O motim, divulgado pelas organizações “Una Ventana a la Libertad” (UVL, Uma janela para a liberdade) e Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), acontece depois de 480 presos de uma outra prisão terem iniciado uma greve de fome para exigir medicamentos e julgamentos justos.

Segundo informação publicada pelo OVP na rede social Twitter, “o motim é liderado por 80 reclusos que exigem ser transferidos para outros centros penitenciários” e confrontos já terão resultado em cinco guardas prisionais feridos.

“Devemos recordar que a maioria dos calabouços do país estão sobrelotados e que os detidos sobrevivem em condições sub-humanas”, disse o OVP.

De acordo com a UVL, que divulgou informação também na rede social Twitter, “no local estão comissões antimotim da Polícia Estatal de Portuguesa, da Guarda Nacional e bombeiros. Estão a tentar restabelecer a ordem e a segurança prisional, numa operação conjunta”.

A UVL adiantou que “os familiares dos detidos denunciam sobrelotação devido ao número de detidos e que alguns deles estão doentes e sem receberem visitas desde o início da pandemia da covid-19”.

Na quinta-feira, 480 presos do Centro de Arresto e Detenções Preventivas de San Carlos, no Estado venezuelano de Zúlia, 785 quilómetros a oeste de Caracas, iniciaram uma greve de fome para exigir medicamentos e para que sejam julgados pelos tribunais.

Segundo as organizações não-governamentais, alguns dos presos denunciaram que estão “até seis anos à espera do início dos julgamentos” e que “pagam para ser transferidos para o tribunal e nunca são levados à audiência”.

Em abril a UVL denunciou que “pelo menos 123 presos faleceram em 302 centros de detenção preventiva” na Venezuela e que “a principal causa de morte são doenças” que ficam sem tratamento.

Segundo a imprensa local, na Venezuela há pelo menos 110.000 reclusos, 65.000 dos quais em centros de detenção preventiva, onde não deveriam permanecer mais de 48 horas.

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