Desde sexta-feira que a violência regressou à Faixa de Gaza, com bombardeamentos consecutivos por parte das forças israelitas sobre o enclave palestiniano. Do outro lado, a  Jihad Islâmica Palestiniana tem retaliado com o envio de rockets.

Este confronto entre Israel e a Jihad Islâmica é o pior desde o confronto entre Israel e o Hamas em maio de 2021.

O que provocou esta situação?

A detenção na passada segunda-feira de Bassem Saadi, líder da Jihad Islâmica Palestiniana na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.

O exército israelita lançou uma operação na sexta-feira, anunciada como um "ataque preventivo" contra a Jihad Islâmica, no qual os seus principais líderes militares em Gaza, Tayssir Al-Jabari e Khaled Mansour, foram mortos juntamente com vários combatentes do grupo.

Líder do braço armado da Jihad Islâmica no centro e norte de Gaza, al-Jabari chefiou a unidade responsável pelo lançamento de vários mísseis contra Israel durante a escalada do conflito em maio de 2021, segundo o exército israelita.

Em resposta, a Jihad Islâmica lançou vários morteiros sobre Israel e Jerusalém, que foram intercetados pelo sistema de defesa antimíssil israelita, de acordo com o seu exército.

E o Hamas, está envolvido?

Não, apesar de Israel e o Hamas terem travado quatro guerras e várias batalhas menores nos últimos 15 anos, o movimento armado palestiniano manteve-se, no entanto, à margem do conflito, o que conseguiu conter a sua intensidade.

Quais foram as consequências até agora?

Até à data, consta que tenham morrido 43 palestinianos, dos quais 15 crianças, vítimas dos bombardeamentos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Só hoje morreram 17 pessoas, nove delas menores. Além disso 311 ficaram feridos. Não há óbitos a registar do lado israelita, apesar de cifrados 20 feridos ligeiros.

Além das baixas, nos últimos dois dias cerca de 40 membros da Jihad Islâmica foram presos pelas forças israelitas na Cisjordânia.

Há previsão de paz?

Sim e não. Por intercedência do Egito, foi acordado um cessar-fogo para as 21:30 de hoje. As tréguas incluiram o compromisso do Cairo de “trabalhar a favor da libertação de dois prisioneiros", anunciou Mohammed Al-Hindi, chefe da ala política da JIP, numa declaração. Os dois prisioneiros em causa são Bassem Saadi e Khaled Awawdeh.

No entanto, se ambas as partes acordaram para parar os combates, o cessar-fogo foi imediatamente violado.

"Em resposta aos rockets disparados contra o território israelita, o Exército está atualmente a atacar um grande número de alvos pertencentes à organização terrorista Jihad Islâmica na Faixa de Gaza", disse o Exército israelita em comunicado enviado às 21:33.

De resto, as sirenes de alerta de ataque aéreo foram ativadas em localidades do sul de Israel perto da Faixa de Gaza. "As sirenes soaram no setor adjacente à Faixa de Gaza", disse o exército no mesmo comunicado na noite de domingo.

O que se segue?

É possível que tais trocas de mísseis tenham sido apenas devido às tensões entre as duas partes, pelo que teremos de esperar.

Há que ter em conta que, antes do cessar-fogo, o primeiro-ministro israelita, Yair Lapid disse que a operação em Gaza iria continuar "enquanto fosse necessário", descrevendo o ataque que matou Khaled Mansour no sábado como um "resultado extraordinário".

De resto, há ganhos políticos a serem geridos por Lapid, já que esta vaga de violência representa um teste para si, que assumiu o cargo de primeiro-ministro interino em novembro, mas espera manter-se no cargo.

Lapid, um ex-apresentador de televisão que se tornou um político do centro partidário, tem muita experiência em diplomacia, já que foi ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo cessante, mas tem pouca em política de segurança.

Um conflito com Gaza pode constituir um impulso na sua luta contra o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, um ‘falcão’ experiente em questões de segurança, que liderou o país durante três das quatro guerras com o Hamas.

E para a Faixa de Gaza, o que se segue?

O descalabro, se o conflito não for sanado o quanto antes. “Em 48 horas, os serviços de saúde vão parar, após a interrupção da operação da central elétrico e o esgotamento de combustível nos geradores dos hospitais”, informou o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, citado pela EFE.

Além disso, o diretor do hospital al-Shifa em Gaza fez saber que as instalações sob a sua responsabilidade necessitam urgentemente de medicamentos e eletricidade para continuar a cuidar dos feridos.

Caso tal se concretize, agravar-se-á a crise humanitária enfrentada pelo enclave palestiniano de 362 km2 onde vivem 2,3 milhões de pessoas e que está sob bloqueio israelita há mais de 15 anos.

As passagens de fronteira com Israel, incluindo a de Kerem Shalom, por onde o combustível entra, estão fechadas desde terça-feira, antes mesmo do início das hostilidades.

Após a interrupção da operação da central elétrica, no sábado, os mais de dois milhões de pessoas que vivem na sobrelotada Faixa de Gaza têm apenas quatro horas de eletricidade por dia.

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