Questionado pelos jornalistas, no final de uma reunião por videoconferência com o presidente do parlamento da Ucrânia, realizada a pedido de Ruslan Stefanchuk, Santos Silva assegurou que este assunto não foi tema da conversa, por “não ser uma questão que se coloque na relação bilateral” entre os dois parlamentos.

“E a segunda razão é porque, pelo menos este presidente do parlamento português, não crê que o pedido de adesão à NATO de Finlândia e Suécia possa ser qualquer fator de turbulência. Pelo contrário, acreditamos que esse é um fator que melhorará a segurança europeia, em particular nesta nova ordem ou arquitetura de segurança que temos de construir”, defendeu o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Os embaixadores da Finlândia e da Suécia junto da NATO entregaram hoje de manhã os pedidos de adesão dos dois países à organização.

Na reunião com o homólogo ucraniano, um dos temas discutidos foi o pedido de adesão da Ucrânia à União Europeia, com Santos Silva a reafirmar a posição de Portugal, dizendo esperar novidades no Conselho Europeu de 23 e 24 de junho.

“Tomamos boa nota da apresentação desse pedido e muito boa nota da rapidez com que a Ucrânia respondeu ao questionário que lhe foi dirigido pela Comissão Europeia e que é o passo imediato à apresentação do pedido de candidatura”, afirmou.

O presidente do parlamento português disse esperar que a Comissão Europeia possa divulgar o seu parecer - “essencial para que se possa progredir” - até ao próximo Conselho Europeu regular, em 23 e 24 de junho, e que “as autoridades europeias possam responder à Ucrânia”.

“Acredito que o Conselho Europeu de 23 e 24 de junho possa ter um debate sobre a questão, para isso é muito importante que o parecer da Comissão seja produzido antes desse conselho europeu”, frisou.

Santos Silva sublinhou que este processo de adesão será “necessariamente complexo e demorará o seu tempo”.

“Por isso é que a posição portuguesa tem sido sempre a de recordar que já há um acordo de cooperação, de associação, entre a União Europeia e a Ucrânia, e que nesse quadro - quer o apoio humanitário, quer o apoio militar, quer o apoio económico, quer o apoio à futura reconstrução - podem e devem ser incrementados”, disse.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 84.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

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