A petição contra o corte dos jacarandás na Avenida 5 de Outubro já reúne mais de 51 mil assinaturas. Em resposta à polémica, a autarquia anunciou que ia realizar duas sessões públicas de esclarecimento sobre o projeto, uma vez que consideraram que a falta de informação pode ter sido um dos grandes motivos para desencadear a onda de protestos por parte de moradores, ativistas e forças políticas. No entanto, antes da primeira sessão, que estava marcada para hoje, a Câmara procedeu ao início da intervenção de transplante das árvores, contrariamente ao que teria sido anunciado, uma vez que o início da operação estava marcado para a próxima semana.

"Estamos a salvar jacarandás". Câmara de Lisboa reconhece falta de clareza
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Cerca de 15 pessoas reuniram-se à porta do Centro de Informação Urbana de Lisboa, onde deveria ter acontecido a sessão de esclarecimento marcada para hoje, para protestar contra a falta de esclarecimentos por parte da autarquia. Alguns não foram avisados a tempo, uma vez que o e-mail da Câmara a adiar a sessão chegou apenas aos que estavam inscritos. Não é possível realizar esta inscrição desde ontem à noite, uma vez que o site apresentava um erro. Outros manifestantes sabiam que a sessão tinha sido cancelada, mas ainda assim, dirigiram-se até ao centro para mostrar o seu descontentamento.

Em conversas entre moradores, revoltados por não haver ninguém responsável a acolher os que não foram avisados a tempo, ecoam frases como "saí mais cedo do trabalho para uma absoluta falta de respeito", "sinto vergonha como cidadão" e "é um quero, posso e mando".

"Eu estou aqui para lutar contra um direito que nós temos, que é o direito à informação. A Câmara Municipal de Lisboa vai implementar um projeto, que levantou dúvidas perante os cidadãos. Foi criada uma petição com cerca de 50 mil assinaturas, e não temos as respostas que nós procuramos", diz o biólogo Ayala Botto, que esteve presente naquela que deveria ter sido uma sessão de esclarecimento, ao SAPO24.

"Queremos fazer uma inscrição para virmos por as nossas questões, e o site vai abaixo, portanto impede que novas pessoas façam inscrição. Quando chegamos aqui, 15 minutos antes, recebemos um mail a dizer que não vai haver, e que vai haver uma segunda data, porque o espaço não é grande o suficiente", avança o jovem, que foi um dos avisados. "É frustrante, sentimos que não estamos a ser ouvidos. É o papel do Presidente da Câmara ouvir a população e não é fazer o que lhe apetece sem dar cavaco a ninguém e dizer que o problema é do antigo governador".

O especialista em Biologia da Conservação explicou ainda ao SAPO24 como as novas árvores, que a Câmara prometeu plantar, não conseguem "substituir" as que já estavam plantadas: "Estes jacarandás têm uma estrutura desenvolvida, criando micro-habitats e serviços de ecossistemas que estão completos. Vai demorar muito tempo até as árvores mais juvenis conseguirem produzir o mesmo".

Além disso, Ayala Botto afirma que a época de transplantação não é própria para agora, uma vez que "as árvores têm muito pouca capacidade de sobrevivência nesta altura".

Uma opinião que é partilhada por outros moradores, como é o caso de Maria José Vasconcelos, moradora nas Avenidas Novas. "Toda a gente sabe, e principalmente a Vereadora do Ambiente, que as árvores transplantadas vingam muito pouco. E muito menos nesta altura do ano que é da floração das árvores", refere.

A moradora acusa ainda o executivo camarário de estarem a estragar, aos poucos, "tudo o que é emblemático da cidade de Lisboa". Maria José diz não compreender a atitude da Câmara liderada por Carlos Moedas e afirma que é "um abuso de poder".

A CML adiou a sessão de esclarecimentos para a próxima quarta-feira, no Fórum Lisboa, situado na Avenida de Roma, às 18h30. A justificação apresentada pela autarquia foi "a limitação de lugares na sala".

*Edição por Beatriz Cavaca