
"Apenas 27,3% possuem um plano preventivo para enfrentar dificuldades financeiras, geralmente baseado na poupança gerada através de depósitos na conta à ordem (58,1%), contas a prazo ou poupança (24,9%) e dinheiro guardado em casa (9,3%)", pode ler-se no Inquérito de Diagnóstico Local à Literacia Financeira da população residente no concelho do Porto 2025, promovido pelo município e apresentado hoje.
Segundo o documento, no último ano 22,4% dos inquiridos "admitiram ter enfrentado momentos em que o rendimento disponível foi insuficiente para cobrir as despesas", e "nestes casos, os principais mecanismos de compensação utilizados consistiram no recurso a empréstimos informais junto de pessoas próximas e no incumprimento no pagamento de contas, ambos representando 35,7%".
"No caso da perda da principal fonte de rendimento, 48,8% dos inquiridos afirmam que conseguiriam cobrir as despesas do agregado durante pelo menos três meses. Em contrapartida, 44,9% consideram que não conseguiriam manter a autonomia durante tanto tempo, e 12,3% estimam que a sua capacidade financeira não chegaria a um mês", refere o documento.
Para realizar o inquérito, foram realizadas 751 entrevistas válidas, em formato presencial, durante novembro e dezembro de 2024.
Quanto à poupança, "14,4% dos inquiridos reservam uma pequena percentagem do rendimento mensal, 13,6% envolvem toda a família na gestão financeira e 10,1% possuem um fundo próprio para fazer face a situações imprevistas", sendo que no último ano "56,1% dos entrevistados conseguiram guardar dinheiro" em contas à ordem (78,9%), em casa (24,5%) e em depósitos a prazo (24,2%)".
No planeamento para a reforma, "62,6% dos entrevistados já fizeram ou ponderam fazê-lo" mas com confiança "moderada", já que "apenas 43,6% consideram-se moderadamente confiantes e 37,0% revelam pouca confiança", pretendendo a maioria dos entrevistados (90,4%) "financiar a reforma através dos descontos para a segurança social ou outros regimes contributivos obrigatórios, enquanto 43,8% planeiam utilizar as suas poupanças e 23,7% preveem continuar a trabalhar".
Quanto à sua situação financeira atual, "49,7% dos entrevistados declaram-se insatisfeitos, 35,2% adotam uma posição neutra e apenas 14,6% afirmam estar satisfeitos" com o seu rendimento.
Sobre produtos financeiros, "a grande maioria dos entrevistados (94,9%) referiu possuir uma conta depósito à ordem", seguindo-se "o seguro automóvel (41,1%), o cartão de crédito (39,5%) e a conta depósito a prazo (36,4%)".
Quanto à gestão de ativos financeiros, "47,4% dos detentores conhecem o seu valor, de forma total (28,7%) ou parcial (18,7%)" e "67,1% acompanham com frequência a evolução da sua rentabilidade".
Quase 82% dos inquiridos afirmaram estar cientes da existência de fraudes financeiras, mas "apenas 18,6% afirmam conhecer diretamente uma vítima" e "apenas 9,9% possuem um plano específico para se protegerem".
"Mais de metade dos entrevistados consideram possuir conhecimentos financeiros moderados ou medianos (56,7%), enquanto 41,1% admitem ter pouca ou nenhuma familiaridade com o tema", aponta.
No âmbito do estudo, "os entrevistados responderam a sete questões sobre literacia financeira, alcançando uma média de 4,14 respostas corretas", e "apenas 7,7% dos inquiridos acertaram todas as questões".
"De forma geral, os resultados indicam que a compreensão financeira melhora com níveis mais altos de escolaridade", aponta o estudo, que também revela que "no planeamento do orçamento familiar e da poupança, bem como na escolha e gestão de produtos financeiros, os resultados da população residente no Município do Porto estão, em geral, alinhados com os obtidos a nível nacional em 2023".
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