Segundo o relato da AFP, na noite hoje, em Jerusalém, havia dois tipos de cidadãos nas ruas: os que praticavam atletismo e os que se manifestavam em frente à residência oficial do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Ao som de tambores e trombetas de plástico, milhares de israelitas juntaram-se para criticar a gestão económica e de saúde face à pandemia de covid-19, mas também para denunciar a corrupção e pedir uma mudança de Governo.

Os manifestantes denunciavam também a violência contra os palestinianos, segundo relatou um jornalista da agência AFP no local.

Face ao aumento de casos, o Governo impôs na semana passada um ‘reconfinamento’ “de pelo menos três semanas”, reforçado na sexta-feira com o encerramento de sinagogas, exceto para as celebrações do Yom Kipur (Dia do Perdão, celebrado no domingo à noite e na segunda-feira).

O primeiro-ministro procurou também limitar as manifestações antigovernamentais, que têm decorrido todos os fins de semana desde julho, em frente à residência do governante, determinando grupos de 20 pessoas que não se podiam reunir a mais de um quilómetro das suas casas.

Esta medida não foi aprovada pelo parlamento, com alguns deputados a defenderem que o combate à pandemia não pode ser feito à custa de limitações aos direitos democráticos.

A polícia autorizou a manifestação, solicitando, porém, que os participantes mantivessem uma distância de dois metros entre eles e usassem máscara, medidas que foram amplamente respeitadas, segundo relatou o jornalista da AFP.

“Vim cá porque tentaram silenciar os protestos. As pessoas aqui são a única esperança para uma Israel livre e democrática”, sublinhou Adi, de 48 anos, que se deslocou desde Telavive, a cerca de 70 quilómetros de Jerusalém.

Já Shoshanna, de 34 anos, mostrou-se feliz por ver tanta gente na manifestação, mas recusou ser uma vitória.

“O Governo fechou tudo sem dar ajuda económica”, apontou, com a esperança de que o protesto seja “mais organizado” para provocar “mudanças reais”.

Benjamin Netanyahu criticou os deputados por rejeitarem as restrições às manifestações.

“A decisão populista do parlamento de cancelar as restrições que o Governo impôs após o aumento dos casos de infeções é totalmente errada”, frisou, através de um vídeo divulgado na Internet.

Milhares de manifestantes também se reuniram através de plataformas ‘online’ durante a noite de hoje como uma forma de protesto contra o primeiro-ministro sem sair de casa.

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