O bilionário britânico voou numa missão suborbital até à beirinha do espaço com a sua empresa, a Virgin Galactic. Correu tudo bem — a viagem só pode ser catalogada como tendo sido um sucesso. E, com esse sucesso, está dado o pontapé de saída à corrida ao espaço dos muito ricos.

Se havia poucas dúvidas de que será uma questão de tempo até ser possível, Branson provou hoje que ver a Terra do espaço durante uns minutos já não diz respeito apenas a linhas para encher um texto de ficção científica ou o site de uma empresa que pertence a um empreendedor com uma ambição galáctica (o próprio). O sucesso deste domingo está na parte em que se mostrou a segurança das viagens comerciais espaciais.

Para usufruir da experiência basta ter muito dinheiro (qualquer coisa como 300 mil dólares) — o que não quer dizer que não tenha o seu lugar na história. Porque o que aconteceu foi isso mesmo: algo histórico. Não só porque Branson acordou neste dia como empreendedor e vai acabá-lo como astronauta (ou empreendedor-astronauta), mas também porque foi tornado público que estar um bocadinho no espaço e constatar uma vista única já não é algo exclusivo das grandes mentes da NASA e dos seus astronautas. O comum dos ricos poderá fazê-los nos próximos anos.

É provável que tenha estado fora a aproveitar um merecido descanso e não faça a mínima ideia do que se passou. Mas, basicamente, seis pessoas, incluindo Richard Branson, efetuaram a primeira viagem tripulada ao espaço a bordo de uma nave "comercial" com capacidade para ir até à órbita do espaço, que descolou e aterrou com sucesso da base SpacePort America, no deserto do Novo México, nos Estados Unidos. O avião espacial da Virgin descolou perto das 15:40 em Lisboa e aterrou perto das 16:40. Pelo meio, protagonizou uma viagem histórica e permitiu aos tripulantes quatro minutos acima da superfície terrestre, onde houve gravidade zero. O melhor, contudo, é ler como foi ou ver o vídeo da viagem. 

Nas entrelinhas, o que se passou foi uma operação de marketing "espacialmente" bem conseguida ou não estivesse tudo a ser transmitido em livestreaming de uma maneira muito peculiar, muito corporate, mas para as classes muito ricas terem impulsos e os pobres sonharem. Nem que seja porque em vez de estarmos a acompanhar o momento com o áudio dos elementos técnicos de um lançamento desta natureza, a Virgin Galactic optou por ter o humorista Stephen Colbert a completar a cobertura mediática com as suas piadas. Ninguém ficou de fora.

É que esta transmissão funcionou como um anúncio para qualquer pessoa que possa estar interessada em voar a bordo dum aparelho semelhante nalgum momento no futuro. (E, ao mesmo tempo, mostrar à concorrência que tem algo com que se preocupar.) Recorde-se que o fundador da Virgin esteve para não realizar este voo até ao final do verão, mas trocou de ideias assim que outro colega da turma dos bilionários (Jeff Bezos, da Amazon) anunciou que ia fazer a primeira viagem ao espaço da Blue Origin no próximo dia 20 de julho (para coincidir com o 52.º aniversário da chegada de Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua).

A sua ambição levou-o a querer ser o primeiro. Podia correr mal, mas correu bem e hoje fez-se história nas viagens comerciais ao espaço. Além de que foi um ótimo dia para o negócio de turismo espacial da Virgin, determinada a começar este tipo de regozijo turístico muito caro, em 2022. Agora, é esperar uns dias e ver qual será a resposta de Bezos — que certamente não será menos ambicioso do que Branson.

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