António Lobo Xavier esteve hoje na homenagem ao histórico centrista Narana Coissoró, que completou 90 anos, e foi questionado pela agência Lusa sobre a atual situação do CDS-PP, começando por ressalvar que este almoço nada tinha a ver com vida do partido, apenas com a sua história.

Sobre se está preocupado com a atual situação do partido liderado por Francisco Rodrigues dos Santos, o centrista foi perentório: “sim, estou”.

“Não imputo é a saúde do partido inteiramente à direção atual do partido porque nós vivemos um tempo de blocos, as diferenças entre as pessoas e as instituições são reduzidas, o que interessa é saber se estão deste lado ou daquele lado. Para um partido com características de charneira como foi sempre o CDS, um partido de quadros, este mundo é mais difícil. Eu estou preocupado, não estou nada descansado”, explicou.

Por isso, Lobo Xavier disse compreender “bem as pessoas que acham que conseguiriam fazer melhor” do que a atual liderança do partido.

“Eu não imputo as culpas a ninguém nem atribuo responsabilidades a ninguém, acho que muitas delas são do tempo político internacional, da pandemia, mas acho saudável que haja quem pense que faz melhor”, afirmou.

Questionado sobre qual a sua posição nesta disputa interna, o antigo líder parlamentar do CDS-PP garantiu apenas que irá ao congresso e, até pensando naquele que será o seu fim de vida, confidenciou que será “com uma bandeira do CDS-PP”.

“Estarei presente. Não me apetece estar já enfileirado numa das trincheiras, mas estou a olhar com a atenção e vou dizer o que penso na altura própria”, remeteu.

Questionado sobre as eleições autárquicas, Lobo Xavier disse ficar satisfeito com o facto de o CDS “continuar a ter seis presidentes de câmara”, o que apelidou de “um feito fabuloso que o distingue do Bloco e do Chega e de várias outras coisas que aí andam”.

“Percebo que os líderes tenham que ter um estilo comunicacional otimista e esperançoso, mas não é esse o meu estado de espírito. Não estou satisfeito, não acho que se tenham interrompido suficientemente ciclos de fragilidade”, afirmou.

No entanto, o centrista lembrou que Francisco Rodrigues dos Santos “teve quase dois anos de pandemia” e que “as lideranças, sobretudo de pessoas novas, de figuras novas da política, precisam de contacto e de visibilidade” e isso o presidente do CDS-PP não teve.

“Portanto, eu não estou disponível para o condenar, mas não posso também dizer-me como militante com 48 anos que estou super contente e tranquilo. Isso não estou”, admitiu.

Sobre o congresso – que terá o seu calendário antecipado – o antigo deputado do CDS-PP afirmou que o debate interno é “sempre útil e proveitoso”, mostrando-se “contra a ideia ortodoxa de que toda a gente deve estar ordeiramente a acatar as ordens”.

“Os partidos precisam de debate, de discussão, de insatisfação. No fundo, verdadeiramente este desafio é um desafio de insatisfação. Isto faz bem à vida política, democrática e, portanto, não vejo nada de forma negativa a ideia de um líder de um partido ser desafiado por outros que acham que fazem melhor”, sublinhou.

O presidente do CDS-PP anunciou na sexta-feira que vai recandidatar-se à liderança do partido, tendo já pedido ao Conselho Nacional a marcação do próximo congresso eletivo.

Nessa mesma declaração, sem direito a perguntas, o presidente do CDS-PP avisou a oposição interna que “não há tortura de números nem contabilidade criativa que apague o sucesso” das autárquicas, criticando os que querem transformar em insucesso os bons resultados “para seu aproveitamento pessoal”.

Horas antes, nesse mesmo dia, numa publicação na rede social Facebook, o eurodeputado Nuno Melo tinha feito uma análise crítica dos resultados do CDS-PP nas eleições autárquicas, tendo ainda anunciado que dará a conhecer “dentro de dias” se será candidato à liderança do partido.

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