• PS

António Costa chegou a pedir o voto de "metade mais um", sendo a palavra "absoluta" quase sempre evitada — pelo menos até aos debates.

Se perder estas eleições, Costa já disse que abandonará o Governo.

"Se uma pessoa é primeiro-ministro durante seis anos, se durante seis anos os portugueses têm a oportunidade de acompanhar e avaliar o trabalho, e se ao fim de seis anos não dão confiança ao primeiro-ministro com uma vitória eleitoral, bom, isso é manifestamente um voto de desconfiança dos portugueses no primeiro-ministro e, então, aí eu tenho de tirar as devidas conclusões e demitir-me", disse em entrevista à CNN.

Uma coisa é certa: a PS quer a continuidade. “Tal como na vida, também a política é feita de mudança. Estamos agora precisamente num momento que será de mudança ou não será de mudança, isso dependente dos eleitores. Esperamos que haja continuidade de políticas”, disse o secretário-geral socialista já em campanha.

  • PSD

O objetivo dos sociais-democratas resume-se numa linha: O PSD quer ganhar estas eleições ao PS (e quer 'roubar' deputados aos socialistas em distritos como Setúbal). Recorde-se que PSD elegeu 79 deputados nas últimas legislativas.

Tendo decidido ir a votos sozinho, Rui Rio tem vindo a afirmar que não descarta uma coligação com o CDS-PP — já se falando numa eventual distribuição de pastas.

  • Bloco de Esquerda

Catarina Martins quer ter o Bloco de Esquerda “reforçado como terceira força política”. Nas eleições legislativas de 2019, os bloquistas elegeram 19 deputados. Numa entrevista à RTP, em dezembro, a coordenadora do BE, assumiu ainda o objetivo de aumentar o seu grupo parlamentar.

  • CDU

O PCP delineou como um dos objetivos para as eleições de dia 30 de janeiro impedir as maiorias absolutas e os “arranjos entre PS e PSD em curso". Estes objetivos constam do compromisso eleitoral do PCP, que concorre mais uma vez coligado com o PEV (CDU).

As “soluções para os problemas do país exigem que, quer as maiorias absolutas, quer os arranjos entre PS e PSD em curso, sejam derrotados”, lê-se no compromisso eleitoral dos comunistas, que classifica esta estratégia como “elemento decisivo” para “abrir caminho a uma política determinada pelos interesses dos trabalhadores”.

Se em 2019 os comunistas elegeram cinco deputados, para o secretário-geral do PCP, a meta nestas eleições é "reforçar a CDU em votos e em mandatos".

Em entrevista à agência Lusa, Jerónimo de Sousa argumentou que o aumento de deputados "dá mais garantias para que sejam encontradas convergências que conduzam à melhoria das condições de vida" e à resolução da "situação do país, que é preocupante".

créditos: PEDRO PINA/RTP/LUSA
  • CDS-PP

O CDS-PP caiu de 18 para cinco deputados nas eleições legislativas de 2019 (dois por Lisboa (Assunção Cristas e Ana Rita Bessa), um por Braga (Telmo Correia), um pelo Porto (Cecília Meireles) e um por Aveiro (João Almeida). Qual será o  futuro do "partido do táxi"?

Em entrevista à Agência Lusa, Francisco Rodrigues dos Santos falou da ambição de eleger "mais deputados" do que os atuais cinco.

No arranque da campanha, o líder dos centristas disse ter esperança de ser "a grande surpresa" e de voltar a eleger deputados pelos círculos de Leiria e Santarém.

Recorde-se que o partido já teve deputados eleitos por Leiria e Santarém, como a antiga presidente Assunção Cristas ou o ex-vice-presidente Filipe Lobo d'Ávila.

  • PAN

O partido Pessoas-Animais-Natureza quer aumentar a representação parlamentar.

“O mínimo que esperamos é manter o resultado que tivemos há dois anos […]. As sondagens sabemos que valem o que valem e, portanto, trabalharemos sempre para mais, para garantir que conseguimos representação em distritos que até aqui não estiveram ainda representados na Assembleia da República com a voz do PAN”, afirmou Inês Sousa Real no momento da entrega das listas de candidatos.

“É para nós fundamental conseguirmos mais representação porque só assim conseguiremos ter mais força para fazer avançar as nossas causas”, salientou Inês Sousa Real, indicando que o PAN quer também recuperar o deputado eleito em Setúbal e eleger em círculos como Braga ou Faro.

Nas eleições legislativas de 2019, o PAN conseguiu quatro mandatos: dois em Lisboa, um no Porto e um em Setúbal, neste caso a deputada Cristina Rodrigues, que passou depois a não inscrita.

A líder disse estar confiante de que o partido vai conseguir ter na próxima legislatura “um grupo parlamentar maior” na Assembleia da República, mas recusou quantificar esse objetivo.

  • Chega 

A posição do Chega tem variado, mas uma coisa é clara: o partido de André Ventura, deputado único, quer ocupar o lugar de terceira força política na Assembleia da República.

