“A taxa de absorção das vacinas disponíveis pelo continente continua a ser uma grande preocupação, e por isso sublinho, devemos garantir que o continente tem o tempo suficiente para consumir as vacinas que chegaram e garantir que o segundo trimestre é usado para expandir o programa de vacinação”, afirmou o diretor do África CDC durante a habitual conferência de imprensa semanal a partir de Adis Abeba, a sede do organismo da União Africana (UA).

“Isto não significa apelar aos doadores que interrompam o fornecimento de vacinas”, sublinhou Nkengasong, acrescentando que “se as doações não respeitarem um esforço de coordenação, isso constituirá um desafio importante para o continente”.

O responsável defendeu que é preciso “olhar para as taxas de absorção das vacinas disponíveis, cerca de 300 milhões no primeiro trimestre” e que “faz sentido uma pausa nesta fase”.

“Mais uma vez, não estamos a falar de parar, mas de coordenar connosco os fluxos de doação”, reiterou, referindo que “o segundo trimestre deve ser o da expansão das campanhas de vacinação e de garantir que as vacinas disponíveis são ministradas”.

Interrogado sobre as eventuais consequências do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, Nkengasong considerou que “os conflitos distraem sempre ou desviam a atenção sobre as questões de saúde”, mas sublinhou que “o maior desafio sanitário” que o continente enfrenta é o da “concertação, solidariedade e cooperação” para resolver o problema da pandemia de covid-19, “especialmente em 2022”.

O conflito na Ucrânia “irá chamar a atenção política para essa crise” e as suas consequências “podem não só ser a guerra”, mas também a saúde, reforçou.

O diretor do África CDC apontou o segundo trimestre deste ano como o da “expansão das campanhas de vacinação”, sublinhando a necessidade de o continente “garantir que as vacinas disponíveis são ministradas”.

Neste sentido, Nkengasong anunciou que o organismo que dirige está a preparar uma campanha de vacinação a ser levada a cabo por jovens. A iniciativa assenta na realidade demográfica do continente, cuja população abaixo dos 30 anos é superior a 70% do total de 1,3 mil milhões habitantes.

“Para alcançarmos com sucesso o objetivo de vacinarmos pelo menos 70% da população do continente até ao final deste ano, este grupo etário tem de ser envolvido de forma decidida”, afirmou Nkengasong.

O continente recebeu até hoje um total de 676 milhões de doses de vacinas anti-covid-19, 411 milhões de quais foram ministradas, correspondendo a 61% do total das vacinas recebidas pelo continente, o que permitiu uma cobertura da população totalmente vacinada na ordem de 12,3%.

Um conjunto de 14 países regista taxas de vacinação acima de 40% das respetivas populações elegíveis, designadamente África do Sul (41%); Tunísia (56%); Egito (41%); Ruanda (85%); Botsuana (59%); Marrocos (quase 100%, incluindo vacinas de reforço); Seicheles (cerca de 100%, incluindo vacinas de reforço); Cabo Verde (73%); Comores (59%); Lesoto (50%); Maurícias (89%); Moçambique (48%) e São Tomé e Príncipe (45%).

“Queremos sublinhar estes dados, porque, se a média de vacinação completa da população do continente está nos 12%, há um grupo de países que regista muito bons progressos”, sublinhou o diretor do África CDC.

Um total de 11,1 milhões de casos de infeção foram oficialmente reportados desde o início da pandemia em África em março de 2020, dos quais 247 mil resultaram em óbitos associados à doença.

A taxa de mortalidade no continente é de 2,2%, mas varia de país para país, sublinhou o diretor do África CDC. Um grupo de 33 dos 55 estados-membros da União Africana reportam uma taxa de mortalidade na ordem dos 1,4%.

Nove países estão atualmente a atravessar uma quinta vaga de contágios, sendo que em seis destes nove é particularmente severa. Argélia, Benim, Egito, Guiné-Bissau, Quénia, Maurícias, República do Congo, Somália e Tunísia são os países em causa.

Um conjunto de 43 países reportou a presença da variante Ómicron, mais três do que na semana passada.

Desde novembro de 2021, nove países membros reportaram a presença de uma subvariante da Ómicron: Botsuana, Quénia, Maláui, Maurícias, Ruanda, Senegal, Moçambique, África do Sul e Zâmbia.

Entre a semana passada e esta semana, foram registados 84 mil novos casos de infeção em todo o continente, o que representa uma média inferior de contágios na ordem dos 17% por comparação com a semana anterior. A maior proporção de novos casos foi registada na região norte do continente (68%); seguida pela África Austral (25%), África Oriental (4%), África Ocidental (2%) e África Central (1%).

Foram registadas 2.800 mortes nos últimos sete dias até esta terça-feira, número que compara com 2.600 mortes na semana anterior, representando um aumento médio de 7%.

No período de 4 semanas, entre 24 de janeiro e 20 de fevereiro, foi registada uma descida média no número de novas infeções em todo continente, distribuída da seguinte forma: -41% na África Central; -28% na África Ocidental; -25% na África Oriental; -21% na África do Norte, e -14% na África Austral.

“Pela primeira vez observamos uma descida consistente em todas as cinco regiões do continente”, sublinhou Nkengasong.

No mesmo período foi registado um aumento médio de 5% do número de mortes associadas à covid-19 em todo o continente, muito por efeito da subida desse número na África do Sul (22%) e Egito (17%).

Os números relacionados com a testagem “estagnaram”. O continente efetuou até agora 98,7 milhões de testes, 951 mil dos quais na última semana, o que representa uma descida de 9% relativamente à semana anterior.

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