Portugal está a enfrentar o segundo ano mais seco desde 1931 — só o ano de 2005 se aproximou da situação atual — e a conjugação de baixa precipitação com elevadas temperaturas diminuiu de forma drástica a água armazenada nas barragens e disponível no solo.

“Graças a uma cuidada gestão da água, as reservas portuguesas asseguram, pelo menos, dois de anos de água para abastecimento público. Mas temos de viver com restrições ou com elevados custos, em certas zonas do país, para assegurar a disponibilidade em certos reservatórios ou em certos perímetros de rega”, disse hoje Duarte Cordeiro.

As declarações do ministro do Ambiente e da Ação Climática foram feitas na abertura do simpósio de alto nível sobre a Água, realizado no âmbito da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (UNOC, sigla em inglês), que começou esta segunda-feira em Lisboa, e surgem no mesmo dia em que o Governo reconheceu oficialmente que todo o continente está em seca severa ou extrema.

O reconhecimento foi hoje publicado em Diário da República através de um despacho de 21 de junho da ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes.

No despacho citam-se os dados de monitorização agrometeorológica e hidrológica para se dizer que a situação de seca no continente, após ligeira melhoria nos meses de março e abril, “voltou a apresentar um agravamento significativo nos meses de maio e junho de 2022 com consequentes impactos negativos na atividade agrícola”.

Portugal continental estava em maio com cerca de 97,1 % do território na classe de seca severa e 1,4 % na classe de seca extrema. “Esta situação sofreu um agravamento na 1.ª quinzena de junho com a totalidade do território continental em situação de seca severa ou extrema”, diz-se no documento.

O Governo já tinha anunciado na semana passada que vai lançar a partir de julho campanhas de promoção do uso eficiente da água, dirigidas a todos os tipos de consumidores, com reuniões mensais de acompanhamento da situação até final de setembro.

Se por um lado há quem alerte que "vamos ter de nos habituar a viver com menos água" (vamos = o cidadão e as atividades económicas), por outro há quem recomende que se pague mais por ela.

A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) defende, noticia hoje o Jornal de Negócios (acesso limitado), o aumento do preço da água, considerando que em mais de metade dos municípios (60%) a tarifa praticada não cobre os custos.

Por isso, o regulador emitiu uma recomendação onde se sugere a atualização da forma de cálculo (o preço por metro cúbico varia entre 40 cêntimos e 3 euros, consoante cada município, indica um documento citado pela publicação). Além disso, o regulador revela que vai avançar com um projeto de recomendação para a criação de uma tarifa social para os consumidores domésticos, no valor de 4,5 euros e com IVA a 6%.

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