Última atualização às 21:33


No debate parlamentar desta terça-feira, António Costa assumiu que não descarta o encerramento das escolas, dando como exemplo um cenário em que a variante inglesa da covid-19 seja dominante. A medida não é consensual entre especialistas e até ao momento a opção do governo tem sido a de manter abertos es estabelecimentos de ensino.

A possibilidade de um encerramento, porém, afigura-se como cada vez mais provável. Marcelo Rebelo de Sousa disse esta semana que o quadro geral de medidas de combate a propagação do vírus será reavaliado na próxima semana, incluindo o eventual encerramento das escolas; a candidata a Belém Ana Gomes assumiu que tal poderá ser "inevitável"; a Federação Nacional de Professores (Fenprof) já defendeu o encerramento das escolas durante o confinamento, assim como o Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (SINAPE/FEPECI) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU).

Entretanto, os chamados testes rápidos de deteção de covid-19 começam hoje a ser aplicados nas escolas com ensino secundário dos concelhos em risco de contágio extremamente elevado. A campanha vai decorrer em estabelecimentos públicos e privados e “em caso de identificação de surtos ativos será intensificada a testagem, envolvendo e priorizando toda a comunidade escolar dos estabelecimentos de ensino afetados, independentemente do grau de ensino a que pertença”, indicaram os ministérios da Saúde e Educação em comunicado conjunto. Com estes testes, pretende-se “aumentar a rapidez da deteção e rastreamento de eventuais casos de SARS-CoV-2”, em alunos, pessoal docente e não docente.

No entanto, enquanto se aguarda uma decisão mais abrangente, há escolas que não podem esperar e fazem apelos ao encerramento. Face à pressão, o Governo diz apenas que avaliará a cada momento a evolução da situação epidemiológica no país e tomará as "medidas necessárias", compreendendo o "medo frente aos números" de casos covid-19.

Surto fecha escola em Ílhavo

A Escola Básica n.º 1 de Ílhavo, no distrito de Aveiro, foi encerrada na terça-feira por indicação da delegada de saúde, na sequência de casos de infeção por SARS-CoV-2 entre os alunos, professores e funcionários, confirmou hoje o município.

O presidente da Câmara de Ílhavo, Fernando Caçoilo (PSD), confirmou o encerramento da escola e disse que não tem data para a reabertura. “O assunto está entregue à Direção-Geral da Saúde (DGS). A DGS está a controlar a situação. Agora estão a fazer-se os testes e em função dos testes é que depois se vê”, disse o autarca.

Fernando Caçoilo não soube quantificar quantas pessoas testaram positivo para o novo coronavírus, limitando-se a dizer que “são os suficientes” para ter levado ao encerramento do estabelecimento de ensino e “diversificados pela escola”. “Aquilo começou por uma sala e depois espalhou-se”, explicou.

O presidente da Câmara de Ílhavo defende o encerramento imediato das escolas. “Se se quer resolver o problema, é evidente que [as escolas] deviam fechar”, defendeu.

Viseu exige suspensão de aulas presenciais para 3.º ciclo e secundário

A suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário no concelho de Viseu é uma das exigências ao Governo da Comissão Municipal de Proteção Civil, após reunião com diversos responsáveis.

“Exigir à tutela a suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário nos estabelecimentos de ensino do concelho de Viseu, passando estes níveis de escolaridade a funcionar na modalidade de ensino à distância, por um período de 15 dias, e com posterior avaliação”, refere um comunicado hoje enviado à agência Lusa.

Uma decisão unânime da Comissão Municipal de Proteção Civil (CMPC) de Viseu, que reuniu na terça-feira para avaliar a propagação da pandemia e, em particular, o impacto da situação nos estabelecimentos escolares.

“É fundamental minimizar a transmissão comunitária ativa e aliviar a pressão existente nos serviços de saúde, nomeadamente na capacidade esgotada da Autoridade de Saúde local no que diz respeito ao estudo epidemiológico das cadeias de transmissão”, justifica.

