Os efeitos do sucesso do torneio play-in

O torneio play-in foi um sucesso a todos os níveis: competitividade, audiências e «engagement» nas redes sociais. A adição deste formato inibiu muitas equipas de optar pelo «tanking» [perder de propósito para receber uma escolha de draft mais alta no ano seguinte], com 12 ou 13 equipas de cada conferência a lutar pela fase a eliminar até aos últimos jogos da fase regular. Com o acesso direto aos playoffs reduzido para apenas seis conjuntos em cada conferência, também a competitividade aumentou para esses lugares de topo na classificação.

No último mês de fase regular, numa altura em que em anos anteriores a maioria das formações faz descansar as principais figuras, as estrelas das equipas envolvidas na luta por um lugar, seja nos playoffs ou no play-in, foram a jogo. As audiências dispararam no torneio play-in, com o jogo entre os campeões Los Angeles Lakers e os Golden State Warriors a registar uma audiência média de 5.6 milhões de espetadores nos Estados Unidos, superando o play-in da época passada em 190%.

O êxito do novo formato pode levar o comissário da NBA, Adam Silver, a sentir que tem margem de manobra junto dos donos das equipas para insistir na criação de um torneio de meio de temporada, inspirado no modelo das taças do futebol europeu. Jogos únicos a eliminar, à imagem da NCAA, e um prémio monetário para os vencedores, para incentivar à participação das estrelas que poderiam encarar esta competição secundária como uma oportunidade para descansar a meio da época. Com esta nova prova adicionada ao calendário, sensivelmente a meio da época, a NBA vende mais um produto que promete gerar receitas extraordinárias, necessárias para continuar a recuperar dos prejuízos provocados pela pandemia de covid-19.


Ouça aqui o episódio desta semana do Bola ao Ar, podcast sobre NBA produzido pela MadreMedia e apresentado por João Dinis e Ricardo Brito Reis:


As lágrimas do veterano Taj Gibson

A emoção de Taj Gibson na conferência de imprensa após a vitória dos New York Knicks sobre os Atlanta Hawks no jogo 2 foi comovente. "Há algo de mágico nisto. Não sei explicar. Eu não assumo que as coisas são garantidas e cada novo dia é surreal. Digo aos mais novos que me dizem que não sabem, ao acordar, que rumo vai levar a carreira para confiarem no coração. Que não se preocupem com o que as pessoas dizem e que sigam em frente. Não se desviem do rumo, que vai ser montanhoso. Acreditem em vocês mesmos", afirmou o extremo/poste que cumpre a segunda época nos conjunto da «Big Apple».

Gibson, que chegou à liga com apenas 24 anos de idade e está prestes a celebrar o 36.º aniversário, é um veterano com 11 anos de experiência na NBA e mais de 900 jogos entre fase regular e playoffs. Nascido em Brooklyn, Nova Iorque. Está a jogar em casa. Os olhos encharcados enquanto dizia estas palavras são o resultado de mais de uma década de luta diária para se fixar numa liga que, hoje em dia, não valoriza jogadores com as suas características. Tecnicamente cru, mas um lutador em todas as posses de bola de todos os períodos de todos os quase 900 jogos da carreira.

Só 450 atletas jogam na NBA. Desses, só 263 tiveram uma média acima de vinte minutos por jogo, este ano. Taj Gibson é um deles. Jogar na NBA é para muito poucos. Fazê-lo da forma certa, como Taj Gibson faz todas as noites, é especial. Enquanto todos procuram a próxima grande estrela e falam das excelentes estreias em playoffs dos miúdos Ja Morant, Devin Booker e Trae Young, saibamos apreciar o jogo de veteranos como LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Paul e Derrick Rose. E Taj Gibson, claro.

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