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Avanços na vacinação, terceiras doses e a injustiça vacinal

Marta Pedreira Mixão
Marta Pedreira Mixão

Quase oito meses depois do início da vacinação, 66% da população já tem duas doses, o que representa um aumento de 4%, em relação à semana anterior, que se deve principalmente à vacinação na faixa dos 18 aos 24 e dos 25 aos 49 anos.

Assim, a meta dos 70% de população vacinada estava prevista para o início de setembro, mas deverá ser atingida mais cedo – ainda esta semana. Qual a importância desta antecipação? Portugal poderá mesmo antecipar a fase seguinte de desconfinamento, que estava prevista para 5 setembro.

Apesar dos avanços no processo de vacinação, este não tem sido livre de problemas. A comissão de vacinação acusou os laboratórios Unilabs (que gerem o centro) de comunicarem tarde o problema na cadeia de frio no centro instalado no Queimódromo do Porto. A comissão afirma que só teve conhecimento do problema no final da tarde do dia 11 de agosto, altura em que, de imediato, foi suspensa a vacinação no centro e aberto um inquérito. Ainda assim, durante o dia 9 de agosto e a manhã do dia 10 foram administradas doses que estiveram armazenadas fora da temperatura recomendada. Importa salientar que não há perigo para a saúde, mas os utentes visados podem ter de repetir a vacinação. Agora, aguardam-se orientações.

Hoje, o vice-almirante identificou três falhas de procedimentos no local: a não deteção imediata da avaria no frigorifico; terem sido inoculado vacinas sem verificar as condições de armazenamento; e o atraso na notificação – pois, desde o momento de terem suspendido a administração de vacinas até à notificação da task force passaram 24 horas. O caso já foi reencaminhado para a Inspeção Geral das Atividades em Saúde, Polícia Judiciária e Administração Regional da Saúde do Norte.

A task force adiantou ainda que só reabrirá o centro de vacinação do Queimódromo depois de perceber as causas do problema e do atraso na participação desta ocorrência.

A Unilabs refere, porém, que a situação foi reportada assim que tiveram "visibilidade": “Assim que tivemos visibilidade desta situação comunicámos imediatamente ao ACES Ocidental, que colocou as vacinas de quarentena, de forma imediata, como estipulam os procedimentos. A inoculação de vacinas desse lote foi suspensa de imediato”, referiu o laboratório privado.

“Nunca deixámos de comunicar a todo o momento com as entidades a quem o centro de vacinação reporta numa base diária, com o ACES Ocidental e com a ARS Norte, o que se passou e toda a informação nova que obtínhamos, o que fizemos para mitigar o problema e o que fizemos para reforçar procedimentos no futuro”, reiterou a Unilabs.

Apesar dos imprevistos, o processo de vacinação continua a avançar. Mas, mesmo assim, a variante Delta continua a espalhar-se pelo mundo, e é numa tentativa de conter a disseminação desta variante mais contagiosa, que vários países, como a Alemanha, França e Bélgica, anunciaram que vão avançar com a administração de uma terceira dose às pessoas mais vulneráveis, como idosos e imunodeprimidos. Israel foi mesmo o primeiro país do mundo a administrar uma reforço da vacinação visando pessoas a partir dos 50 anos.

Já nos Estados Unidos, em 24 horas, as vítimas mortais foram mais de mil. E, perante o avanço da variante Delta no país, as autoridades de saúde anunciaram planos para a distribuição de vacinas contra a covid-19 a todos os norte-americanos, para reforçar a sua proteção com terceiras doses.

O plano exigirá uma dose extra oito meses após as pessoas terem recebido a segunda dose da vacina, que pode começar a ser administrada já a 20 de setembro. Porém, o plano está ainda a aguardar uma avaliação da agência reguladora norte-americana (Food and Drug Administration – FDA) em relação à segurança e eficácia de uma terceira dose.

As autoridades justificam a medida referindo que a proteção das vacinas contra a covid-19 diminui com o tempo e, agora, com a variante Delta, que é altamente contagiosa, "começam a ver provas de proteção reduzida contra o desenvolvimento de doenças leves e moderadas".

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, reiterou que os dados científicos à data não suportam a necessidade de administração generalizada de doses adicionais de vacinas. "Vamos tomar as decisões com base nos dados científicos", apelou a cientista-chefe Soumya Swaminathan, assinalando que são precisos mais dados para se saber quando e a que grupos populacionais será necessário reforçar a vacinação.

Já o diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Michael Ryan, condenou que os países mais ricos avancem com o reforço da vacinação quando países mais pobres ainda nem sequer vacinaram a sua população: "Estamos a dar coletes salva-vidas a pessoas que já têm coletes salva-vidas, enquanto [outras] pessoas estão a morrer afogadas, esta é a realidade".

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus também deixou críticas a esta atitude: "A injustiça vacinal é uma vergonha para toda a humanidade e se não a enfrentarmos juntos, prolongaremos o estado agudo desta pandemia por anos, quando poderia acabar numa questão de meses".

Entre avanços e recuos no processo de vacinação, é importante relembrar que quanto mais livremente circular o vírus, mais tendência terá para se reinventar de forma a conseguir continuar a infetar as nossas células, dando origem a novas variantes, que podem colocar em causa a eficácia das vacinas que já existem. E com um vírus que não conhece fronteiras, a vacinação torna-se uma necessidade global.

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