congresso dos Estados Unidos.

O decreto foi introduzido pelos senadores democratas Ed Markey e Richard Blumenthal e, caso seja aprovado, estas plataformas vão ter de alterar a maneira como trabalham o conteúdo publicado pelos seus utilizadores e que seja focado para um público mais jovem. As alterações podem ocorrer desde os seus anúncios ao próprio design, passando pela limitação de conteúdo quando alguém com menos de 16 anos utiliza as plataformas, de acordo com o The Verge.

"Hoje em dia os rostos das crianças estão cada vez mais cobertos pelo brilho dos seus ecrãs e está na hora de enfrentar assustadora realidade de que alguns sites e aplicações são feitos de maneira a prejudicar as crianças", segundo o senador Markey. "As empresas mais poderosas incentivam as crianças a comprar produtos online a toda a hora, e as plataformas de topo estão saturadas de conteúdo perturbador ao qual nenhuma criança deve ser exposta", completou.

O decreto parece focar-se muito nos "unboxings" (abrir caixas de novos produtos que surgem no mercado), algo bastante popular no YouTube. No sentido prático do decreto, o The Verge dá o exemplo de um canal popular entre os jovens norte-americanos, o Ryan’s World, em que um vídeo pode alcançar milhões de visualizações. Caso este decreto vá em frente, este conteúdo não seria banido, mas o YouTube ficaria proibido de o recomendar a crianças — algo que limitaria bastante a sua difusão na plataforma.

Os senadores querem também mudar a arquitetura de alguns os sites e aplicações que, na sua opinião, estão desenhados para apelar às crianças. Ora, caso o decreto seja aprovado, este iria proibir as empresas de terem funcionalidades como o "autoplay" (começar a dar um novo vídeo assim que o atual termine) e deixaria de ser possível enviar notificações ou recompensas que incentivam as crianças a ficar durante longos períodos a navegar.

Markey, co-autor deste decreto, é o principal responsável por outro em vigor: o COPPA (Children's Online Privacy Protection Act — Proteção da Privacidade das Crianças Online, em português), que proíbe que os sites recolham dados de crianças com menos de 13 anos. Contudo, tal não impediu que tanto o YouTube como o TikTok, fossem multados em vários milhões de dólares pela comissão de defesa do consumidor norte-americana (Federal Trade Comission — FTC) por terem violado as diretrizes deste decreto. E Markey já está a trabalhar no COPPA 2.0 — que tem como intuito aumentar a idade para 15.

"As grandes empresas montam as suas plataformas para ludibriar e explorar as crianças para ganhar mais gostos, mais visualizações, mais compras. O KIDS Act coloca anticorpos em curso no reinado de negligência dos marketers e das gigantes tecnológicas — protegendo as crianças e dando aos pais alguma paz de espírito", disse Richard Blumenthal, o outro co-autor do decreto.

No início deste ano o YouTube levantou novas restrições a conteúdo que tem como alvo as crianças e alterou as regras e o modo como se podem encontrar vídeos que visem claramente o público jovem, por exemplo, aqueles que dão destaque a personagens infantis, temas, brinquedos ou jogos.

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