O documento refere ainda que “a situação de rutura vivida no Centro Hospitalar Tondela-Viseu” (CHTV) é também razão para a suspensão da atividade escolar, porque a proteção civil municipal considera que, “apesar de estar em funcionamento um Hospital de Campanha, o CHTV continua com uma pressão crescente de casos”.

A decisão tomada “fundamenta-se em dois pontos fulcrais”.

“Os dados à data da Autoridade de Saúde e Estabelecimentos de Ensino, que estimam aproximadamente 2.500 alunos em isolamento, 150 infetados – correspondentes a cerca de 100 turmas/salas em confinamento preventivo, dezenas de professores e auxiliares, aos quais se juntam outros casos de contágio nas famílias – implicam um funcionamento ‘anormal’ das Escolas”, é um dos fundamentos.

“Acresce que os 18.000 alunos do concelho representam um movimento pendular diário de cerca de 30.000 pessoas, num concelho com cerca de 100.000 habitantes, e muitos entre concelhos com transmissão ativa muito grave”, defende.

Outro argumento para exigir a suspensão da atividade escolar é “a atual evolução da pandemia covid-19 em Viseu e o seu potencial de evolução catastrófico, onde se regista atualmente, um índice de 1.447 casos por 100.000 habitantes”.

Mafra pede fecho das escolas

A Comissão Municipal de Proteção Civil de Mafra decidiu ir mais longe e pedir a suspensão de toda a atividade letiva presencial no concelho aos ministérios da Educação e da Saúde, devido à evolução da pandemia de covid-19, foi hoje anunciado.

Depois de ouvir os diretores de escolas do concelho, em reunião ocorrida na segunda-feira, a Comissão Municipal de Proteção Civil "deliberou, por unanimidade, solicitar a suspensão da atividade letiva presencial" nas escolas e nas creches das redes pública, social e privada do concelho, refere em comunicado este município do distrito de Lisboa.

Mafra pretende que a medida tenha "efeitos imediatos, face ao agravamento da situação epidemiológica" e à "incapacidade da saúde pública na realização dos rastreios dos casos".

A Comissão Municipal de Proteção Civil sustenta a sua decisão com base na existência de 75 turmas em isolamento profilático no concelho e outras cinco em avaliação, abrangendo dois mil alunos dos 12.000 existentes no concelho.

A deliberação foi enviada à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e ao Instituto da Segurança Social, a pedir que diligenciem, junto da Direção-Geral da Saúde, a suspensão da atividade letiva presencial em todo o concelho.

Quarenta por cento dos alunos estão em casa em Mira de Aire

O presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, pediu hoje o fecho das escolas na freguesia de Mira de Aire, onde 40% dos alunos estão em casa na sequência da pandemia de covid-19.

“Cerca de 40% dos alunos já estão em casa. São 165 alunos e mais 19 professores e oito funcionários que estão em casa, seja por estarem positivos ou por obrigatoriedade de isolamento profilático”, disse Jorge Vala.

Em Mira de Aire, um total de 428 alunos frequenta duas escolas do 1.º ciclo com pré-escolar e a escola básica 2,3 com secundário, adiantou.

“Na comunidade escolar há pelo menos 25 casos positivos de covid-19”, referiu o presidente deste município do distrito de Leiria, salientando que a freguesia “continua a ter diariamente novos casos”, além de ter registado um surto num lar, agora praticamente ultrapassado, que infetou quase todos os utentes e alguns dos funcionários.

Na semana passada, o município pediu à Administração Regional de Saúde do Centro, Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral e Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares “o confinamento de toda a comunidade escolar de Mira de Aire, professores, alunos e pessoal não docente”, perante “o aumento exponencial de casos e da necessidade de muitas pessoas terem de ficar em isolamento”.

“Uma semana depois já se devia ter tomado medidas mais duras. Precisamos de decisões, porque não podemos continuar a encolher os ombros”, defendeu, destacando que a “população está preocupada” e “alguns alunos não vão à escola porque os pais não deixam, por receio”.

