A imagem de grandes autocarros de turismo a circular em linhas urbanas ao serviço da STCP causou estranheza. Para reforçar a oferta, a operadora de transportes da Área Metropolitana do Porto (AMP) subcontratou serviços a empresas privadas. Só que algumas dessas transportadoras puseram viaturas inacessíveis a quem tenha mobilidade reduzida.

Em causa estão quatro autocarros usados pela Auto-Viação Pacense e pela Transdev para o reforço da oferta de autocarros na AMP, aos dias úteis, que arrancou esta semana. A Transdev pôs ao serviço da STCP viaturas Irizar, de 15 metros, usadas normalmente em percursos de longo curso e expresso via autoestrada. A Auto-Viação Pacense, trouxe autocarros de 12 e 15 metros. Comuns a ambas as ofertas das operadoras são os vários degraus necessários para entrar e sair, o que impede o acesso a cadeiras de rodas e dificulta a entrada de carrinhos de bebé, por exemplo.

A STCP reconhece que “estas viaturas apresentam desconforto na entrada e saída de passageiros face às atuais da STCP, que são urbanas, mas mais conforto durante a viagem”, mas salienta que “dos 26 autocarros contratados para a operação aos dias úteis, apenas estão em serviço quatro viaturas turísticas, tendo a linha 604 um destes veículos dos seis que afetou à linha e as linhas 706 e 707 assumem os três veículos necessários como turísticos.”

A linha 604, por exemplo, liga o Hospital de São João, no Porto, ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, passando pela Maia. Já as linhas 706 e 707 ligam esta unidade hospitalar a Ermesinde, por vias diferentes. Em comum está o facto de atravessarem áreas mais rurais e com população idosa.

“Dada a quantidade de viaturas envolvidas neste processo de reforço de oferta, verificou-se a possibilidade de em algumas situações pontuais ter que aceitar viaturas turísticas ou suburbanas. Tratou-se de situações pontuais para linhas em que há registo na STCP de mais baixa procura”, garante a empresa.

Esta subcontratação, diz a STCP, permite reforços das linhas onde nas horas de ponta há dificuldade em respeitar a lotação de dois terços, atualmente exigida por regras de segurança sanitária. "Assim, foram objeto de aumento da frequência as linhas 200, 201, 203, 204, 205, 207, 208, 305, 703, 800, 801 e 907".

Ao SAPO24, fonte oficial da empresa diz que “a STCP está a acompanhar cuidadosamente todo esta operação e, ciente do algum desconforto que estas quatro viaturas turísticas apresentam na entrada e saída de passageiros, está junto dos operadores a tentar verificar a possibilidade de troca de alguma destas viaturas, com validação da AMP para que se desenrole este processo”.

Assim, “admite-se que a até ao final desta semana seja possível substituir estas viaturas por viaturas suburbanas, que têm também degraus, mas muito mais fáceis de aceder, por serem mais baixos e largos. Pontualmente não poderá ser garantido que não possa haver algumas viagens ainda durante este período com autocarros turísticos, por indisponibilidade de outras viaturas”.

Tendo em conta as características do reforço, a STCP admite que não foi tida em conta a necessidade de adequar as viaturas a pessoas com mobilidade reduzida “pela dificuldade de garantir este reforço de oferta, a que as exigências sanitárias atuais obrigam (…) .Trata-se, pois, de uma conjuntura excecional de duração temporal bem limitada.”

“A primeira fase desta contratação prevê-se que ocorra até ao dia 23 de junho, sendo depois retomada em setembro/outubro”, acrescenta a empresa. “Esta operação surge no âmbito de Financiamento atribuído através do protocolo formalizado entre a AMP - Área Metropolitana do Porto e o Fundo Ambiental, Ministério do Ambiente e Ação Climática (Despacho n.º 10846-A/2020).”

“Este reforço conta com uma primeira fase antes das férias escolares de verão, sendo retomado em setembro/outubro, e deverá ter término até ao final de 2021, sendo o valor máximo de financiamento a considerar 750 mil euros”.

Apesar das dimensões, “os autocarros contratados cumprem todas as normas ambientais em vigor”, garante a STCP, cujo parque próprio inclui modelos a gás natural e elétricos.

STCP aumentou a oferta face a procura crescente

A operadora dos autocarros na AMP tem registado um "aumento considerável" no número de passageiros diários, situação que atribui chamado “regresso à normalidade” e à consequente retoma das diversas atividades económicas.

"Nesse sentido, e de modo a assegurar a manutenção das condições sanitárias implementadas pela empresa para esta fase de situação pandémica e garantindo a máxima segurança de todos os viajantes: passageiros e motoristas, a STCP vai alargar a oferta, em modo autocarro".

Desde o dia 24 de maio, foram reforçadas 12 linhas de autocarro. "Este reforço transitório, que foi acordado para um período mínimo de 70 dias úteis, está previsto apenas para os dias úteis dos horários “normais”, sendo o período em que se verificam lotações de passageiros que justificam necessidade de maior oferta. Aos fins de semana e nos horários de férias escolares estes reforços não se aplicam", dizia a empresa, no comunicado onde anunciava o reforço.

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