Depois de, em 2016, ter sido reeleito sem qualquer oponente, Luís Filipe Vieira enfrentará nestas eleições dois opositores que tencionam quebrar o ciclo e virar esta página do clube. Já caso seja reeleito, o atual presidente exercerá o sexto mandato.

As eleições previam-se as mais concorridas que o clube já viveu, contando inicialmente com quatro listas candidatas aos Órgãos Sociais do Benfica: a lista A liderada por Luís Filipe Vieira, a lista B por João Noronha Lopes, a lista C por Bruno Costa Carvalho, depois substituído por Luís Miguel David, e a lista D por Rui Gomes da Silva. Nunca antes os encarnados tinham tido mais dos três candidatos à presidência.

No entanto, não é desta que se faz história, ou, pelo menos, essa história. Em véspera do dia eleições, Bruno Costa Carvalho retirou a sua candidatura. Sem declarar apoio a qualquer outro dos candidatos à presidência, o empresário apelou, contudo, aos sócios do Benfica para não votarem em Luís Filipe Vieira, para que seja possível uma mudança na direção do clube, e citou as várias adversidades que enfrentou durante a campanha como causa para a sua desistência.

Esta é apenas uma das situações que conferem a este processo eleitoral um caráter extraordinário. Outra recai no facto de ocorrer durante a pandemia da Covid-19, que afetou a sua organização e obrigou ao adiantamento da sua data, de 30 para 28 de outubro, uma decisão que não foi consensual entre os sócios, mas respeita os estatutos do clube.

Restando assim três candidatos, o SAPO24 analisou os seus programas eleitorais e compilou as propostas. Saiba onde pode votar e fique a par de algumas das propostas dos candidatos para o futebol, formação, modalidades, governação, finanças, património, sócios/estatutos e comunicação. Os programas completos estão disponíveis no fim do artigo.

  • Quem pode votar?

Poderão exercer o respetivo direito de voto os associados titulares de cartão de sócio - desde que acompanhado de documento de identificação - , e quota, pelo menos, do mês de agosto de 2020 regularizada.

  • Quando?

As eleições para os órgãos sociais do Benfica foram antecipadas para o dia 28 de outubro, devido às novas medidas impostas pelo Governo, nomeadamente a proibição das deslocações entre concelhos de 30 de outubro a 3 de novembro. Os sócios do clube vão poder eleger os órgãos sociais para o quadriénio 2020-2024, entre as 8 e as 22 horas, nos 25 locais de voto anunciados em Portugal continental.

  • Como? 

O voto eletrónico nas eleições para os órgãos sociais do clube vai também ser suportado com o um contra voto em papel e os sócios do Benfica vão poder votar em todas as capitais de distrito de Portugal continental. Os sócios residentes nos arquipélagos da Madeira e Açores e no estrangeiro poderão exercer o seu direito de voto através do site, identificando-se pelo seu número de sócio e com o PIN.

  • Onde?

Além de ser possível votar no Pavilhão n.º 2 da Luz, os sócios do Benfica poderão ainda votar nas seguintes Casas do Benfica: Albufeira, Algueirão-Mem Martins, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Grândola, Guarda, Leiria, Montijo, Oliveira de Azeméis, Paredes, Portalegre, Porto, Santarém, Seixal, Viana do Castelo, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Viseu e no Sport Vila Real e Benfica.

As listas e os programas

eleições SLB

Luís Filipe Vieira, de 71 anos, entrou na estrutura do Benfica em 2001, como dirigente, e a 31 de outubro de 2003 foi eleito presidente do clube, vencendo Jaime Antunes e Guerra Madaleno, com 90,47%, e sucedendo a Manuel Vilarinho. Desde então foi sucessivamente reeleito: em 2006 concorreu sem oposição, em 2009 derrotou Bruno Costa Carvalho, em 2012 bateu Rui Rangel e, por último, em 2016, voltou a ser o único candidato.

Na cerimónia de apresentação da sua recandidatura à liderança, o atual presidente afirmou que, no caso de ser reeleito, este será o seu último mandato: “Tenho 71 anos, tenho a quarta classe, não falo inglês. Estou aqui para anunciar que me recandidato à presidência do Benfica e também para dizer que este será o meu último mandato”, rematou.

