A reunião desta quinta-feira no Infarmed "representou o fechar de uma página, mas não a conclusão do processo". As palavras são do Presidente da República no final do encontro que voltou a reunir especialistas e o Governo.

O que se pode retirar desta sessão? Três ideias, principalmente:

  • Portugal está "no fim de uma fase pandémica";
  • O processo de vacinação foi um "extraordinário êxito";
  • O tom do discurso mudou para um mais optimista.

Dissecando as várias intervenções dos peritos e especialistas, cinco conclusões importam destacar. Sobre:

  1. A incidência. Dentro de duas semanas a um mês, Portugal deverá ver a taxa de incidência baixar para 60 casos por 100 mil habitantes, numa média a 14 dias, em todas as regiões do país, exceto o Algarve. Além disso, nunca tivemos valores tão baixos do R(t) sem medidas de restrição muito acentuadas.
  2. A vacinação. Por cada cinco casos de covid-19 em enfermaria, quatro não tinham o esquema vacinal completo. No caso dos doentes em Unidades de Cuidados Incentivos (UCI), em cada 15 casos, 14 não tinham o esquema vacinal completo. Portugal já tem 86% da população com a primeira dose da vacina e 81,5% com vacinação completa. Para Gouveia e Melo, coordenador da task force, "vai haver proteção de grupo e eventualmente imunidade de grupo quando atingirmos os 85% ou 86% de vacinação completa", o que deverá acontecer no final do mês de setembro.
  3. As propostas. Os peritos defenderam um plano para o eventual reforço massivo da vacinação e a recomendação do certificado digital em fronteiras e lares.
  4. Os cenários. O INSA e a DGS traçaram três cenários para o período de outono e inverno com base na efetividade da vacina ao longo do tempo em correlação com o regresso às escolas e ao trabalho e época do Natal. Num cenário sem redução da efetividade da vacina, Portugal vai manter-se abaixo das linhas vermelhas — sem grande perturbação dos serviços de saúde. Nos cenários 2 e 3, contemplando redução da efetividade vacinal a um ou três anos (respetivamente), o eventual aumento de transmissibilidade provocado pelo regresso às escolas e ao trabalho e época do Natal pode fazer o país ultrapassar as linhas vermelhas em dezembro (2021) e janeiro (2022).
  5. A perceção. A perceção dos portugueses do risco da pandemia baixou dos 66,6% em setembro de 2020 para os atuais 48,7%. Já a utilização da máscara em espaços fechados mantém-se elevada, com 70% dos participantes (no barómetro social da pandemia) a referir que utiliza “sempre”, enquanto, nos espaços exteriores, tem-se verificado uma tendência de descida na utilização, com 39% dos participantes a utilizar "sempre".

Com base nestas ideias, o que se segue? O Governo deverá anunciar nas próximas semanas os critérios para a terceira fase do plano de desconfinamento.

No entanto, sublinhou Raquel Duarte, especialista da ARS Norte, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, "não entramos numa fase de cancelamento das medidas, de todo".

"É fundamental que todos nós mantenhamos a vigilância e adotemos as medidas protetoras em função do risco", acrescentou a especialista. Mesmo que a batalha já tenha sido dada como vencida.

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