Em Portugal, a utilização destas imagens criadas com recurso ao ChatGPT, na versão paga ou apenas duas por dia na versão gratuita, ou seja, o modelo GPT-4o, rapidamente entraram na campanha política. Tanto Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, como a Iniciativa Liberal entraram na tendência.

A Iniciativa Liberal começou por partilhar esta imagem na rede social X para trazer mais membros ao partido.

De seguida, Pedro Nuno Santos também aderiu à tendência e partilhou uma caricatura sua criada pelo ChatGPT. "Animação? Não me falta", diz na legenda.

A Iniciativa Liberal não se deixou ficar e partilhou uma imagem em estilo BD com alguns momentos icónicos do PS na política nacional. "Não há dúvida nenhuma que as governações do PS são sempre grandes animações", respondeu o partido a Pedro Nuno Santos.

Além dos partidos políticos, também vários utilizadores têm aproveitado para emprestar um novo estilo a imagens que se tornaram icónicas como, por exemplo, a famosa fotografia de Salgueiro Maia no Largo do Carmo durante a Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974.

A utilização destas imagens está a causar alguma polémica, tendo em conta a sua semelhança com os filmes do estúdio de animação japonesa Studio Ghibli, por trás de obras como 'A Viagem de Chihiro', 'O Castelo Andante' ou 'O Meu Vizinho Totoro'.

Já foram feitas recriações como o trailer de 'O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel' ou mesmo a famosa discussão na Casa Branca entre Donald Trump e JD Vance com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

A questão que se levanta agora é sobre os direitos de autor, nomeadamente tendo em conta a opinião do cofundador do Studio Ghibli, Hayao Miyazaki, sobre animação gerada por inteligência artificial. Numa reunião de 2016 em que lhe foi mostrada uma demonstração, Miyazaki afirmou estar "completamente enojado", acrescentando que "seja quem for que cria estas coisas não tem ideia do que é a dor, de forma nenhuma".

"Se querem mesmo fazer coisas sinistras, podem avançar e fazê-lo. Eu nunca desejaria incorporar esta tecnologia no meu trabalho de todo. Sinto fortemente que isto é um insulto à vida em si", acrescentou.

Outra dúvida é também a necessidade de carregar imagens para o ChatGPT. O modelo recolhe todos os dados lá inseridos pelos utilizadores, e retém essa informação indefinidamente para treinar os modelos a não ser que se rejeite essa opção, algo que nem sempre é fácil de fazer.

Citado pela revista Forbes, o advogado especialista Oliver Willis aponta que, "na prática, é difícil os indivíduos exercerem os direitos do RGPD [Regulamento Geral de Proteção de Dados] contra modelos de linguagem de larga escala (LLM) como o ChatGPT", já que este pode "criar informação imprecisa ou alucinar", e "é capaz de mudar informação sem explicação". Além disso, "pode ser quase impossível apagar os seus dados assim que são colocados nos LLM".

Também a empresa de tecnologia Proton, especializada em serviços de privacidade, referiu que assim que se partilham fotos pessoais com um modelo de inteligência artificial, "perde-se o controlo sobre como são utilizadas, já que essas fotos são depois utilizadas para treinar IA".

A empresa avisa ainda que estas imagens podem ser utilizadas "para gerar conteúdo que pode ser difamatório ou utilizado como assédio".

Como aceder a esta funcionalidade?

  • Entrar no site do ChatGPT: é necessário ter uma conta na plataforma OpenAI com acesso ao recurso de criação de imagens.
  • Descrever uma cena: basta descrever detalhadamente aquilo que se quer na imagem, nomeadamente elementos visuais e atmosfera desejada. Exemplo: “Uma pequena cidade cercada por florestas verdes com casas de madeira e um céu iluminado por um pôr do sol dourado, num estilo animado com cores vibrantes e traços suaves; crie a ilustração no estilo Ghibli.”
  • Ajustar: se o resultado não for o esperado, é possível modificar e refinar as descrições para obter uma foto mais precisa.