O presidente do Benfica apresentou o manifesto eleitoral da sua recandidatura, sob o lema “Uma história com futuro”, expondo várias ideias-chave dedicadas a cada área, depois da enumeração das conquistas durante os seus mandatos, salientando que para que o projeto continue a ser aprimorado “é fundamental que Luís Filipe Vieira continue a liderá-lo". O documento afirma ainda que "projetos irresponsáveis assentes meramente em 'sonhos de adepto' não servem para o Benfica”, relembrando ainda que a “ilusão e o amadorismo foram a base da derrocada do Benfica no final do século passado”.

O manifesto – único documento de proposta que faz referência recorrente ao nome do candidato – apresenta os princípios “Missão, Visão e Estratégia”. A sua Missão para o Benfica é “Ganhar”, enquanto a sua visão passa por tornar o clube no “líder nacional com projeção mundial”. Lançando um repto aos adeptos, refere: “Terão de um lado um conjunto de candidatos com muitas críticas e poucas ideias para o futuro, e do outro um presidente com obra feita e novos projetos para os próximos quatro anos”.

A seu favor tem o historial financeiro, acumulando sete anos consecutivos de lucros e arrecadando quase 480 milhões de euros na venda de talentos da formação, para além do sucesso nas modalidades e da equipa de futebol profissional ter obtido sete campeonatos, três Taças de Portugal, sete Taças da Liga e cinco Supertaças Cândido Oliveira durante os seus mandatos, juntando-se ainda duas finais perdidas da Liga Europa.

No entanto, contra tem os sucessivos desaires na Liga dos Campeões neste último mandato, a instabilidade na cadeira do treinador — quatro técnicos no últimos quatro anos, contando com a reta final de Nelson Veríssimo na época passada — e ter vencido apenas dois campeonatos durante esse período, sendo que um dos títulos perdidos foi o que resultaria num histórico ‘pentacampeonato’.

Para além disso, a corrida de Vieira tem-se visto ensombrada por polémicas, a começar os sete processos implicados desde 2015 que mancham a reputação do Benfica, tendo o presidente sido constituído arguido em julho por crimes de fraude fiscal no caso Saco Azul, dois meses antes da acusação de oferta indevida de vantagem na operação Lex, enquanto sugeria estar a abraçar a recandidatura ao último mandato. Para além disso, o atual presidente teve de reformular a comissão de honra de apoio à recandidatura, na qual constavam deputados e autarcas no ativo, com o primeiro-ministro António Costa à cabeça.

A lista liderada por Luís Filipe Vieira integra Rui Costa e assegura a continuidade de José Eduardo Moniz na direção, contando ainda com Jaime Antunes e Rui Vieira do Passo como suplentes. Rui Pereira será candidato a presidente da Mesa da Assembleia Geral e Fernando Fonseca Santos à liderança do Conselho Fiscal. A lista foi subscrita por um número de associados do clube correspondente a 23.344 votos.

Futebol

  • Plantéis adaptados ao calendário desportivo e aos desafios de cada época
  • Gestão de ativos integrada e suportada numa política de empréstimos
  • Recrutamento exigente assente em rendimento imediato ou potencial, tendo presente as lacunas do plantel
  • Continuação do fortalecimento da sustentabilidade económica e estrutural do Benfica para atrair atletas das melhores ligas europeias
  • Áreas de tecnologia, observação e análise e human performance development – desde a área média à nutrição – como base científica da estrutura do futebol profissional e pilares da nova aposta

Formação

  • Continuidade do modelo de sucesso de formação de jovens atletas em todo o país
  • Produzir talento a custos mais baixos, reduzindo necessidades de financiamento e o peso de amortizações, por contraponto à compra de direitos económicos de atletas externos
  • Capacidade de gerar de receitas adicionais com a alienação de direitos económicos de jogadores formados internamente
  • Capacidade de gerar receitas adicionais pela exportação do Modelo de Formação para os mercados alvo
  • Formação como parte integrante dos plantéis principais em todas as modalidades

Modalidades

  • Estratégia desportiva adaptada a cada modalidade por parte dos respetivos responsáveis
  • Continuidade da estratégia desportiva para as 5 grandes modalidades de pavilhão e para o atletismo
  • Continuidade do Projeto Olímpico
  • Continuidade do futebol feminino
  • Equipas seniores masculinas e femininas em todas as modalidades

