Numa conferência durante um almoço promovido pelo Fórum para a Competitividade, subordinada ao tema “Uma nova ambição para Lisboa”, Carlos Moedas considerou que a sua vitória na capital, nas autárquicas de 26 de setembro, aconteceu porque a política está a mudar e as regras do passado estão a deixar de fazer sentido.

As pessoas “hoje já não querem ver políticos com sobranceria”, nem acham que são os políticos que lhes vão dar a solução, mas “querem trabalhar a solução com os políticos”, considerou, comprometendo-se a pertencer a essa “nova geração de políticos que ouve as pessoas, que quer estar perto das pessoas e que cria essa proximidade”.

O autarca social-democrata defendeu que é preciso “despolitizar” a relação com as pessoas e exemplificou com as discussões acerca do sistema de saúde complementar, “que tem de ser privado”, prometido para mais de 40 mil pessoas em Lisboa com mais de 65 anos e sem médico de família.

“Quando eu digo que vou lançar um plano para as pessoas poderem ter consultas gratuitas, para aqueles que são mais velhos de 65 anos, que não têm médico de família. [Eles] estão-se completamente nas tintas para as nossas discussões sobre o público, o privado, o SNS. Eles não querem saber disso. Eles querem uma consulta e, portanto, o presidente da Câmara tem que ser esse que lhes arranja a consulta”, disse.

Moedas criticou “a maneira como muitas vezes atua uma certa esquerda em Portugal, em que o plano que têm é impor às pessoas”.

“Falamos das mudanças climáticas. O que é que fazemos? Chegamos, fechamos uma parte da cidade, retiramos todos os carros e as pessoas que se adaptem. E eu acho que a grande dicotomia hoje na política é que isso não é de esquerda nem de direita. Isso é impor às pessoas. Eu acho que há uma correlação entre esse impor às pessoas e uma certa esquerda, não tenham dúvida”, considerou.

O presidente da Câmara afirmou ainda que Lisboa precisa de um projeto de ambição, numa altura em que chegou “a um ponto em que as pessoas já nem conseguem imaginar o que poderia ser Lisboa, porque já não têm essa ambição”.

Voltou a defender a sua fábrica de unicórnios, defendendo que é preciso empreendedorismo, mas também disciplina para que essas ‘startups’ não sejam ‘startups’ para toda a vida.

“Temos que ter mais exigência e mais disciplina porque aquilo que acontece é aquilo que faz com que as empresas cresçam”, acrescentou.

Entre os vários problemas identificados, Moedas destacou também a população que vive na cidade “em grandes dificuldades, que vive muitas vezes de forma indigna” nos bairros sociais e bairros municipais em Lisboa, quando existem muitas casas vazias, fechadas, e tantos prédios devolutos, para salientar que “é preciso mudar esse paradigma”, para que o chamado “elevador social” volte a funcionar.

Carlos Moedas destacou ainda a cultura como um dos pontos centrais para Lisboa, com a criação em cada freguesia centros de criatividade em complementaridade à escola, que permitam às crianças fazer o que gostam e aprender outras competências, como falar em público, música, artes, desporto.

O autarca sublinhou também que pretende motivar e voltar a dar prestígio aos trabalhadores da Câmara Municipal, que muitas vezes estão desanimados porque sentem que “não tiveram liderança”.

“A melhor maneira de dar um exemplo de liderança é que nunca me vão ver a culpar ninguém que seja um funcionário da Câmara Municipal de Lisboa. Vou estar sempre do lado, vou engolir muitas vezes coisas que não foram da minha responsabilidade, mas isso é muito importante para o futuro do país, conseguir realmente voltar a animar e dar ânimo às estruturas da administração pública portuguesa, neste caso local. Sem eles não há nenhum projeto que funcione”, considerou.

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