
O também escritor celebra o 80.º aniversário durante a Feira do Livro do Porto, cidade onde nasceu e que tem “como raiz e ponto de referência”, afirmou Sérgio Godinho, na conferência de imprensa que decorreu esta manhã na Casa do Roseiral.
“É um prazer regressar ao Porto”, assinalou o artista, destacando o papel que os livros tiveram ao longo da sua vida.
“Sempre tive uma afeição muito grande aos livros. Em minha casa lia-se obsessivamente, tanto o meu pai como a minha mãe. A minha avó paterna, a certa altura, teve um alfarrabista e eu ia para lá literalmente cheirar os livros porque o livro era sempre aquele objeto que já estava empoeirado, mas que me atraia e sempre atraiu”, recordou.
Sérgio Godinho assinalou ainda o papel da escrita na sua vida, que está também marcada pelo teatro, cinema, televisão, literatura infantojuvenil, romance, crónica e poesia.
“O prazer das escritas, da criação e da consecução prática em palco é aquilo que me dá uma grande energia de vida”, referiu.
Para o músico, iniciativas desta natureza permitem-lhe “não perder o Porto”, cidade onde viveu a sua juventude antes de viajar pelo mundo e se mudar para França, de onde só regressou após o 25 de Abril de 1974.
“São maneiras de eu voltar ao Porto e não perder o Porto”, assinalou, recordando que, quando iniciou a sua carreira, compôs duas canções para manter o elo de ligação à cidade: “Porto, Porto” e “O Porto aqui tão perto”.
Já o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que assiste pela última vez à feira no cargo, afirmou, relembrando o antigo vereador da Cultura do município Paulo Cunha e Silva, que a Feira do Livro se tornou “independente, aberta, contemporânea, popular e cosmopolita”.
“A cada edição do evento estas características foram sendo sublimadas, tendo a Feira do Livro do Porto consolidado o seu modelo híbrido entre o certame livreiro e o festival literário”, assinalou, lembrando que esta não é a primeira vez que o evento homenageia um compositor, tendo, em 2018 José Mário Branco sido a figura central.
“O Porto tem, aliás, uma espécie de ‘terroir’ de escritores de canções”, acrescentou, enumerando Carlos Tê, Pedro Abrunhosa, Rui Reininho, Miguel Araújo, Manel Cruz ou Capicua.
A 12.ª edição da Feira do Livro do Porto sob alçada da autarquia terá como coordenador o escritor Francisco José Viegas e programador João Gestas.
Os temas “amor e liberdade” irão nortear a programação desta edição e durante os 17 dias do evento são esperados concertos, sessões de cinema, leituras e mais de 100 espetáculos gratuitos. Está também previsto um concerto de Sérgio Godinho.
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