Ainda faltam semanas para que o frio a sério entre pela Europa e nunca na última década as reservas europeias de gás estiveram tão baixas, com a capacidade armazenada em queda dos habituais 90% para pouco mais de 70%.

Muitos peritos em energia estão a questionar-se sobre se a Europa e a Ásia têm volume de gás armazenado bastante para enfrentar o frio do próximo inverno.  

O disparo geral do preço do gás está a arrastar a fatura internacional da eletricidade e tudo fica agravado com a subida do preço dos direitos de emissão de CO2.

Os dados sobre a fatura da luz na vizinha Espanha são eloquentes sobre a dimensão da atual crise: o megavatio por hora custava 50€ em junho de 2019; no começo de setembro deste ano rondava os 130€; na semana passada, todos os recordes foram pulverizados na hora de ponta 20/21h com o MWh a atingir 319€. O disparo foi geral: 308€ por MWh em Itália, 303€ na Alemanha, 298€ em França. Os consumidores portugueses saem beneficiados pelo mecanismo de energia negociada. O Operador do Mercado Ibérico de Energia (OMIE) coloca o preço médio do KWh [https://www.omie.es/es] nesta segunda-feira, 18 de outubro, em 207,14€. 

A Rússia, primeiro exportador mundial de gás e segundo de petróleo, está a ser o maior beneficiário da atual escalada. 

Esta crise internacional energética de agora é diferente das anteriores. Desta vez, o problema não está apenas em uma das fontes de energia primárias mas em todas: crude, gás natural e carvão, tudo está com o preço em máximos históricos.

Este quadro coincide com a desaceleração do investimento na produção e exploração de combustíveis fósseis (é a opção incontornável perante o agravamento da emergência climática) e, se tudo isto não bastasse, acresce a escassa produção nas turbinas eólicas (faltou vento em quase todo o verão) e o alto consumo que no inverno da pandemia, com o teletrabalho, levou muito do que estava armazenado.

Quem estuda as questões energéticas está a temer que se o inverno for duro em frio, a escassez de recursos energéticos vai agravar-se e os preços vão continuar com picos cada vez mais altos. 

A crise dos preços de energia está a disparar alarmes em vários governos europeus (os portugueses estão entre os que até agora menos sentem a alta na fatura da eletricidade) e a Comissão Europeia, pressionada por vários países, já está a preparar uma robusta resposta comum de modo a garantir o que Ursula von der Leyen definiu como “abastecimento suficiente de gás a preço razoável”. 

Uma das fortes possibilidades sobre a mesa é de a União Europeia assumir a compra conjunta de energia, tal como aconteceu há um ano para a compra das vacinas para travar a Covid-19. É uma oportunidade para a União Europeia evidenciar aos críticos como “juntos somos mais fortes”.

Esta emergência energética já está a ser comparada com a crise do petróleo nos anos 70. Então, Portugal enfrentou o racionamento no abastecimento de gasóleo e gasolina e longas filas de espera pela noite e madrugada dentro para chegar aos postos de abastecimento de combustíveis que continuavam abertos. Então, chegou a ser necessário decidir prioridades no acesso ao abastecimento, com profissionais de saúde, forças de segurança e redes de abastecimento básico na primeira linha. 

A crise atual vai ser assunto principal na cimeira europeia no final desta semana, em Bruxelas. Para situações excecionais são requeridas medidas excecionais, para o imediato e para estabilizar o quadro futuro.

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