Entre folares e os mais variados bolos, ninguém imagina a Páscoa sem a presença de ovos nas mais variadas receitas — mas os preços têm aumentado nos últimos anos.

Nos Estados Unidos, os supermercados Walmart estão mesmo a retirar os ovos das propostas de cestos alimentares para a época festiva que se avizinha.

Segundo o Quartz, o retalhista diz que a sua refeição para a Páscoa de 2025 é mais barata do que a do ano passado — mas não inclui alimentos essenciais como os ovos, leite ou manteiga.

Contudo, é preciso olhar para as contas. A proposta de 2024 incluía 15 artigos — até ovos —, e dava para 10 pessoas, com um custo total inferior a 80 dólares, ou seja, menos de 8 dólares por pessoa. Este ano, o cabaz tem apenas nove itens e custa menos de 6 dólares por pessoas, num total de menos de 40 dólares.

Em declarações à Reuters, Tricia Moriarty, porta-voz da Walmart, explicou que a decisão surge para se incluir apenas os principais itens encontrados numa refeição de Páscoa, excluindo itens básicos que as pessoas já têm na despensa.

Ovos caros? Alugar ou comprar galinhas

Desde o final de 2022, o preço dos ovos nos EUA tem vindo a aumentar de forma constante, impulsionado por um surto de gripe aviária que resultou no abate de mais de 100 milhões de galinhas poedeiras.

De acordo com dados oficiais, o preço dos ovos atingiu o pico pela primeira vez em janeiro de 2023, na administração do democrata Joe Biden (2021-2025), mas foi em fevereiro deste ano, na administração do republicano Donald Trump, que bateu todos os recordes, atingindo os 5,89 dólares.

No entanto, o portal Trading Economics (que já oferece dados de março) afirma que no início deste mês uma dúzia custava em média mais de 8 dólares.

Trump, que tomou posse em janeiro, criticou repetidamente o seu antecessor, culpando-o por lhe ter passado o problema.

Embora o Departamento de Agricultura garanta que o preço está agora num nível mais normal, cerca de 3 dólares, estas alterações, os limites de compra impostos por alguns supermercados e o facto de muitas vezes não estarem disponíveis nas prateleiras das lojas levaram os cidadãos a procurar soluções.

Assim, nos últimos anos, alguns norte-americanos optaram por procurar alternativas a estas flutuações de preços, como alugar ou ter as suas próprias galinhas.

A Rent the Chicken, uma empresa fundada em 2013 nos arredores de Pittsburgh, na Pensilvânia, oferece aos seus clientes a opção de alugar duas a quatro aves para as suas casas, para que possam ter ovos frescos todos os dias, ou seja, sem sofrer com as alterações de preço.

Devido à escassez de ovos, americanos criam galinhas em casa
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Jenn Tompkins, cofundadora da empresa, garantiu à agência Efe que se notou um aumento do número de clientes nos últimos meses.

"Os ovos frescos têm menos colesterol do que os ovos comprados em lojas. Mas as galinhas também funcionam como terapia. Podem ajudar a interagir com os vizinhos quando saem para o quintal, e afastam as crianças dos ecrãs ao ensiná-las a cuidar de um animal", apontou.

A empresa oferece os seus serviços em 35 grandes mercados do país e em vários outros do Canadá, embora, com o avanço da tecnologia, nas últimas semanas o negócio tenha expandido ainda mais.

São mais populares em Pittsburgh, Connecticut e Toronto (Canadá) e, embora possam ser uma boa opção para quem vive nas grandes cidades, onde a vida é tradicionalmente mais cara, lamenta que não sejam uma boa alternativa para quem vive em apartamentos.

Portugal pode exportar ou também faltam ovos?

Devido à falta de ovos, os EUA têm pedido mais exportações a países como o Brasil, mas também à Europa.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) disse à Lusa que a capacidade produtiva do país é de 104%, o que significa que Portugal tem uma pequena margem para exportação, tirando a percentagem que corresponde ao consumo interno.

Portugal chegou a ter uma capacidade produtiva que rondava os 115%, mas o aumento do consumo ditou a sua descida.

Por outro lado, conforme destacou o secretário-geral da CAP, Luís Mira, os norte-americanos consomem ovos brancos, enquanto na Europa são sobretudo os castanhos. As diferentes cores estão relacionadas com as raças das galinhas usadas para produzir.

Quanto ao preço, em Portugal a meia dúzia de ovos subiu quase 80% entre janeiro de 2022 e março de 2025, passando de 1,14 para 2,05 euros, sendo que este ano já encareceu perto de 30%, segundo dados da DECO.

Só entre 1 de janeiro e 26 de março deste ano, o valor de meia dúzia de ovos aumentou de 1,61 euros para 2,05 euros, ou seja, 27%, sendo que ficou praticamente estável (entre 1,61 euros e 1,62 euros) desde o início do ano até 5 de março.

Já a partir de 12 de março, houve um acréscimo para 1,70 euros, até ao máximo de 2,05 euros contabilizado na quarta-feira.

Por sua vez, no ano passado, a meia dúzia de ovos custou mais sete cêntimos, passando de 1,54 euros para 1,61 euros, e em 2023, o preço dos ovos desceu seis cêntimos, de 1,59 euros para 1,53 euros.

Contudo, em parte deste período, de 18 de abril de 2023 a 4 de janeiro de 2024, esteve em vigor a medida IVA zero, que surgiu na sequência de um acordo entre o Governo, a produção e a distribuição e incluiu os ovos de galinha, para combater o impacto da inflação no rendimento das famílias.

De acordo com os dados recolhidos pela DECO, a associação para a defesa do consumidor, em 2022, o agravamento do preço da meia dúzia de ovos ultrapassou os 40%: em 5 de janeiro de 2022, meia dúzia de ovos custava 1,14 euros, sendo que em 28 de dezembro já estava nos 1,60 euros.