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Missão “impossível”: a retirada de todos até ao final do mês

Marta Pedreira Mixão
Marta Pedreira Mixão

Há uma semana que os checkpoints são comuns em vários pontos de Cabul e são a maneira que os talibã têm de controlar quem entra e sai, isto uma semana depois de terem conquistado o poder e declararem a fundação do Emirado Islâmico do Afeganistão, levando milhares a correr para o aeroporto em busca de um “porto seguro” – onde a situação se agrava de dia para dia.

Apesar do vai-e-vem de aviões, o chefe da diplomacia europeia já alertou que vai ser impossível concluir a retirada de todos os estrangeiros ocidentais e colaboradores afegãos até final do mês."É matematicamente impossível", disse Josep Borrell.

E apontou que a Europa "não tem capacidade militar para ocupar e assegurar o controlo do aeroporto militar, os talibãs vão assumir o controlo" quando os seis mil militares norte-americanos e britânicos deixarem o aeroporto a 31 de agosto.

Os Estados Unidos requisitaram 18 aviões comerciais, com caráter de emergência, a seis companhias aéreas para ajudar na missão de transportar norte-americanos e refugiados afegãos que já foram retirados de Cabul e que se encontram agora noutros países da região. Os aviões civis não são autorizados a aterrar no Afeganistão e, por isso, vão seguir para o Qatar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

O anúncio da Defesa norte-americana surge depois de a França ter solicitado aos EUA que permitam e facilitem a retirada dos cidadãos dos países aliados e de todos os afegãos cujas vidas corram perigo em Cabul. Nas últimas 24 horas, cerca de 3.800 pessoas foram transportadas em 38 voos.

Hoje mais sete afegãos morreram no aeroporto de Cabul, subindo assim para 20 o número de vítimas mortais no local, no meio do caos dos que tentam fugir desde a tomada de poder pelos talibã. Continua a intensificar-se a pressão para que as forças militares prolonguem a sua presença no Afeganistão para lá da data-limite.

“Trágica, perigosa e desnecessária”. Estas foram as palavras de Tony Blair para descrever a retirada das forças aliadas do Afeganistão, defendendo que o Reino Unido tem a "obrigação moral" de permanecer no país até terminar o resgate dos que querem fugir.

O Reino Unido anunciou que vai acelerar a retirada de britânicos e afegãos da cidade e afirmou que apoiará uma eventual decisão dos Estados Unidos de adiar a data de retirada militar do Afeganistão para o resgate de civis.

Já os EUA pediram aos cidadãos norte-americanos que evitem deslocar-se ao aeroporto, devido a "potenciais ameaças à segurança". Em causa estará o aumento do risco de eventuais ataques terroristas. O assessor para a Segurança Nacional do Presidente dos Estados Unidos admitiu que no aeroporto de Cabul a ameaça “é real e persistente”.

Hoje, também o Presidente da República se referiu à situação no Afeganistão. Pediu respeito pelos direitos das minorias e apelou que no futuro é “fundamental garantir os direitos nacionais dos países da coligação, daqueles que trabalharam com esses países, dos refugiados e tem de haver uma política comum de apoio aos refugiados e é preciso (...) ter a certeza de que há garantia dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, dos direitos das minorias”.

“Acho que tem de haver uma clarificação daquilo que é a situação do poder político num estado que é soberano ou dessa constituição com que poder político, com que forças envolvidas, para que possa haver uma solução estável que a comunidade internacional respeite e, que pelo seu turno, não seja um albergue de terroristas e que respeite os direitos humanos”.

Já o ex-presidente Donald Trump acusou Biden de "incompetência grosseira" na "retirada falhada", elogiando os talibãs, que considerou "grandes negociadores" e "combatentes duros".

“Isto não deveria ter acontecido. Tudo o que ele tinha de fazer era deixar os soldados no local até que todos estivessem fora – os nossos cidadãos, as nossas armas – e depois bombardear as bases”, disse Trump, durante um comício no Alabama.

Enquanto se discute na Europa o acolhimento de refugiados do país, Putin, por sua vez, disse que não vai receber afegãos, justificando que não tem intenção de acolher extremistas islâmicos mascarados de refugiados: “Isto é crucial para a nossa segurança e está diretamente relacionado com os nossos cidadãos. Daí ser um dos nossos objetivos prioritários, inclusivamente para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Não queremos que militantes nos cheguem disfarçados de refugiados. Tudo faremos para que haja estabilidade no Afeganistão, em parceria com os nossos parceiros, incluindo os ocidentais”.

Boris Johnson informou também que vai convocar para a próxima terça-feira uma reunião "urgente" do grupo dos sete países mais ricos do mundo (G7) sobre a situação no país, por considerar “vital que a comunidade internacional trabalhe junta para conseguir retiradas seguras, prevenir uma crise humanitária e apoiar o povo afegão”.

Os talibã anunciaram uma ofensiva para a conquista da província de Panshir, a única região que nunca conseguiram controlar desde a década de 1990, e que é conhecido como um reduto contrário aos talibãs. A guerra pode estar só a começar e, nesta altura, os afegãos temem o regresso ao período mais crítico do regime e milhares continuam à espera de uma oportunidade de fuga junto ao aeroporto internacional.

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