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O homem mais rico do mundo saiu da Terra. Mas voltou 11 minutos depois

Pedro Soares Botelho
Pedro Soares Botelho

Há 52 anos, os Estados Unidos da América, coroando uma longa corrida espacial, em grande parte ganha pela União Soviética, pisavam a lua. Quer os astronautas, quer os cosmonautas tinham ao dispor tecnologia muito anterior aos nossos smart-telemóveis e até smart-máquinas-de-lavar-loiça.

Eram desafios de nações, pequenos passos dos países mais poderosos do planeta para empurrar adiante a humanidade.

Hoje, ir ao espaço mais parece um exercício dos egos de homens brancos com mais dinheiro que aquele que conseguem gastar.

O homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, alcançou esta terça-feira o espaço, juntamente com mais três passageiros, a bordo do foguetão New Shepard, da empresa Blue Origin, que fundou, tendo superado os 100 quilómetros de altitude.

Três minutos depois da descolagem, a cápsula onde seguiam os quatro turistas espaciais libertou-se do foguetão e superou a linha Karman, o limite reconhecido internacionalmente entre a atmosfera terrestre e o espaço.

Junto com Jeff Bezos, fundador da empresa de comércio 'online' Amazon, seguiram no primeiro voo tripulado da Blue Origin o irmão Mark, a pioneira da aviação norte-americana Wally Funk, de 82 anos, e o estudante holandês Oliver Daemen, de 18 anos, filho de um multimilionário, que pagou a viagem.

Wally e Oliver passaram a ser, com esta curta viagem de 11 minutos, a pessoa mais velha e mais nova no espaço.

De volta à Terra, à saída da cápsula, Jeff Bezos, que usava um chapéu de 'cowboy', e os restantes elementos foram recebidos com gritos de alegria pelas equipas da Blue Origin.

"Foi o meu melhor dia", exclamou o multimilionário, ainda no interior da cápsula, depois de aterrar.

Posteriormente, numa conferência de imprensa, Bezos afirmou que ficou surpreendido ao ver a "beleza e fragilidade" da Terra vista do espaço, um retrato muito semelhante ao que é feito pelos astronautas. "Todos os que estiveram no espaço disseram que isso mudou-os e que ficaram estupefactos, atordoados pela Terra e a sua beleza, mas também pela sua fragilidade. Concordo plenamente", disse.

A viagem do antigo patrão da Amazon (envolvido em inúmeras polémicas sobre a forma como os seus trabalhadores são tratados), acontece pouco tempo depois da também viagem turística espacial inaugural da Virgin Gallactic, onde seguiu o patrão e multimilionário britânico Richard Branson — que, contudo, não foi tão alto.

Corrida pelo espaço ou corrida pelos egos, é sempre bom constatar os galopes da evolução tecnológica (ou do futuro do turismo). Mas mais importante do que isso seria questionar a monumental desigualdade que permite a vários homens ricos e brancos conseguirem ir sozinhos onde antes apenas as duas nações mais poderosas do planeta conseguiam. Bezzos, Branson e Musk pulam e avançam — mas a que preço?

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