Todas as grandes cenas musicais começaram por ser locais. A bossa nova que, por exemplo, partiu das praias e dos bairros ricos do Rio de Janeiro para o mundo, hoje adorna dezenas de compilações com as palavras “chill out”. Os dois géneros mais influentes dentro da música eletrónica de dança, o house e o techno, tiveram os seus inícios em Chicago e em Detroit, respetivamente – para não falar do acid, que de Ibiza foi para Manchester e depois para o demais globo terrestre. O punk teve inclusive direito a duas casas: Nova Iorque e Londres, antes de toda uma juventude sónica desatar a pregar a verdade que existe em três acordes apenas. E há o hip-hop, nascido também em Nova Iorque, hoje uma língua global.

O grunge não foi um caso distinto. Bruce Pavitt, o homem que idealizou a Sub Pop, sabia bem que a música começa por ter uma génese geográfica, antes de – com sorte – partir à descoberta de outros povos. Uma das suas maiores inspirações, a Motown, começou por nascer em Detroit antes de marcar, nos anos 60 e 70, a história não só da música afro-americana como da pop em geral (The Supremes, Marvin Gaye, Stevie Wonder...). Assim foi com aquela fusão de punk e de metal, de flanela e de raiva, de chuva e melodias a que o próprio deu o nome: grunge. De Seattle para o mundo, da Sub Pop para as grandes editoras, dos clubes noturnos para os estádios.

Portugal não ficou, naturalmente, fora da “febre” do grunge. Quem foi adolescente ou jovem adulto nos anos 90 sabe-o: havia os Nirvana, os Pearl Jam ou os Alice In Chains, mas também havia as dúzias atrás de dúzias de bandas de garagem que se formavam, ou para juntar alguns amigos e conhecer umas garotas, ou por pura ennui, naqueles momentos em que ser-se baldas era melhor que ser-se cromo. Outras, num país ainda mal refeito do “boom do rock português” nos anos 80, encontraram no som de Seattle uma paleta com a qual explorar o seu lado de vertigem – essa coisa que dá mais sabor ao rock n' roll –, mesmo que não tenham obtido o mesmo nível de sucesso (o que, convenhamos, seria extraordinariamente difícil) que os seus camaradas norte-americanos.

Também há aquelas que passaram pelo período grunge tendo outras referências na cabeça, como os Pixies ou os Sonic Youth, mas que – por preguiça ou por conveniência – foram rotuladas de grunge ou, pelo menos, com a outra grande expressão saída dos anos 90: “rock alternativo”. É o caso dos Pinhead Society, a banda na qual se pensa em primeiro lugar quando nos lembramos da seminal editora Bee Keeper, que marcou a música independente Made in Portugal na década de 90. Os Gasoleene, seus colegas de editora, talvez tivessem um som mais próximo do de Seattle, assim como os Lulu Blind, tornados populares pela extraordinária 'Rita Hot Pussy'. E não, não nos estamos a esquecer da banda à qual, em Portugal, se chamou grunge, mais que a qualquer outra: os Blind Zero, que se viram tramados para fugir às comparações com os Pearl Jam.

Isto falando de artistas. Mas o grunge não foi apenas as bandas que faziam aquela música; havia também as editoras, as rádios, e – o mais importante – os fãs, as pessoas que iam a concertos, calçavam Doc Martens e achavam Kurt Cobain o avatar de Deus na terra. Sim, esta última é um claro exagero, mas é só para dar uma ideia do impacto do grunge até em pessoas que, hoje, não diríamos – por desconhecimento, talvez até por um maldito estereótipo – terem feito parte dessa legião armada por Seattle. Mas elas estiveram lá, lá naqueles anos 90 mitificados, e decidiram contar-nos as suas histórias.

Tiago Castro

Radialista da SBSR e músico em nome próprio, sob a designação Acid Acid. Sem o grunge, explica, hoje «não estaria a fazer rádio no segmento alternativo». Curiosidade: não conseguiu ir ver os Pearl Jam no afamado Dramático de Cascais por estar de cama com uma pneumonia.

O grunge foi a última grande subcultura rock?

Pergunta difícil, até porque os fãs de nu metal vão discordar redondamente. Mas, lá está, a ressaca do grunge deu origem ao nu metal, a ressaca (que demorou a chegar) do nu metal originou o movimento revivalista de inícios dos 00s, com os Strokes, White Stripes, entre outros... Todos os movimentos se alimentam, se cruzam, se reinventam. Mas a questão do grunge parece-me única no universo do rock alternativo. O sucesso inesperado e desmedido de "Nevermind" criou algo único: trouxe o rock, o punk e o metal do underground para o grande público. Todos estes pequenos nichos invadiram o mainstream, que transbordou por completo, apanhando de surpresa os meios de comunicação da especialidade e em particular as grandes editoras, que de súbito enviavam olheiros para Seattle e outras cidades norte-americanas, à procura dos novos Nirvana.