Governação

  • Preservar a capacidade do Benfica em poder de influenciar positivamente o sucesso do futebol nacional
  • Plano de gestão de carreiras, a política de recrutamento, o plano remuneratório e o plano de desenvolvimento e Avaliação de desempenho como peças estratégicas de identificação, recrutamento, formação e retenção de talento
  • Transformar o Benfica na organização desportiva de maior sucesso em Portugal, no Futebol e nas modalidades, na perspetiva competitiva e na vertente económica.
  • Assegurar sucesso económico e desportivo do clube
  • Disputar todos os títulos em todas as competições em que as equipas seniores do Benfica estejam envolvidas

Finanças

  • Modelo económico como um dos pilares da política de Estratégia Desportiva
  • Maximização das receitas correntes, sem considerar as vendas de direitos económicos de atletas – salvo em função da necessidade de obtenção de resultados positivos.
  • Exercícios económicos sempre com resultados positivos
  • Redução do endividamento e garantir que a dívida não ultrapassa um ano de receitas operacionais
  • Alimentar receitas correntes das tradicionais fontes de proveitos, em particular a quotização, bilhética, merchandising, patrocínios, corporate e direitos televisivos

Património

  • Dar continuidade ao plano de expansão do Benfica Campus com a construção do colégio e com a expansão do número de campos
  • Não permitir a degradação da situação patrimonial do Benfica

Sócios/Estatutos

  • Sócios como verdadeiros donos do Benfica, manutenção da máxima “O Benfica é dos benfiquistas”
  • Manutenção do modelo de clube definido pelos seus fundadores
  • Continuidade da proximidade com os sócios
  • Reforçar o papel das casas do Benfica e torná-las autossustentáveis

Comunicação

  • Defender o Benfica em todas as circunstâncias, sem influência de poderes externos
  • A rádio do Benfica como novo instrumento na transmissão dos valores e da grandeza do Benfica
  • Potenciar a estratégia digital

eleições SLB

É tido como o "outsider" destas eleições, mas João Noronha Lopes até tem um passado no Benfica. O gestor, que foi vice-presidente da direção de Manuel Vilarinho em 2000/2001 e que ajudou a ‘reconstruir’ o Benfica no “pós-Vale e Azevedo”, apresentou a sua candidatura em 23 de julho.

O gestor de 54 anos defende que o “ciclo de Luís Filipe Vieira” terá chegado ao fim e que está na hora de mudar. Além de ter como diretor de comunicação João Querido Manha, ex-diretor do Expresso e do Record, o candidato reuniu fortes representantes do núcleo benfiquista, como o Movimento “Servir o Benfica”, de Francisco Benitez, que inicialmente tencionava também apresentar a sua candidatura e agora integra a Lista B, como presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube.

Com propostas centradas na transparência no Benfica, João Noronha Lopes apresenta o programa “A Glória é agora”, que visa a ambição desportiva, sustentabilidade financeira e os sócios, e procura "uma maior transparência na gestão do clube e das suas empresas”, através da entrega de declaração de rendimentos; implementação de um código de conduta; regras para a prestação de serviços e voto físico obrigatório.

O candidato pretende também limitar os mandatos presidenciais do clube a três, independentemente de serem consecutivos ou alternados, e aplicar limitações semelhantes aos presidentes da mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal.

Em termos financeiros, considera que os resultados operacionais devem ser uma das prioridades e, por isso, sugere “impor um rácio de alavancagem financeira”, por forma a garantir “autonomia e capacidade do Sport Lisboa e Benfica e da SAD para satisfazer os seus compromissos perante terceiros, nomeadamente entidades bancárias e credores obrigacionistas”. Entre as suas sugestões consta ainda a criação da figura de provedor de sócio, de uma comissão de ética e boas práticas e do cargo de diretor de compliance (SAD) – para assegurar o cumprimento das obrigações legais e regulatórias que se aplicam à Benfica SAD. 

Durante a campanha, Noronha Lopes tem criticado a política editorial da Benfica TV – “veículo de informação oficial” do clube – por não cobrir o ato eleitoral. Uma das sugestões apresentadas pela sua proposta, neste sentido, é que os meios de comunicação do clube devem ter participação moderada e imparcial nas eleições internas, entrevistando todos os candidatos.

Da sua lista de candidatos destaca-se Pedro Ribeiro, diretor de programas da Rádio Comercial, e Pedro Adão e Silva, professor e comentador político, como vice-presidentes, e José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, como presidente do Conselho Fiscal.

