Há mais de 800 farmácias e laboratórios a fazer testes rápidos gratuitos à covid-19 em Portugal. Mas a corrida à testagem — obrigatória para o acesso a lares, estabelecimentos de saúde, grandes eventos e discotecas — está a esgotar a capacidade de resposta destes locais.

Esta terça-feira, véspera de feriado, Portugal realizou cerca de 117 mil testes à covid-19, o novo máximo desde o início da pandemia. Só a rede Farmácias Portuguesas (que integra cerca de 2000 farmácias em todo o país) registou a realização de 47.500 testes de antigénio nesse mesmo dia.

Quintas e sextas-feiras são sempre os dias mais críticos, confirmou Ema Paulino, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), à Lusa.

Parte do problema está na disponibilidade de autotestes: “Neste momento, em termos de autotestes, têm sido distribuídos pelos fornecedores em quantidades controladas, o que significa que, muitas vezes, as farmácias não recebem a quantidade que tinham pedido”, avançou a presidente da ANF. No entanto, garante, os fornecedores e as farmacêuticas já informaram que, a partir da próxima semana, “já haverá uma maior capacidade”.

Se contava fazer um teste rápido de antigénio (TRAg) na farmácia este fim-de-semana, pode verificar que é difícil conseguir uma marcação, sobretudo nos grandes centros urbanos, onde se concentram os "picos" de procura, “até pelos eventos que estão previstos, nomeadamente, em termos de jogos de futebol” nos próximos dias, nota Ema Paulino.

A alternativa é encontrar um posto móvel, esperar na fila e fazer figas para que haja disponibilidade de testes até chegar à sua vez.

Não sendo a solução ideal, a maior garantia está mesmo em planear e marcar com antecedência o seu teste gratuito à covid-19 e há várias formas de o fazer:

O Infarmed disponibiliza listas, que vão sendo atualizadas ao longo do tempo, de farmácias e laboratórios onde pode fazer o teste. Atualmente, contam-se 862 estabelecimentos. Aceda ao link, escreva o nome da sua zona no campo de pesquisa e terá como resposta uma listagem dos estabelecimentos onde é possível realizar o TRAg comparticipado. Se achar mais prático, pode também fazer a pesquisa através deste mapa interativo. Depois é só ligar para o estabelecimento à sua escolha e marcar o dia e hora do teste.

Já a rede Farmácias Portuguesas tem uma plataforma que lhe permite agendar online o teste gratuito. Basta entrar, selecionar uma data, indicar em que período quer fazer o teste (manhã ou tarde), referir o distrito e concelho. Depois de clicar em "ver vagas disponíveis". Caso exista disponibilidade, pode então selecionar a hora e a farmácia mais próxima de si. Minutos depois, receberá no seu e-mail a confirmação da marcação.

A Câmara de Lisboa disponibiliza um mapa onde pode consultar as farmácias pode realizar o teste gratuitamente e os locais e horários dos postos móveis que circulam na capital.

No Porto, Rui Moreira anunciou que “a Câmara decidiu, com efeitos imediatos, disponibilizar 100 mil testes antigénio, que vamos instalar em vários pontos cruciais da cidade de tal forma que as pessoas possam fazer testes gratuitos, independentemente daqueles que já são oferecidos nas farmácias”. Nesse sentido, decorreram “contactos com os laboratórios que fazem este tipo de serviço e também com a Cruz Vermelha”, a fim de ser montada “uma operação logística de grande envergadura”, bem como perceber “quantos centros” de testagem será necessário criar. O objetivo era que os munícipes pudessem aceder a estes serviços ainda no decorrer desta semana.

Se morar longe dos grandes centros urbanos, pode ser bem mais complicado conseguir fazer um teste gratuito. Apesar de a testagem contra a covid-19 ser não só uma das apostas do governo para combater a pandemia, mas também essencial para aceder a vários serviços, em 35% dos municípios portugueses não há farmácias a fazer testes rápidos comparticipados pelo Estado. Em todos os distritos há concelhos sem oferta.

Desde dia 1 de dezembro que é obrigatório apresentar um teste negativo para o SARS-CoV-2 para:

  • Visitas a estruturas residenciais (para idosos, unidades de cuidados continuados integrados da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e outras estruturas e respostas residenciais dedicadas a crianças, jovens e pessoas com deficiência);
  • Visitas a utentes internados em estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde;
  • Eventos de grande dimensão sem lugares marcados ou recintos improvisados e recintos desportivos;
  • Bares e discotecas;
  • Se vai viajar e precisa de saber se há restrições nos países de chegada que obriguem a realização de teste antes do embarque, consulte esta plataforma da TAP.

E se não conseguir mesmo fazer um teste gratuito numa farmácia ou laboratório?

Na realidade, também é possível aceder a lares, estabelecimentos de saúde ou eventos mediante a realização de um autoteste. Mas — e este é um grande "mas" para efeitos práticos — esse autoteste tem de ser feito com a “supervisão" de um profissional de saúde habilitado e deve ser certificado por este através de da emissão de um documento no qual deve constar, obrigatoriamente:

  • Identificação do cidadão;
  • N.º utente do Serviço Nacional de Saúde ou tipo e n.º de documento de identificação;
  • Data e hora da realização do autoteste;
  • Identificação da marca comercial, do fabricante e do lote do autoteste;
  • Resultado do autoteste;
  • Identificação do responsável pela supervisão e certificação;
  • Profissão;
  • N.º de inscrição na Ordem Profissional ou n.º da cédula profissional;
  • N.º de registo da entidade na Entidade Reguladora da Saúde ou INFARMED, se aplicável.

A circular em questão, acrescenta ainda vários requisitos para a realização de TRAg na modalidade de autoteste com supervisão, que explicamos em detalhe aqui.

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