Este sucesso fez algo que nenhum movimento do rock alternativo tinha conseguido até então (e desde então): tornou os Nirvana conhecidos por todos. Não apenas os jovens com camisas de flanela. Todos sabiam trautear a 'Smells Like Teen Spirit'. Os nossos pais podiam não conhecer mais nenhuma música, mas reconheciam aquela canção e aquele riff. Conheciam o nome Nirvana e sabiam perfeitamente quem era Kurt Cobain. E, de repente, a imprensa, as rádios e as editoras apostavam nas guitarras e recuperavam discos que até então estavam escondidos nas rádios universitárias, entre um público mais atento. No mainstream já havia espaço para esses sons e outros que vinham a caminho. Acredito que todas essas bandas continuariam longe dos ouvidos do mainstream se não fosse "Nevermind". Se calhar podia ter sido outro disco, mas foi este. Trouxe o grunge, o som de Seattle, para o domínio público, em grande escala. E por arrasto, todos os outros subgéneros (por exemplo, o noise dos Sonic Youth, o shoegaze de My Bloody Valentine).

Ainda hoje devemos isso aos Nirvana. Seguramente eu não estaria a fazer rádio, no segmento alternativo, em FM, se não fosse o grunge de Seattle. As rádios não iriam apostar tanto no segmento, que estaria ainda remetido para as rádios universitárias. Pode hoje ser um som algo datado, demasiado másculo e musculado, mas também é verdade que desde então, têm sido raras as vezes que sentimos um abanão tão forte na música popular. Por isto, especialmente pela revolução que foi o sucesso de "Nevermind", parece-me claro que o grunge ainda se mantém como a última grande subcultura do rock. Mas estamos sempre à procura da próxima...

Pedro Ramos

Alguns conhecem-no como o programador das noites Black Balloon na discoteca Lux, outros do seu trabalho a fazer vozes para publicidade, muitos mais das inúmeras tardes passadas a ouvir a Radar, rádio que foi sua casa durante vários anos e onde pautou sempre pelo ecletismo.

Quão importante crês ter sido o papel da rádio, sobretudo das rádios universitárias, na disseminação e consequente popularização do chamado "som de Seattle"?

O papel das rádios universitárias foi crucial, numa primeira fase, não só pela independência dos DJs em relação a grandes corporações, como pela proximidade do que se passava nas ruas, nos pequenos clubes e pequenas editoras. Numa segunda fase, o milagre de existir uma MTV aberta à cultura (o oposto do que tem sido a estação nos últimos vinte anos) foi o que possibilitou a chegada ao mainstream. A rádio, desde que seja feita por pessoas, com liberdade e não motivada por interesses financeiros, tem sempre um potencial gigante para dar murros na mesa, quer seja com grunge, hip-hop ou música clássica.

Mariana Ricardo

Nascida em 1980, iniciou a sua atividade musical com apenas 14 anos, fazendo parte dos Pinhead Society. De lá para cá, podemos vê-la, em cima de um palco, com os They're Heading West ou com os Minta & The Brook Trout. Ou, então, à frente de uma máquina de escrever ou de um computador, assinando argumentos para filmes de realizadores como João Nicolau, Manuel Mozos e Miguel Gomes.

O grunge não foi "apenas" música: teve também um lado visual, explícito não só nos videoclips dos Nirvana, Alice In Chains ou Pearl Jam, mas também em filmes como o "Singles", do Cameron Crowe. Sem esse lado, e sem a ajuda da MTV e do cinema, achas que o movimento teria tido o mesmo impacto?

Acho difícil que tivesse tido o mesmo impacto sem a MTV; a MTV era, na altura, um canal que fazia chegar muita música a muita gente. Quando os Nirvana e os Pearl Jam deixaram de passar só nos programas de nicho e se espalharam pela programação geral, a 'cena' ganhou uma dimensão extra-musical. Mas se estamos a falar da componente visual, também nos podemos perguntar se a fotogenia de Kurt Cobain não terá ajudado a que a MTV 'aderisse' ao grunge.

Já o filme, a perceção que tenho é que se trata mais de um subproduto do que propriamente de um canal de propagação; imagino que a percentagem de pessoas que conheceu o grunge através desse filme tenha sido muito inferior à percentagem de pessoas que o foi ver porque já conhecia e gostava de grunge.

Miguel Guedes

O homem em quem se pensa quando se fala de “grunge português”. Vocalista, autor e intérprete, editou oito LPs com os Blind Zero, alcançando o sucesso – num país que via com maus olhos alguém cantar numa língua que não a portuguesa – logo à primeira, com “Trigger” (1995). Hoje, para além da música, dedica-se também a uma outra grande paixão: o FC Porto. 

