Em 1997 um grupo de surfistas portugueses, que competiam nos campeonatos nacionais, então organizados pela Federação Portuguesa de Surf (FPS), “estava descontente” com a forma como a estrutura máxima comandava os destinos do desporto e “com a pouca atenção que os campeonatos tinham”, recorda João Aranha, atual presidente da FPS.

“Agarramos na frase “sem palhaço não há circo” e fizemos aquilo, cujo o termo não gosto, que foi uma greve que ficou conhecida pela greve de Espinho. E que está na génese da ANS (Associação Nacional de Surfistas)”, relembrou.

Os campeonatos foram interrompidos, em 1988, e durante “uns anos geríamos um campeonato sem título nacional – que pertencia à Federação – e tínhamos um circuito oficial”, explicou João Aranha, relembrando este período conturbado do surf português que levaria à criação de um contrato de concessão (2002) com a ANS e em que esta viria a ser “responsável pelo circuito nacional onde se atribui o título” e em que ambos cabem “dentro da Federação”, explicou.

“Recorda-se do Caso Saltillo, no futebol?”, questiona José Gregório, antigo campeão nacional de surf português. “Pois bem, o surf diria que teve um. Há 20 anos”, sublinhou em declarações ao SAPO 24.

“Levou à criação de um manifesto com 17 pontos e que tinham as exigências dos surfistas”, relembrou.

Do Sindicato à Liga Profissional. O papel da Associação Nacional de Surfistas

Neste recuo de 20 anos, José Gregório, apesar de reconhecer as “reuniões quentes tidas”, fez questão de frisar que “no global, os surfistas estavam unidos para melhorar o surf em Portugal, e isso aconteceu”, disse num testemunho na página de Facebook da ANS.

Bruno Charneca, ex-campeão nacional e primeiro presidente da Associação Nacional de Surfistas, recordou as motivações iniciais, com uma frase então proferida: “Esta é a nossa vida, o que me interessa é ser remunerado e que o nosso nível de surf suba. A nossa geração não, por já ser tarde, mas a próxima, daqui a 4 ou 5 anos, tem de estar preparada para o WQS”.

Olhando para o papel da ANS no surf nacional, João Capucho, ex-presidente da instituição, explica que esta “nasceu e começou por ser um sindicato dos surfistas e que passou a ser a Liga Profissional dos surfistas” e que a ANS é hoje “no fundo, um parceiro especializado da Federação Portuguesa de Surf”.

Por último, por ocasião dos 20 anos da ANS, David Raimundo, ex-vice-campeão nacional e ex-presidente da associação espera que “nos próximos anos continue a dar aos surfistas nacionais as melhores condições possíveis para que eles possam estar mais bem preparados e com uma almofada financeira que lhes permita dar maiores voos internacionais”.

20 anos da ANS celebrados na etapa da Praia Grande da Liga MEO Surf

A 9 de julho de 1997 foi celebrada a escritura de fundação da Associação Nacional de Surfistas. Hoje, dia 15 de julho, durante a etapa da Liga MEO, que decorre na Praia Grande, Sintra, a ANS decidiu revistar os 20 anos de história convidando para o Allianz Sintra Pro algumas das figuras que fizeram a história do surf nacional.

“Tem sido um longo percurso. Endereçamos uma série de convites a personalidades que atualmente não competem e que foram determinantes neste caminho”, explicou Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas.

Os campeões nacionais, José Gregório, João Antunes, Joana Rocha ou Francisca Santos (2007), antigos presidentes da ANS, David Raimundo e João Capucho e personalidades como Luís Cassiano Neves (consultor jurídico nas negociações ANS – FPS) e Pedro Monteiro (consultor nas primeiras negociações ANS – FPS), estão entre as figuras convidadas para entrar na água.

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