A lista liderada por João Noronha Lopes aos órgãos sociais foi subscrita por um número de sócios proponentes correspondentes a mais de 25 mil votos.

Recorde aqui a entrevista do SAPO24 a João Noronha Lopes

Futebol

  • Criação de um mecanismo para controlo e limitação do número de jogadores com contrato profissional do Benfica
  • Diretor desportivo com experiência nos mercados internacionais
  • Investimento na área da prospeção para permitir uma melhor identificação do talento, contratar menos, mas melhor.
  • Reforçar e dar mais recursos ao diretor de prospeção
  • Avaliar reforço de investimento e valências do Benfica LAB para melhoria das metodologias de otimização do rendimento desportivo

Formação

  • Mais scouts na formação do que no futebol profissional
  • Manter a formação do Benfica como uma referência a nível mundial, reconhecendo a obra feita
  • Reavaliar a continuidade da equipa de sub-23
  • Escolas de Futebol “Powered By Benfica” – expansão da rede de escolas do clube para o estrangeiro
  • Presença de elemento histórico do clube em todas as equipas técnicas de todos os escalões

Modalidades

  • Harmonização de horários entre as várias modalidades e o futebol profissional
  • Recuperar e impulsionar o râguebi – consolidar o projeto e negociar instalações próprias
  • Futebol feminino – lançamento de um plano de difusão da equipa e integração na Benfica SAD
  • Manutenção do Projeto Olímpico
  • Criação de uma secção de desporto adaptado em parceria com a Fundação Benfica e as Casas do Benfica

Governação

  • Relações transparentes com todos os agentes de futebol, sem exclusividade nem preferência.
  • Modelo de gestão assente em sustentabilidade financeira e competitividade desportiva, que potencie a marca nos mercados internacionais
  • Clube deve ter o controlo efetivo de todas as decisões: Benfica SAD, património imobiliário e conteúdos e acervo histórico com direitos de propriedade
  • Promover uma auditoria externa à gestão do Clube e da Benfica SAD
  • Criação da figura de provedor de sócio, de uma comissão de ética e boas práticas e do cargo de diretor de compliance (SAD)

Finanças

  • Modelo de gestão assente na sustentabilidade financeira e competitividade desportiva
  • Assegurar saldo positivo que permita investimentos da atividade operacional
  • Estabelecer rácio de custos de pessoal e receitas totais em dos limites definidos pela UEFA
  • Impor um rácio de alavancagem financeira que garanta a autonomia e capacidade do clube e da SAD

Património

  • Requalificação e modernização do Estádio da Luz e da zona envolvente;
  • Criação da Fan Zone 2.0 e da Casa do Sócio no complexo da Luz
  • Reinventar a experiência no estádio com tecnologia digital e realidade aumentada
  • Digitalização e divulgação da História do Benfica e uma WikiBenfica
  • Criação de um projeto de investigação sobre a história do clube

Sócios e Estatutos

  • Revisão do Regulamento Geral de 1968
  • Sistema eleitoral de duas voltas em situações em que não haja maioria absoluta
  • Intenção de debater a reformulação estatutária dos escalões de antiguidade para efeitos de voto e condições de elegibilidade para a presidência: Idade mínima de 35 anos e 15 anos de sócio
  • Mandatos limitados a três, consecutivos ou alternados, num período máximo acumulado de 12 anos na presidência do clube.
  • Ofertas de vantagens a sócios que angariem novos associados

Comunicação

  • Negociar com plataforma de streaming para difusão de conteúdos do clube
  • Conteúdos personalizados nas redes sociais dos atletas para alcançar o país de origem
  • Modernização da BTV e distribuição gratuita do jornal “O Benfica” em formato digital
  • Expansão internacional da marca através da digitalização e divulgação de conteúdos
  • Criação do laboratório de inovação e plataforma de conteúdos digitais audiovisuais

eleições SLB

Cara conhecida do universo benfiquista, Rui Gomes da Silva já fez parte da equipa de Luís Filipe Vieira, sendo seu vice-presidente entre 2009 e 2016. No entanto, de colegas passara a duros rivais, com o advogado de 61 a passar a ser uma das mais visíveis faces visível da oposição no clube.