Jorge Vala disse ter conhecimento de que a comunidade escolar de Mira de Aire vai ser testada por iniciativa da tutela, sublinhando que o município já tinha disponibilizado há duas semanas testes, “mas a Autoridade de Saúde não tem recursos humanos para o fazer”.

Freguesias do distrito de Leiria querem escolas fechadas com urgência

A delegação distrital de Leiria da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) considerou urgente o encerramento das escolas devido à pandemia de covid-19 e salientou que “mais vale perder-se um mês de aulas” do que vidas.

“A Distrital de Leiria da ANAFRE considera urgente o encerramento dos estabelecimentos escolares. Ainda que se diga que as crianças não têm sido, felizmente, das mais afetadas pela pandemia, não deixam de poder ser transmissores do vírus, propagando o contágio aos familiares de mais idade”, refere a associação numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.

A ANAFRE/Leiria adianta que “a movimentação diária de adultos que tem de acontecer por causa dos estudantes se terem de deslocar às escolas inviabiliza um confinamento eficaz”, frisando que “mais vale perder-se um mês de aulas, que pode ser recuperado reorganizando o calendário escolar”, do que “centenas ou milhares de vidas”, que “são irrecuperáveis”.

Para a delegação, nesta fase da pandemia, “em que Portugal está, à escala planetária, com uma das situações mais críticas no que toca a novos infetados e a número de óbitos por dia, importa fazer um confinamento real”.

“Ficar em casa não pode continuar a ser uma regra apenas no papel, sendo relegada para segundo plano pelo elevadíssimo número de exceções”, nota a associação.

Além das escolas, a delegação defende a interdição de “outros espaços públicos, nomeadamente os cemitérios”.

O presidente da ANAFRE/Leiria, Pedro Pimpão, afirmou à Lusa que “os especialistas apontam para um confinamento muito mais rigoroso do que está a existir e a questão das escolas assume um relevo maior”.

“O que defendemos, nos vários níveis de ensino, é que deve ser dada, neste momento, primazia ao ensino à distância”, disse Pedro Pimpão, também presidente da Junta de Freguesia de Pombal, assinalando que “os representantes de professores e do pessoal não docente já se pronunciaram, igualmente, a favor do fecho dos estabelecimentos escolares”.

Autarca de Castelo Branco defende fecho das escolas durante duas semanas

O presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves, defendeu o encerramento das escolas no concelho por um período de "pelo menos duas semanas", para ver se o número de casos estabiliza.

“Há muitos casos nas escolas em Castelo Branco. Neste momento, não lhe posso quantificar, mas são muitos”, disse à agência Lusa José Augusto Alves.

O autarca explicou que a saúde pública está a acompanhar os casos que vão surgindo nos estabelecimentos de ensino de Castelo Branco.

“O melhor era encerrar, pelo menos o 3º ciclo e ensino secundário, durante duas semanas para ver se isto estabiliza. Há muitos casos”, concluiu.

A Comissão Municipal de Proteção Civil (CMPC) de Viseu também defendeu hoje a suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário no concelho de Viseu, depois de se ter reunido com diversos responsáveis.

“Exigir à tutela a suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário nos estabelecimentos de ensino do concelho de Viseu, passando estes níveis de escolaridade a funcionar na modalidade de ensino à distância, por um período de 15 dias, e com posterior avaliação”, afirma a CMPC de Viseu, num comunicado divulgado hoje.

“É fundamental minimizar a transmissão comunitária ativa e aliviar a pressão existente nos serviços de saúde, nomeadamente na capacidade esgotada da Autoridade de Saúde local no que diz respeito ao estudo epidemiológico das cadeias de transmissão”, justifica.

Oeiras International School volta às aulas online já amanhã

A escola privada Oeiras International School informou os encarregados de educação esta quarta-feira, 20 de janeiro, que vai suspender as aulas presenciais.

