“Isto insere-se no problema global que temos vivido nos últimos tempos, que é o número insuficiente de médicos escalados para a urgência face ao número de utentes que a ela recorrem. Agora, estes colegas, que são 14, manifestaram a sua indisponibilidade para salvaguardar os doentes desta situação, ou seja, não vão compactuar com este tipo de atendimento, que é nitidamente insuficiente para a população que recorre ao hospital”, afirmou Maria João Tiago, secretária regional de Lisboa e Vale do Tejo do SIM.

Em declarações à agência Lusa, a representante do sindicato disse que os documentos de escusas de responsabilidade de todos os elementos pertencentes à equipa do serviço de urgência geral do Hospital Beatriz Ângelo foram apresentados na última semana de junho e mantêm-se com efeito até que a situação de falta de recursos humanos seja resolvida.

“Até quando? Não sabemos. Este tipo de documento é apresentado sempre que se verifica um número insuficiente de médicos escalados para aquele dia e para aquela urgência, por isso há de vigorar enquanto não for restabelecido o número de elementos suficientes”, disse a secretária regional de Lisboa e Vale do Tejo do SIM, explicando que como as escalas estão a ser feitas quase que diariamente “é muito imprevisível” prever a duração da situação de escusas de responsabilidade por parte dos médicos.

Maria João Tiago reforçou que a situação se manifesta “até estarem reunidas as condições mínimas de segurança para atender os doentes”, pelo que vai vigorar enquanto o número de médicos for insuficiente, sem adiantar qual o número de profissionais em falta.

Neste âmbito, os 14 médicos do serviço de urgência geral do Hospital Beatriz Ângelo estão “indisponíveis” para atender os doentes nestas condições, que consideram de “insegurança” e que não salvaguardam os doentes, indicou a representante do sindicato, adiantando que, nestas circunstâncias, “muitas vezes é acionado o CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes], que desvia os doentes para outros hospitais”.

“Nesse período, sempre que vigora um número insuficiente de elementos na escala médica, o CODU não leva para lá doentes”, explicou Maria João Tiago.

A secretária regional de Lisboa e Vale do Tejo do SIM disse ainda: “Isto é tão frequente que eu acho que é quase melhor dizer quando é que esta situação não se verifica nestes últimos tempos, como temos tido conhecimento: é o Beatriz Ângelo, é o Garcia de Orta, é o São Francisco Xavier, isto é a mesma situação em todo o lado”.

“Os chefes de equipa põem sempre esta escusa de responsabilidade, isto, no fundo, é um alerta para se proteger os doentes”, referiu a representante do sindicato dos médicos, acrescentando que o problema de falta de recursos humanos só se resolverá quando o Ministério da Saúde se prontificar a negociar as grelhas salariais, para que se torne mais atrativo permanecer no Serviço Nacional de Saúde.

A Lusa questionou o Hospital Beatriz Ângelo sobre o impacto da apresentação de escusas de responsabilidade por parte de todos os elementos da equipa do serviço de urgência geral, aguardando ainda uma resposta.

Em comunicado, o SIM informou que a posição dos 14 médicos está relacionada com “as condições progressivamente mais inóspitas e a escassez permanente de recursos humanos sem plano ou perspetiva de melhoria da direção de serviço ou administração”, revelando que, do concurso aberto para recém especialistas, “apenas uma vaga foi preenchida em Medicina Interna – por formando da instituição, mantendo-se a carência atual”, quer no internamento quer no serviço de urgência geral.

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