Hoje, apresenta-se como um candidato à presidência do Benfica, tendo revelado um manifesto sob o lema “O Benfica é nosso!”. Aquando da apresentação da sua candidatura, o concorrente salientou a sua intenção de “devolver o clube aos seus verdadeiros donos, os sócios” e defendeu que o seu programa seria capaz de munir o Benfica da capacidade para vencer a Liga dos Campeões e recuperar a hegemonia no futebol português.

Rui Gomes da Silva propõe, a nível de estrutura, a criação do cargo de diretor-geral para o futebol com uma voz ativa nas aquisições do clube. O candidato defende ainda que seja implementado um critério mais rigoroso nas contratações, por forma a contratar menos, mas com mais qualidade.

No que concerne a formação, uma das medidas de maior relevância neste âmbito, passa pela proposta para extinguir a equipa B ou de sub-23. Já no que diz respeito a finanças, pretende tornar o clube sustentável, através de receitas operacionais, e não através da venda de jogadores. Em relação às modalidades, destaca-se também o regresso do ciclismo ao Benfica, a primeira modalidade do clube. Na governação sugere a criação de um Departamento de Auditoria Interna, para trabalhar em conjunto com o Conselho Fiscal da SAD.

No manifesto, Rui Gomes da Silva diz pretender limitar os mandatos para os órgãos sociais do Benfica, através da limitação de dois mandatos consecutivos de quatro anos, sem possibilidade de nova candidatura.

A lista D, que conta com Ricardo Mexia – presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública – como vice-presidente, António Lourenço para a Mesa da Assembleia Geral e João Antunes para o Conselho Fiscal, foi a única a não divulgar o número de sócios subscritores.

Recorde aqui a entrevista do SAPO24 a Rui Gomes da Silva

Futebol

  • Redução do número de jogadores do plantel principal e sob contrato – Benfica voltará a ter plantéis curtos com 20 jogadores de campo e 3 guarda-redes
  • O plantel deve ter sempre um atleta com grande visibilidade no mundo do futebol (uma “estrela”)
  • Formar para reter e não para vender
  • Vendas de atletas estratégicos para o projeto desportivo só serão admitidas em circunstâncias excecionais e sempre pelo valor da cláusula de rescisão e sem pagamentos de intermediação
  • Aumentar e melhorar a rede de scouting a nível mundial - contratar grandes jogadores em potência, ainda a um preço acessível.

Formação

  • Manutenção apenas de uma das equipas - Sub-23 ou B
  • Promover empréstimos de jogadores com elevado potencial a clubes que atuam nas principais ligas europeias e reduzir os empréstimos de jogadores a clubes nacionais
  • Criação de escolas de futebol em mercados estratégicos
  • Os treinadores das equipas de formação poderão ser jovens com valências técnicas e formativas de excelência, mas sempre ajudados por um elemento “com história” no clube
  • Implementação de processo de acompanhamento ativo dos atletas emprestados, de modo a avaliar a sua evolução e a sua capacidade para integrar o plantel principal.

Modalidades

  • Modelo de afetação de recursos às modalidades com base num conjunto de parâmetros (sucesso desportivo, potencial de crescimento, qualidade do projeto)
  • Marcação dos jogos das modalidades em conciliação com os jogos de futebol para aumentar as assistências nos pavilhões
  • Futebol feminino – reforço orçamental, utilização das instalações do Seixal, jogos oficiais no Estádio da Luz
  • Manter a aposta no projeto “Benfica Olímpico” – Trazer para o Benfica atletas de várias modalidades
  • Estudar aprofundadamente a viabilidade do regresso do ciclismo ao Benfica

Governação

  • Alteração do modelo de governação da SAD, de modo a serem incorporadas as recomendações da CMVM e as melhores práticas conhecidas
  • Clube com controlo da SAD
  • Melhorar a transparência na comunicação com os stakeholders do Benfica, essencialmente através da divulgação de todas as comissões pagas em transações
  • Implementação de um departamento de auditoria interna independente para fiscalização
  • Definir regras e limites de atuação de empresários do futebol e criação de uma relação de domínio e não de subserviência

Finanças

  • Sustentabilidade financeira atingida através de receitas operacionais, não através da venda de jogadores
  • Transferir os custos do futebol de formação e do futebol feminino do clube para a SAD
  • Avaliação do contrato com o parceiro NOS
  • Avaliar a possibilidade de criação de uma marca própria para os equipamentos desportivos
  • Financiamento da SAD através de instrumentos inovadores com remuneração indexada ao desempenho desportivo