Em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em dezembro, André Ventura precisou que o objetivo é eleger seis deputados pelo círculo de Lisboa e, no total, entre 15 e 25 parlamentares, procurando ainda “captar o maior número possível de votos nos distritos onde não seja possível” eleger “devido ao baixo número de representantes”.

Caso não consiga tornar-se na terceira força política a nível nacional, Ventura salientou que consideraria o resultado “uma derrota” e um sinal de que seria necessário “reforçar o trabalho ao longo da próxima legislatura”, mas afastou a possibilidade de se voltar a demitir, afirmando que, depois de ter sido reeleito a 6 de novembro, isso seria “trazer mais instabilidade ao partido”.

  • Iniciativa Liberal

De acordo com a moção de estratégia global apresentada e aprovada por Cotrim Figueiredo na última convenção do partido, o objetivo da Iniciativa Liberal é conseguir “4,5% dos votos a nível nacional”, o que significaria mais do que triplicar o resultado, e a “eleição de cinco deputados, nos distritos de Lisboa e Porto e com possibilidades também em Braga, Setúbal e Aveiro”.

  • Livre

Rui Tavares tem-se afirmado confiante na eleição de dois deputados, para poder constituir grupo parlamentar [possível desde que existam dois deputados ou mais de um partido], e recusou que nesta disputa eleitoral esteja em causa o seu futuro político, caso falhe as metas.

Em entrevista à agência Lusa, o fundador e dirigente do Livre defendeu que a eleição de um grupo parlamentar , mais do que um desejo “é uma necessidade”, sublinhando que os grupos parlamentares têm mais direitos e possibilidades de intervenção do que um deputado único.

Rui Tavares considerou que será possível a eleição de deputados nos círculos de Lisboa, pelo qual se candidata, Porto e Setúbal, e "também noutros círculos eleitorais".

O dirigente do Livre tem defendido uma convergência à esquerda e até uma eco-geringonça. Rui Tavares já disse que vai convidar os partidos à esquerda (PS, BE, PCP, Os Verdes e PAN) para reuniões logo após dia 30.

Partidos sem assento parlamentar

  • Aliança

Em entrevista à agência Lusa, Jorge Nuno Sá, que foi líder da Juventude Social Democrata entre 2002 e 2005, estabeleceu como objetivo para estas legislativas divulgar as suas propostas e o posicionamento ideológico do Aliança e, como “qualquer partido que se candidata a eleições”, tentar a eleição.

Na segunda vez que concorre a legislativas – em 2019, logo a seguir a ter sido fundado pelo antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, o Aliança obteve 0,77% dos votos –, Jorge Nuno Sá considerou que o espaço eleitoral para a afirmação do seu partido existe e não está ocupado.

Sendo o terceiro presidente do Aliança – depois de Santana Lopes, o partido foi também presidido por Paulo Bento, que saiu da liderança em novembro de 2021 –, Jorge Nuno Sá mostrou-se confiante de que conseguirá eleger representantes porque apresenta uma “proposta clara política” aos eleitores, “de um partido que tem algumas metas bem definidas”.

  • PCTP/MRPP

O PCTP/MRPP considera que um Governo que sair do ato eleitoral do próximo dia 30 de janeiro "não vai resolver os problemas do país".

Cidália Guerreiro, a cabeça de lista pelo círculo de Lisboa, assumiu, em entrevista à Lusa, que o PCTP/MRPP teve "dúvidas" em apresentar-se a "esta farsa eleitoral", mas acabou por decidir fazê-lo para tentar divulgar o seu programa.

  • RIR

O presidente do Reagir, Incluir, Reciclar (RIR), Vitorino Silva, na segunda corrida à Assembleia da República, está confiante na eleição de um deputado.

“Acredito que é possível frescura na política e é o que o RIR representa”, resumiu em entrevista à agência Lusa, admitindo que está confiante num bom resultado, que seria a eleição de pelo menos um deputado.

  • Ergue-te

Também em entrevista à Lusa, José Pinto Coelho, líder do Ergue-te, nome adotado pelo Partido Nacional Renovador (PNR) em julho de 2020, assumiu que a perda de cerca de 10.000 votos das legislativas de 2015 para as de 2019, nas quais obteve 17.126 (0,33%), foi um “grande desaire”, que está diretamente ligado ao surgimento do Chega.

Nestas eleições, admite a  conquista de votos pode vir da abstenção “que continua a crescer” e “não se deixa convencer pelos partidos do chamado PUAR [Partido Único da Assembleia da República]”.

  • MPT

O Partido da Terra (MPT) afirma-se como o "o único partido verdadeiramente ecologista em Portugal". Pedro Soares Pimenta foi eleito em 2020 presidente do MPT, num Congresso extraordinário eletivo realizado por videoconferência, e é o cabeça de lista pelo círculo dos Açores.

No Congresso de 2020 a nova direção "definiu como objetivo principal reconquistar os filiados e simpatizantes que, desde há vinte e sete anos, se reveem nos princípios e valores ecologistas e humanistas do Partido da Terra - MPT".

