"Não podemos trazer de volta as 116 pessoas mortas nos incêndios de 2017, mas podemos fazer o que for possível para que tal horror não se repita", disse hoje o empresário, durante a sessão de apresentação do projeto, em Ferraria de São João, aldeia do concelho de Penela, distrito de Coimbra.

O abrigo da Ferraria de São João será o primeiro construído no âmbito do projeto Aldeias Resilientes, desenvolvido pela Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), dirigida por Nádia Piazza.

Trata-se de um projeto de raiz, que servirá de protótipo para outros abrigos que, espera a associação, venham a ser construídos nas áreas afetadas pelos incêndios. Jorge Mendes será o "mecenas" principal, mas o projeto conta com o trabalho e o empenho gracioso de diversas instituições, nomeadamente o município de Penela, a Associação de Moradores de Ferraria de São João, a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (representada por Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra), Atelier da Boavista e a associação A400.

Nádia Piazza reforça, no entanto, que nada sairia do papel sem o impulso decisivo de Jorge Mendes.

"Não fomos à procura dele. Ele veio até nós e perguntou: 'O que posso fazer?' Uma atitude nobre e cada vez mais rara" frisou a líder da AVIPG.

O abrigo da Ferraria ficará no centro da aldeia de 40 pessoas, que após ter estado cercada pelas chamas tomou uma série de iniciativas para proteger bens e pessoas, nomeadamente arrancando 50 mil eucaliptos e raízes num raio de cem metros e plantando mais de mil árvores autóctones, que resistem melhor ao avanço das chamas.

O abrigo, que será "uma maquete em tamanho real", será construído em betão e terá um conjunto de tecnologias capazes de travar o avanço dos fogos. Com capacidade para 80 pessoas, será erguido até ao final do ano sob a orientação técnica da equipa de Xavier Viegas, especialista em controlo de incêndios.

Em Moninhos, no concelho vizinho de Figueiró dos Vinhos, será erguido um segundo abrigo, resultado da adaptação de um edifício devoluto na povoação.

Numa curta intervenção, o empresário de Cristiano Ronaldo deixou dois desejos: que outros sigam o seu exemplo; e que os abrigos nunca venham a ser precisos por falta de incêndios.

O grande incêndio de junho de 2017 na zona de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, causou 66 mortos e mais de 250 feridos, enquanto os grandes fogos de outubro fizeram 49 vítimas mortais, em vários concelhos da região Centro.

Além destas 115 mortes, há registo de pelo menos mais cinco nas regiões Norte e Centro nos fogos rurais do ano passado.

Os incêndios florestais de 2017 consumiram cerca de 500 mil hectares de floresta e destruíram mais de duas mil casas, empresas e explorações agrícolas.