Não é que tenham feito pouco nos últimos anos, mas parece que a comunidade científica internacional está unida na mensagem que quer enviar ao mundo: ou mudamos os nossos hábitos ou o planeta não aguenta. Pegando nas palavras de António Guterres, secretário-geral da ONU, trata-se "de um alerta vermelho para a humanidade". 

É do senso comum que "alerta" não é um termo que seja sinónimo de algo doce e sabe-se também que "vermelho" é a semiótica da vida a guiar os nossos sentidos, dizendo quando é preciso parar. E, por norma, nunca trazem algo de muito positivo. Mas o pior é quando se juntam os dois, se fala de sustentabilidade e não se está num filme de Hollywood, em que um armegadão climático é entretenimento à boleia de pipoca doce misturada com salgada (não conheço outra maneira de as comer).

Por outras palavras, segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, parece que a Terra está a virar assador — e nós, humanos, somos diretamente responsáveis por alimentar o braseiro com carvão. Como bons cavalheiros que somos, acordámos em Paris que não íamos abusar muito desta matéria que aquece o bife, que íamos pôr travão nos grelhados, mas parece que não é isso que está acontecer. O que é mau.

Segundo o relatório, é estimado que na Terra o aquecimento global (de +1,5° Celsius em comparação com o da era pré-industrial) vai ser atingido em 2030, dez anos antes do que tinha sido anteriormente estimado. Para quem for como eu, que de ciência pouco ou nada percebe, estes números dizem pouco. Mas quando um painel de especialistas da ONU diz que este 1,5º vai "ameaçar a Humanidade com novos desastres sem precedentes", tenho tendência a prestar atenção.

Nem que seja porque não creio ser muito normal ler títulos de notícias como "Incêndios florestais na Sibéria agravam-se e fumo chega ao Polo Norte" ou que "As sirenes de alerta são ensurdecedoras". Mais ainda quando os especialistas da ONU, autores do relatório, frisam que os "humanos são indiscutivelmente responsáveis" pelas alterações climáticas.

Para a associação ambientalista Zero o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas é provavelmente "o último aviso" dos cientistas. "Em 2020 os oceanos atingiram a sua temperatura mais elevada. Os incêndios, as inundações e as condições meteorológicas extremas dos últimos meses são apenas sinais do que se pode esperar", advertem.

Solução? Não há outra alternativa senão a redução dos gases de efeito de estufa. E foi por isso que Guterres apelou para que nenhuma central de carvão seja construída depois 2021. A COP26 (conferência internacional sobre o clima) está agendada já para novembro deste ano em Glasgow, na Escócia. Agora, resta saber se os decisores políticos vão tomar medidas concretas ou se será apenas um encontro de diplomatas munidos de chavões de publicistas para ficarem bem na fotografia.

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