
Esta ilha plana com apenas 13.000 habitantes prevê uma realocação em massa de até 90% da sua população para o interior devido à elevação do nível do mar que está a consumir as suas terras férteis.
Para financiar o projeto, vende passaportes por 105 mil dólares, apesar das preocupações de que possa ser explorado por organizações criminosas.
"Nauru não precisa apenas de adaptar-se à mudança climática, mas garantir um futuro sustentável e próspero para as gerações futuras", disse Adeang.
A ilha fica num pequeno planalto de rocha fosfática no desabitado Pacífico Sul. Com uma área territorial de 21 km², é uma das menores nações do mundo.
A exploração de fosfato, componente essencial em fertilizantes, fez de Nauru um dos países com o maior PIB per capita do planeta, mas também tornou 80% da suas terras inabitáveis.
Ondas gigantescas ameaçam o restante do território, com o nível do mar subindo 1,5 vez mais rápido que a média mundial.
Os programas de financiamento climático existentes "não são suficientes", diz Edward Clark, que administra o novo Programa de Cidadania para a Resiliência Climática e Económica de Nauru (em tradução livre).
O governo espera arrecadar 5,7 milhões de dólares no primeiro ano e, eventualmente, chegar a 43 milhões de dólares, o que representaria 20% da receita pública, disse Clark.
Esse valor financiaria grande parte do custo estimado da primeira fase de realocação da população, de 60 milhões de dólares.
Perigo de instrumentalização
Nauru diz que o seu passaporte permite a entrada sem visto em 89 países, incluindo o Reino Unido, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, Peru e Equador.
Clark descreve o programa como uma "inovação", embora o Instituto Lowy da Austrália diga que outros países da região, como Vanuatu, Samoa e Tonga, também se aventuraram a vender passaportes.
Henrietta McNeill, especialista da Universidade Nacional Australiana, diz que estes programas ajudam a aumentar as receitas do governo, mas também atraem usos inapropriados.
Criminosos podem usar estes documentos para fugir da Justiça, lavar dinheiro ou aproveitar as regras de entrada sem visto, diz McNeill.
Nauru sabe disso por experiência própria. Em 2003, em outro programa de venda de passaportes, o país vendeu cidadania a membros da Al-Qaeda que acabaram presos.
Desta vez, as autoridades só concederão esse estatuto a investidores que passarem "por procedimentos de triagem mais rigorosos", disse Clark.
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