A decisão, que afeta todos os alunos e graus de ensino do colégio privado, teve em conta, segundo a direção, vários fatores, entre eles a saúde e bem estar de alunos, famílias e funcionários do estabelecimento de ensino, "a capacidade comprovada de conseguir que a aprendizagem online seja um sucesso para todos", o aumento de casos de covid-19 na comunidade e a baixa frequência das aulas, devido a um sistema misto "ineficaz" de aulas online e presenciais.

A escola continuará aberta, todavia, apenas para os alunos cujos encarregados de educação não tenham alternativa.

A direção da escola antecipa que o ensino online possa manter-se por "três semanas ou mais".

Diretores de agrupamentos de Coimbra defendem fecho das escolas

Dez diretores de agrupamentos e escolas não agrupadas da cidade reuniram hoje à tarde, tendo tomado uma posição conjunta, em que defendem o fecho urgente das escolas e o regresso ao ensino à distância, tal como no primeiro confinamento, em março, disse à agência Lusa o diretor do Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, António Couceiro.

Na posição conjunta, é frisado que os diretores tinham "aplaudido a abertura das escolas no regime de ensino presencial", mas face à conjuntura atual defendem a suspensão temporária deste regime, devido ao aumento exponencial de casos na sociedade e na comunidade escolar, à diminuição significativa do número de professores e assistentes técnicos e operacionais em trabalho presencial e ao "peso que o funcionamento presencial das escolas tem no aumento da mobilidade da população em geral".

"Neste momento, há que parar. É unânime: a escola tem que parar mesmo", afirmou António Couceiro.

O responsável referiu que tem sido difícil a gestão da pandemia nas escolas, considerando que o sistema híbrido - em que há alunos, professores ou turmas inteiras em casa devido a contacto com casos positivos - "é mais complicado do que o ensino à distância".

Segundo António Couceiro, a maioria dos encarregados de educação também estarão a favor do fecho das escolas, referindo que no seu agrupamento a associação de pais fez um levantamento e 70% dos encarregados eram a favor de que as escolas parassem.

"Há escolas - e na nossa também - em que já há pais que estão a proibir os miúdos de ir às escolas. Só aí cria uma desigualdade tremenda", contou António Couceiro.

O diretor do agrupamento salientou que em março as escolas também se souberam adaptar, referindo que no caso das escolas que representa foi possível assegurar acesso à internet e a computadores a todos os alunos, bem como a alimentação, que era facultada através de regime ‘take away'.

"Na Eugénio de Castro estamos a ter uma média de dois a três casos por dia e não é de longe a pior escola na cidade. Há imensas escolas com casos gravíssimos", frisou.

António Couceiro vincou que nenhum dos diretores "está contra o Governo", mas defendem que este "é o momento ideal para se voltar atrás".

Presidente da Câmara de Leiria quer escolas fechadas

“Cada dia que passa é um dia de atraso na necessidade do seu encerramento”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes, também presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.

Segundo dados de hoje do município, 1.456 alunos ficaram em casa de um total de 14.060. Das 668 turmas do concelho, 31 estão em casa.

O presidente da Câmara salientou que estes são indicadores “muito significativos de como a comunidade escolar nesta fase já tem muita gente em casa e que, por isso, é urgente tomar medidas relativamente ao encerramento das escolas”.

“Cada dia que passa é um sinal de fraqueza e de insegurança que se transmite à população portuguesa, em especial aos pais que assistem, diariamente, a um crescimento de preocupação em relação à saúde dos filhos e que reparam que é necessário interromper esta escalada de números assustadora e fazer um recolhimento efetivo”, adiantou o autarca socialista.

De acordo com o último boletim da Comissão Distrital de Proteção Civil, divulgado às 00:04 de hoje, o concelho de Leiria regista, desde o início da pandemia, em março do ano passado, 4.074 casos confirmados do novo coronavírus, mantendo-se 923 ativos.

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