Embora se tenha mostrado confiante de que será possível “superar” a vaga de casos sem um confinamento ou novas medidas de contenção, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, admitiu que as próximas semanas “vão ser difíceis” e que a luta contra a covid-19 está longe de estar terminada.

Estando o Reino Unido numa fase mais adiantada, as conclusões britânicas podem dar pistas a Portugal para o que aqui está e o que aí vem.

Vacinação reduz risco de hospitalização

Até 90% das pessoas internadas em cuidados intensivos com covid-19 não receberam uma dose de reforço e até 60% não receberam qualquer vacina. "As pessoas estão a morrer desnecessariamente porque não receberam as vacinas e não receberam o reforço”, disse Boris Johnson. O Reino Unido ofereceu uma terceira dose a todos os adultos até ao final de dezembro, mas quase nove milhões de pessoas elegíveis ainda não a tomaram. Atualmente, 59,8% da população britânica com mais de 12 anos já recebeu a vacinação de reforço.

Doses de reforço são importantes

O diretor geral de Saúde de Inglaterra, Chris Witty, disse que as doses de reforço oferecem proteção adicional. “Temos confiança de que o reforço fornece 88% [de proteção] em geral contra a hospitalização, e é provável que seja ainda maior para sintomas graves e mortalidade”, acrescentou.

Embora os dados ainda estejam a ser analisados, Witty manifestou-se "confiante de que [o reforço] também vai levar à redução de pessoas contraem covid-19 e, consequentemente, que transmitem a doença".

Boris Johnson lembrou que alguns países já exigem aos turistas três doses para considerarem a vacinação contra a covid-19 completa, e que “é provável que, dentro de semanas, isto se torne cada vez mais a regra” em mais partes do mundo.

Variante menos perigosa

Dados da África do Sul e de outros países, incluindo o Reino Unido, indicam que a variante Ómicron tem uma taxa mais baixa de hospitalização do que as variantes anteriores. “Mas mais baixa não quer dizer que não existem hospitalizações, os números são significativos”, avisou Witty. Atualmente estão internadas com covid-19 no reino Unido cerca de 15.000 pessoas, contra cerca de 6.000 há apenas três semanas. Na vaga da variante Delta, em janeiro de 2020, ficou pouco aquém dos 40.000.

A “boa notícia” é que, até agora, o Reino Unido não registou um disparo no número de mortes equivalente ao aumento exponencial de casos de contágio.

Melhorias, mas ainda não chegou ao pico

O diretor geral de Saúde de Inglaterra, Chris Witty, disse estar a registar-se "alguma desaceleração” no número de infeções, sobretudo de jovens adultos, com uma tendência para estabilizar ou queda em Londres, o epicentro da vaga de Ómicron no Reino Unido. No entanto, avisou que estes números ainda não têm em conta o impacto dos ajuntamentos da passagem de ano e vincou que as infeções nas faixas etárias mais velhas ainda estão a crescer.

O epidemiologista da universidade Imperial College London, Neil Ferguson, disse hoje à BBC que as infeções têm afetado sobretudo o grupo dos 18 aos 50 anos. Embora "cautelosamente otimista” de que terão estabilizado, vincou que "é muito cedo para dizer se já estão a descer”. Avisou também que, porque a variante chegou mais tarde aos maiores de 50 anos, que são mais vulneráveis a complicações da doença, os números de hospitalizações ainda poderão continuar a aumentar no Reino Unido, embora abaixo dos valores da vaga anterior, em janeiro do ano passado.

“Não sabemos quando é que o pico vai acontecer, nem quão grande vai ser. Mas precisamos de vê-lo acontecer em todos os grupos etários”, salientou o assessor científico do Governo, Patrick Vallance.

Variante Ómicron sujeita a reinfeções

As autoridades britânicas não disponibilizam informação sobre reinfecções, mas o epidemiologista Neil Ferguson disse à BBC que até 15% dos casos de Ómicron são reinfecções. "Os dados que analisámos incluem reinfecções. Entre 10 e 15% dos casos Ómicron são reinfecções”, adiantou.

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