Neste 40.º Congresso Nacional do PSD,  Luís Montenegro conseguiu não só agregar nos órgãos diretivos recentes candidatos à liderança, Paulo Rangel e Miguel Pinto Luz, como mereceu o benefício da dúvida do seu adversário nas diretas, Jorge Moreira da Silva, e do anterior presidente, Rui Rio, com quem ombreou sexta-feira na entrada no pavilhão Rosa Mota, no Porto, no primeiro sinal de unidade no partido.

No fim, pode dizer-se que  PSD saiu do Congresso reforçado por um clima de unidade interna, com várias tendências congregadas em torno do novo líder e animadas pela expectativa de a legislatura poder ser interrompida antes do fim.

O PSD pode voltar ao poder?

O "fantasma" do episódio protagonizado pelo ministro Pedro Nuno Santos sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa pairou durante todo o congresso, dando alento aos delegados e deixando a convicção nalguns dirigentes e militantes de que a legislatura poderá voltar a ser interrompida antes de 2026 e, por isso, o PSD poderá regressar ao poder mais cedo do que esperava. O lema do congresso no último dia evoluiu no entanto para: "Acreditar - Luís Montenegro 2026".

Montenegro avisou, contudo, que para conseguir regressar ao poder, o PSD tem de estar unido, e pediu aos delegados “um apoio significativo” na votação das suas listas para os órgãos nacionais, considerando que tal seria “um sinal para Portugal".

Os delegados responderam "presente", dando uma maioria absolutíssima à sua lista para a Comissão Política Nacional, com 91,6% dos votos, o que superou em muito as votações obtidas pelas direções de Rui Rio e até as de Pedro Passos Coelho.

A nova Comissão Política tem como seis vice-presidentes Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro, Paulo Cunha e Inês Palma Ramalho e como secretário-geral o antigo líder parlamentar Hugo Soares. Entre os 18 membros da direção, só cinco são mulheres, as duas vices e três vogais (Fermelinda Carvalho, Inês Domingos e Germana Rocha).

Como vai ser o futuro dentro do partido?

O novo líder social-democrata recebeu também um sinal de que os próximos tempos serão de pacificação interna, uma vez que a sua lista para o Conselho Nacional obteve também a maioria absoluta, com 42 dos 70 conselheiros.

Apesar da votação esmagadora, no 'palmómetro' do pavilhão Rosa Mota, Luís Montenegro teve dois rivais, Pedro Passos Coelho e Carlos Moedas, os mais aplaudidos sempre que os seus nomes foram chamados ou evocados.

Por sua vez, as 19 propostas temáticas em votação no congresso foram todas aprovadas esta madrugada, entre as quais uma da JSD que propõe a adoção de eleições primárias na escolha do presidente e direção do partido e um novo modelo para dinamizar os congressos.

Quais os principais pontos do discurso de Montenegro?

O novo presidente do PSD utilizou o discurso de encerramento para fazer a demarcação do PS, à esquerda, e do Chega, à direita, e anunciar sete prioridades para o país.

"Somos e seremos moderados, mas não somos nem seremos socialistas! E é por sermos moderados que também não somos nem populistas nem ultraliberais. E muito menos nos associaremos algum dia a qualquer política xenófoba ou racista", assinalou.

Quanto às prioridades, Montenegro anunciou que a primeira será "o combate à carestia de vida", alegando que o aumento do custo de vida "é a grande preocupação dos portugueses", propondo um Programa de Emergência Social "que aproveite o excedente criado pela repercussão da inflação na cobrança dos impostos e inclua medidas como um vale alimentar mensal às famílias de mais baixos rendimentos".

"Jamais abdicarei dos princípios da social-democracia e da essência do nosso programa eleitoral para governar a qualquer custo. Acreditem, se algum dia for confrontado com a violação dos nossos princípios e valores para formar ou suportar um Governo, o partido pode decidir o que quiser mas não serei eu o líder de um Governo desses", disse.

O "combate ao caos e ao desgoverno na Saúde" será a "grande causa política" do novo líder social-democrata, que pretende "uma sociedade com menos impostos como contributo para um crescimento económico", mas também uma aposta no apoio aos jovens e um programa de acolhimento de imigrantes.

Luís Montenegro quer ainda desafiar o país para um Pacto sobre a transição digital, energética e ambiental, apostar num verdadeiro processo de descentralização, uma vez que considera "um logro" o do Governo, rejeitando apoiar um referendo em 2024 à regionalização do país, como pretende o executivo.

Apesar de se ter afastado do centro político preconizado por Rui Rio, o PSD de Luís Montenegro mantém a social-democracia como pilar base da sua atuação, naquilo que pode ser visto como um sinal de que a nova era social-democrata não representa um regresso ao "passismo", ou seja, os tempos são outros e a vertente social é agora de crucial importância.

O que disse Rui Rio na sua despedida enquanto presidente do partido?

A reunião marcou ainda a despedida de Rui Rio da presidência do partido. Num clima de unidade, Rio foi bastante aplaudido e subiu ao palco para um breve balanço dos seus quatro anos e meio de mandato muitas eleições.

“Procurei cumprir o melhor possível cada uma destas etapas", disse Rui Rio, que abordou ainda a transição da pasta para Luís Montenegro: “Da minha parte fiz o que acho que devo fazer e que disse que ia fazer. No dia 1 de fevereiro era o presidente do partido em ‘full time’, no dia 15 era um bocadinho menos, no dia 20 menos, em março menos e fui aterrando ligeiramente”.

Quem esteve presente no Congresso?

Os três dias do congresso do Porto evidenciaram o regresso de muitas das figuras preponderantes do tempo do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que tinham andado ausentes nos últimos conclaves, como os ex-governantes Maria Luís Albuquerque, António Leitão Amaro, Teresa Morais, ou de ex-deputados, como Hugo Soares, José Matos Correia, Luís Menezes, Margarida Balseiro Lopes ou Carlos Abreu Amorim.

Carlos Moedas, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, voltou a entusiasmar os delegados ao manifestar o seu apoio incondicional a Luís Montenegro, aceitando o convite para encabeçar a lista ao Conselho Nacional, o órgão máximo entre congressos.

Pelo palco desfilaram figuras como os presidentes dos Governos da Madeira e dos Açores, Miguel Albuquerque e José Manuel Bolieiro, Jorge Moreira da Silva e muitos outros, ligados às várias sensibilidades, fazendo apelos à unidade ou ao fim das "recorrentes lutas intestinas", como Pinto Luz. Só Paulo Rangel não subiu ao palco para discursar, apesar de ter feito declarações a vários órgãos de comunicação social.

No pavilhão Rosa Mota marcaram ainda presença o ex-presidente do PSD e comentador da SIC Luís Marques Mendes, que costuma ir sempre aos congressos da consagração dos novos líderes, a ex-presidente da Assembleia da República Assunção Esteves e Conceição Monteiro, militante número dois e antiga secretária de Sá Carneiro.

* Com Lusa

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