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"Em primeiro lugar relativamente à empresa que criei e da qual fui sócio é uma empresa que presta serviços", começa por dizer o primeiro-ministro em decrarações aos jornalistas. "Espero que não haja dúvidas sobre isso", reforçou.
"Tal como disse na Assembleia da República, não tenho nenhum problema que sejam revelados os clientes dessa empresa apenas devem ser os próprios", refere. "Espero que isso possa acontecer nas próximas horas ou por sua iniciativa ou com a sua autorização", disse.
O chefe do governo garantiu ainda que nunca decidiu "nada em conflito de interesses" quer enquanto primeiro-ministro quer em cargos públicos. "Sempre que acontecer alguma situação em que houver alguma colisão com interesses pessoais, eu eximir-me-ei de intervir", acrescentou.
Luís Montenegro anunciou ainda que vai fazer uma avaliação sobre este tema "quer em termos pessoais, familiares e políticos" e já convocou um Conselho de Ministros extraordinário sobre o tema para amanhã, sábado, ao final da tarde. Depois fará uma comunicação ao país às 20h00.
Por fim, o primeiro-ministro referiu que "não tem problema nenhum em esclarecer o que têm de ser esclarecido" e que "prestou serviço a esse grupo quando não participava em nenhum cargo político". "Eu não sou empresário e neste momento estou exclusivamente dedicado à minha função de primeiro-ministro, o que não significa que tenha de abandonar tudo aquilo que foi a minha vida profissional", sublinhou.
"Exigirem que eu deixasse de ter vida própria, apenas para ser primeiro-ministro, coloco a questão aos portugueses: querem políticos que não tenham mais nada?", deixou ainda no ar.
Recorde-se que o grupo de casinos e hotéis Solverde, sediado em Espinho, revelou ao semanário Expresso que paga à empresa detida pela mulher e os filhos do primeiro-ministro, Spinumviva, uma avença mensal de 4500 euros desde julho de 2021, por “serviços especializados de ‘compliance’ e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais”.
O acordo entre a Spinumviva e a Solverde foi assinado seis meses após a constituição da empresa agora detida pela mulher e os filhos de Montenegro, em julho de 2021.
De acordo com o Expresso, Luís Montenegro trabalhou para a Solverde entre 2018 e 2022, representando o grupo nas negociações com o Estado que resultaram numa prorrogação do contrato de concessão dos casinos de Espinho e do Algarve.
Esse contrato de concessão chega ao fim em dezembro deste ano e haverá uma nova negociação com o Estado, acrescenta o semanário.
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