Disse Bruce Pavitt, o fundador da Sub Pop, que criou a editora por acreditar «na localização da cultura», tendo como "inimigas" cidades como Nova Iorque ou Los Angeles, bastiões do espetáculo pop artificial e capitalista. Essa filosofia também esteve presente na génese dos Blind Zero? Sentiram-se de alguma forma discriminados por serem uma banda do Porto?

Artisticamente, musical e esteticamente, nada surgiu como reação ou como contraponto de exigência ao poder ou ao instituído na capital do país. Tudo foi absolutamente empático com o tempo, natural, totalmente fluido e espontâneo. Inesperado e vertiginoso, até. Não havia tempo de muito pensamento ou antecipação, estava tudo a acontecer no momento em que fazíamos, éramos ultrapassados pela cronologia. Mas tínhamos toda a consciência da dificuldade de sermos uma banda do Porto e de estarmos fora do circuito mainstream ou indie de Lisboa. Dificuldades que rapidamente percecionámos e sentimos na pele. Comentávamos, muitas vezes, que se era assim para uma banda da denominada “segunda cidade”, como não seria para bandas noutros locais do país. Isto, numa altura em que estavam também a surgir e a ganhar força outras bandas e artistas de Leiria, Alcobaça, Coimbra, etc. Como sempre houve bandas e artistas emergentes no Porto, Braga, e tantos outros lugares...

A questão é que o macrocefalismo de Lisboa se fazia sentir não só na distância, mas sobretudo nas relações pessoais de privilégio que, mais ou menos naturalmente, se estabeleciam entre as pessoas que se encontravam nas redações ou à noite numa lógica de vizinhança ou condomínio e que, depois, eternizavam ciclos de poder ou de influência. Se era assim na política, era assim na cultura. Por opção estética e de urgência, o primeiro disco dos Blind Zero tem uma carga mais política do que qualquer um dos outros que o sucederam e, apesar de não ser um disco de protesto, é um disco onde o olhar é crítico e duro politicamente.

Olhando para os dias de hoje, em que a concentração de meios da comunicação social está cada vez mais centralizada, até parece que a década de 90 era um oásis. O declínio e falta de peso da crítica da arte, na qual a musical se inclui, também é terrível. Tinha, mal ou bem, um papel fundamental. O que se vive hoje, apesar da rapidez e da facilidade do acesso que a globalização e o digital permitem, são tempos muito mais perigosos e onde a luta pelo contra-poder deve estar presente nas mais variadas formas de expressão artística. Nem que seja pela perceção e discurso verbal do artista, mesmo que não presente na arte que faz (a sua expressão artística não tem que estar forçosamente “contaminada" por posições políticas ou societárias). Começamos a viver um tempo em que não tomar posição pela liberdade começa a ser criminoso e cúmplice.

Diego Armés

É o homem forte por detrás dos Feromona, banda que deixou marcas no circuito independente após a “explosão” Flor Caveira / Amor Fúria e que foi, por várias vezes, rotulada como grunge – comparações que os levaram a responder, com humor, através de um tema intitulado 'A Courtney Love'. 

Colou-se o rótulo grunge aos Feromona, algo que tu disseste «não entender», ainda que o grupo tenha respondido com humor, através da 'A Courtney Love'. O vosso caso não é, porém, isolado: mesmo as bandas de Seattle rejeitavam tal descrição. Porque é que grunge é uma palavra maldita?

Eu entendo a associação de Feromona ao grunge – não me recordo da ocasião em que dei essa resposta, mas eu não me lembro de algumas coisas dessa altura, a minha cabeça já não é o que era. Não entendo que classifiquem Feromona como sendo grunge porque simplesmente não é: grunge é muito mais do que um género musical, um momento no tempo e no espaço, uma era breve circunscrita a uma metrópole muito particular, Seattle, Washington. Este é o meu entendimento do grunge, e Feromona, que surge dez anos depois do fim dessa era e em Lisboa, não se enquadra nessa designação.

Dito isto, tanto eu como o meu irmão [Marco Armés, baterista] éramos profundamente influenciados por diversas bandas grunge, com Nirvana à cabeça, mas não descurando outras, de Mudhoney a Pearl Jam, e ainda contemporâneas dessas a quem atribuíram classificações distintas, tais como os Pixies, os Sonic Youth, os Pavement, ou até os Smashing Pumpkins. 'A Courtney Love' é uma resposta bem-humorada, sim, mas é também uma confissão: na realidade, eu comecei a tocar e a ter bandas por aquilo que digo na letra. Quer dizer, não tanto por as miúdas do meu liceu quererem ser a Courtney Love, como eu alego no refrão, mas muito mais por eu querer ser – peço uma leitura pouco literal e muito lata para “querer”: uso o termo no sentido de desejar mesmo sabendo que é impossível, é querer como quem sonha com uma miragem e lida bem com isso – o Kurt Cobain. Cobain terá sido a figura que mais me influenciou, ou, pelo menos, a figura de cuja influência eu tenho mais consciência.  Eu comprei a primeira guitarra por causa dele, e isto é um facto. O “Live! Tonight! Sold Out!!” foi a fita que mais vezes passou no leitor de vídeo dos meus pais – e eu cheguei a ter pornografia em VHS.

