Numa altura na qual a Europa quer reduzir a dependência de gás liquefeito face à Rússia surgem novas alternativas, neste caso, a partir de Sines.

"Na segurança energética, para mencionar um tópico geopolítico vital, Portugal tem a geografia do seu lado, com uma vasta área marítima e o Porto de Sines como um 'hub' euro-atlântico crucial para o fornecimento de gás e de energia (..)”, já dizia o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que vê em Portugal um “beneficiário líquido” da guerra na Ucrânia.

Marcelo apontou aquilo que já se vai tornando o cenário mais provável: o acordo internacional para que Portugal seja um fornecedor de gás liquefeito de países dependentes do gás russo, através de Sines.

O plano seria o porto de Sines receber o gás proveniente dos Estados Unidos e a transferi-lo, através de navios mais pequenos, para outros países, escreve o jornal Público nesta edição de sexta-feira.

Todavia, os parceiros privilegiados do Governo neste projecto são, neste momento, a Alemanha e a Polónia, este último país onde está agora o primeiro-ministro António Costa. Também haverá um encontro, posterior, entre Costa e o chanceler alemão Olaf Scjolz em Hanôver.

O Público avança que “o estudo técnico está completo” e que há “uma solução viável” para a distribuição a partir de Sines, que está numa posição geográfica central no Atlântico” — o que facilitaria a importação de gás natural liquefeito dos Estados Unidos, nomeadamente, entre outros países.

Para além disso “os portos do Norte da Europa estão muito congestionados e acomodar um número grande de navios de maior capacidade é um risco”.

Plano de Recuperação e Resiliência e o PT2030 serão fundos vitais para o financiamento do projeto de abastecimento a partir do porto de Sines.

Costa salienta que Portugal pode contribuir para autonomia energética europeia

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje em Varsóvia que Portugal esta em condições de contribuir para a autonomia energética da Europa, libertando-a da atual dependência do gás russo, através de fornecimento de gás e hidrogénio.

Esta posição sobre a estratégia energética da União Europeia foi transmitida por António Costa em Varsóvia, durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homologo polaco, Mateusz Morawiecki.

Logo no início da conferência de imprensa, Mateusz Morawiecki rejeitou a ideia de Estados-membros da União Europeia continuarem a comprar gás e petróleo à Rússia e, a seguir, António Costa elogiou esse esforço que o Governo de Varsóvia está a fazer para assegurar a sua autonomia energética.

“Portugal é desde há muito tempo defensor da urgência de assegurar a transição energética baseada em renováveis. Temos condições para contribuir de uma forma duradoura para a autonomia energética da Europa”, sustentou, antes de falar nas potencialidades do porto de Sines ao nível do abastecimento de gás e hidrogénio.

O primeiro-ministro salientou que a questão da energia foi uma das principais em análise nas conversações que manteve esta manhã com o seu homólogo polaco.

Como solução, em concreto, os dois primeiros-ministros consideraram viável a ideia de esse abastecimento energético aos países da Europa de leste ser feita a partir do porto de Sines, com o líder do executivo polaco a salientar a capacidade logística dos terminais portuários do seu país em termos de receção e descarga.

Neste ponto, classificou como prioritário o investimento nas interconexões entre a Península Ibérica e o resto da Europa, não só para abastecimento do gás natural proveniente dos Estados Unidos e da Nigéria, mas também, no futuro, para a capacidade nacional de produção de hidrogénio verde, “a baixo custo, beneficiando da facilidade em produção de energia solar”.

“Precisamos de respostas imediatas: Estamos a discutir com o Governo polaco, assim como com outros governos europeus, a possibilidade de utilizar o porto de Sines como uma plataforma de transferência a partir de grandes navios metaneiros para outros de média e pequena dimensões. Esses navios mais pequenos terão melhores condições para operar nas zonas mais congestionadas do mar do Norte e do Báltico”, especificou o primeiro-ministro português.

António Costa manifestou depois “total apoio” ao esforço do Governo polaco para assegurar a sua autonomia energética e para a transição energética “para um mundo mais sustentável”.

(Artigo atualizado às 11:33)

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