Património

  • Reavaliação da viabilidade dos projetos imobiliários que estão atualmente projetados, tendo sempre em mente que o principal objetivo do Benfica é o sucesso desportivo
  • Avaliar a construção do centro de alto rendimento para as modalidades
  • Alteração da imagem exterior e do espaço circundante do estádio e criação de uma storyline do clube para os corredores interior do estádio
  • Revisão do modelo de gestão do museu e criação de um comité da história do clube

Sócios e estatutos

  • Sistema eleitoral de duas voltas em situações em que não haja maioria absoluta
  • Ajustamento do número de votos consoante a antiguidade: 1 voto por ano de sócio
  • Possibilidade de voto eletrónico com a presença do sócio no local de voto, depois de a identidade deste ser adequadamente validada, através do cartão de cidadão.
  • Implementar na marca um sistema de fidelização de sócios
  • Condições de elegibilidade para a presidência: Idade mínima de 35 anos e 15 anos de sócio efetivo e mandatos limitados a dois consecutivos, de quatro anos

Comunicação

  • Melhorar a comunicação da SAD, aumentando a clareza da informação das grandes opções estratégicas e das medidas económico-financeiras
  • Criação da BTV2 gratuita e com conteúdos relativos às modalidades e escalões de formação
  • Criação de plataforma de streaming e criação de conteúdos para o YouTube
  • Centralização da comunicação presencial institucional nos órgãos sociais
  • Redes sociais como meio de comunicação privilegiado

Uma candidatura retirada na 11ª hora

A um dia das eleições decorrerem, quando tudo parecia fechado e pronto para seguir para as urnas, novo volta-face incidiu sobre o universo encarnado.

Hoje, o representante do Movimento “Todos P'lo Benfica”, Bruno Costa Caravalho, anunciou a desistência da Lista C na corrida eleitoral devido às circunstâncias impostas à sua lista e ao ato eleitoral e “principalmente, os interesses maiores do Sport Lisboa e Benfica”, que obrigaram a interromper o projeto, apesar da convicção de que seria “aquele que melhor acautela o futuro do Benfica”.

Sendo candidato original pela Lista C, o empresário anunciou a 26 de maio a sua candidatura e, apesar do parecer negativo da Assembleia – uma vez que os estatutos alterados em 2010 obrigam a 25 anos de sócio efetivo (após maioridade) – e sob o risco de ver a sua candidatura chumbada uma segunda vez, Bruno Costa Carvalho prosseguiu com a sua a campanha, argumentando que já tinha ido a sufrágio em 2009 (no qual perdeu frente a Luís Filipe Vieira).

Foi exatamente isso que aconteceu no momento em que foi formalmente apresentada a lista. Assim, a solução para manter o processo acabou por passar pela troca do cabeça de lista da candidatura, pelo que a liderança da lista do movimento “Todos P’lo Benfica” foi assumida por Luís Miguel David, que apresentava as condições estatutárias exigidas pelo Benfica. De resto, Bruno Filipe Costa candidatava-se como vogal efetivo do Conselho Fiscal, José Barão das Neves para a presidência da Mesa da Assembleia-Geral e Bernardo Crespo para vice-presidente da direção.

Os entraves sucessivos, porém, ditaram a saída de cena de uma lista que tinha por missão tornar o Benfica num "super clube europeu", com fãs em todo o mundo e disputar a Liga dos Campeões e prometia um acordo com o sueco Sven-Goran Eriksson, antigo treinador das ‘águias’ em duas fases distintas (1982-1984 e 1989-1992), para diretor desportivo. Para além disso, almejava robustez financeira para adquirir jogadores de elite, o regresso do ciclismo, a criação de um Departamento de Mística e a abertura de uma delegação da BTV na região norte.

A desistência de lista C, porém, não antecede nenhum apoio aos outros candidatos, pelo menos a nível formal. Na sua comunicação, Bruno Costa Carvalho reiterou ainda que o movimento sempre defendeu publicamente a “necessidade da existência de uma lista única de alternativa à atual Direção, mas tal não se revelou possível por manifesta falta de vontade e de humildade de outras candidaturas”.

Programas integrais:

Pesquisa e texto por Marta Mixão.

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