Respondendo à pergunta, não vejo grunge como palavra maldita. Vejo-a muitas vezes abusada, ou mal aplicada, ou atribuída ao desbarato, ou a ser entendida com um significado que nunca teve. Grunge, como disse atrás, é muito mais um contexto do que uma essência. Sim, há ingredientes necessários: amps de guitarras com o gain no máximo e algum contour, power-chords, cabelos compridos e bateristas brutos. Mas depois o espetro vai da melodia mais açucarada em guitarra acústica ('Daughter', Pearl Jam) ao niilismo sonoro em dissonâncias distorcidas, com tímbalos espancados por baquetas bravas ('Milk It', Nirvana). São só dois exemplos, mas podíamos desfiar aqui um novelo gigantesco de discrepâncias estéticas e sonoras sob o termo guarda-chuva grunge, ao mesmo tempo que encontrávamos noutras bandas, paragens e sonoridades (os Fugazi em Washington, D.C., os Stone Temple Pilots, em San Diego, os Pixies, de novo, em Boston, por aí fora) elementos semelhantes.

Se calhar, enquanto os Soundgarden beberam diretamente dos Led Zeppelin, os Mudhoney misturaram punk made in USA com experimentalismo e os Pearl Jam viram demasiados pores do sol enquanto imaginavam uma fogueirinha na praia e malta a surfar. Nunca haverá uma uniformidade dentro de um género, cada banda é uma banda, seja qual for o estilo. Mas no caso do grunge, a própria definição devia incluir “multiplicidade de sub-géneros musicais desenvolvidos por pessoas gadelhudas com botas cool, camisas de flanela e gorros, na cidade de Seattle, entre 1987 e 1994”. O Mark Arm (Mudhoney) uma vez definiu aquilo que fazia do seguinte modo: vais para a cave, metes o amp no máximo e tocas três acordes; quando subires, se os teus pais não mandarem vir contigo, estás a fazer tudo mal. E depois acrescentou: sempre que dá, em vez de três, faço dois acordes, para não desperdiçar. Não sei se isto define o grunge ou não. Mas acho que definiu a minha demanda musical.

Ana Bacalhau

Tornou-se conhecida através dos Lupanar, alcançou o estrelato com os Deolinda. Antes de tudo isso, Ana Bacalhau era mais uma adolescente com uma paixão por Kurt Cobain e pelos Nirvana - «Eram o meu grito de raiva, a minha libertação», disse à revista GQ. O grunge, confidencia-nos, deixou-lhe «uma sensação de pertença a uma tribo».

A morte de Kurt Cobain ajudou a mitificar o grunge? Se Cobain ainda fosse vivo, será que se falaria no grunge com o tom de reverência que muitos têm ainda hoje?

A morte prematura de alguém que era um dos líderes do maior movimento musical e artístico da sua época criou à sua volta uma aura de mito, tal como o fez com Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Jim Morrison. No entanto, penso que a irreparável perda que se sentiu se deveu mais ao facto de nos ter deixado uma enorme voz lírica e autoral, que tinha ainda tanta música incrível para criar e que deixou um vazio impossível de preencher.

O grunge começou por perder uma das suas figuras de proa muito antes de perder Kurt Cobain, com a morte de Andrew Wood, dos Mother Love Bone, que daria depois azo ao lançamento de um single seminal para o grunge,'Hunger Strike', pelos Temple Of The Dog, em que participaram membros dos Pearl Jam e Soundgarden ainda antes da explosão da cena grunge e das respetivas bandas no mercado mainstream. Como movimento, o grunge firmou a sua marca na história da música popular norte-americana, independentemente do curso de vida dos seus membros mais reconhecidos, mas a aura de mito que circunda Kurt Cobain, Andrew Wood, Layne Staley e Shannon Hoon com certeza ajuda a atrair novos públicos à música que este movimento nos deu.

A mim, o que me deixou o grunge foi uma sensação de pertença a uma tribo de pessoas que exprimiam a sua raiva, vulnerabilidade e dificuldades de forma honesta, sincera, crua. Desconfio ser esse o apelo que ainda hoje faz com que o grunge seja sentido por tantos como um momento precioso na história da música.

Ao longo de 2021, o SAPO24 publica uma série de artigos focados no grunge, fenómeno e género musical que atingiu o seu apogeu há precisamente trinta anos: “1991: E Tudo o Grunge Mudou”. Acompanhe-nos nesta viagem.

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