Num comunicado, com data de dezembro, onde o partido garantia que ia concorrer sozinho nas eleições legislativas, lia-se também que a "única pretensão do Partido da Terra é participar, de forma séria, ativa e empenhada, na apresentação de um programa eleitoral ecologista, humanista e reformista para Portugal”.

créditos: PEDRO PINA/RTP/LUSA
  • Nós Cidadãos

É a terceira vez que o Nós, Cidadãos! concorre a eleições legislativas, mas em 2015 não foi além dos 22 mil votos e, em 2019, dos 13 mil votos. Este ano, quer ir mais longe e, em entrevista à agência Lusa, Joaquim Afonso desenhou a meta.

“O objetivo mínimo são 50 mil votos para podermos ter uma subvenção (…) e eleger, pelo menos, um deputado. Eu tenho esperança de que consigamos eleger três, mas vamos ver”, apontou.

  • ADN

O presidente do Alternativa Democrática Nacional (ADN), antigo PDR, diz que o partido concorre para “dar uma alternativa aos portugueses” e ser “uma lufada de ar fresco” na política, estabelecendo como objetivo a constituição de um grupo parlamentar com a eleição de três deputados, pelos círculos do Porto e Lisboa.

No entanto, de acordo com Bruno Fialho em entrevista à Lusa, para o ADN, o “principal não é o resultado”, mas sim conseguir transmitir a sua mensagem na campanha que será “inovadora e uma surpresa”.

  • JPP

O líder e cabeça de lista do Juntos Pelo Povo (JPP) às eleições legislativas, Élvio Sousa, quer ser o “guardião” dos interesses da Madeira na Assembleia da República e considera que o partido tem “possibilidades acrescidas” de eleger deputados.

Élvio Sousa reconhece que o JPP, partido constituído em 2015 e sedeado na Região Autónoma Madeira, está “limitado no seu conhecimento nacional por esse facto”, mas considera que surge bem colocado no círculo regional, que elege seis deputados.

“Dentro desses seis lugares, considero que o JPP tem possibilidades acrescidas de eleger pela primeira vez para a Assembleia da República”, declarou à Lusa, vincando que o seu projeto é “muito simples” e “ligado às necessidades básicas dos cidadãos”.

  • PPM

O Partido Popular Monárquico (PPM), além da coligação no círculo dos Açores —  Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) —, vai concorrer apenas pela Madeira, em candidatura autónoma.

Paulo Brito, o cabeça de lista, acredita na sua eleição à Assembleia da República. Em declarações à Antena 1 Madeira, questionado sobre possíveis coligações pós-eleitorais, o candidato diz que o partido "fala com todos".

A coligação denominada #ESTAMOSJUNTOS, de PPM e PURP, acabou rejeitada pelo Tribunal Constitucional. O PURP ia apenas concorrer às eleições coligado com o PPM nos círculos eleitorais do continente, Europa e Fora da Europa.

  • PTP

O presidente do Partido Trabalhista Português (PTP), Amândio Madaleno, acredita “piamente” que desta vez o partido vai ter representação parlamentar, depois de ter obtido 8.299 votos (0,16%) em 2019, e 16.895 (0,30%) em 2011.

“Estas eleições são muito diferentes das outras, nestas vai ter resultados quem tiver capacidade de convencer militantes e simpatizantes a votar. Acho que a comparência nas urnas vai ser diminuta, e sendo assim pode haver surpresas”, disse Amândio Madaleno, em entrevista à agência Lusa.

  • MAS

Renata Cambra considera que um bom resultado para o Movimento Alternativa Socialista (MAS), que nestas legislativas concorre pela primeira vez aos 22 círculos eleitorais, seria “conseguir sair um bocadinho do cerco” em que o MAS tem estado, falar com mais pessoas e que mais pessoas conheçam o MAS enquanto partido.

Para a porta-voz do MAS e candidata por Lisboa não é totalmente impossível uma votação expressiva, de cerca de um por cento, mas o MAS diz-se atento a “uma certa vontade que as pessoas têm de castigar a esquerda, a esquerda que lá tem estado [no parlamento], particularmente o Bloco e o PCP”.

  • Volt

Na primeira vez que concorre a eleições legislativas, o Volt Portugal vai tentar eleger dois deputados e procura os votos dos eleitores que se identificam com o centro político e dos descontentes.

“Não me interessa tanto a origem do voto, interessa-me que as pessoas quando votam no Volt saibam qual é a nossa proposta e se identifiquem com ela. Se anteriormente votaram no partido Y ou Z, acho que é um pouco indiferente mas, naturalmente ou tendencialmente, o nosso voto virá mais da área do centro do centro-esquerda e do centro-direita”, disse Tiago Matos Gomes, presidente do Volt, em entrevista à Lusa.

Tiago Matos Gomes manisfestou o desejo de eleger dois deputados e admitiu como "satisfatório mas não suficiente" ser o mais votado dos partidos que não obtenham representação parlamentar.

* Com Lusa

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