Em entrevista à Antena 1 a propósito das negociações para o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), Pedro Filipe Soares defendeu que as exigências do partido para viabilizar o documento são medidas “muito pontuais, que respondem a alguns problemas estruturais do país”, mas que não são um “Orçamento do Estado paralelo”.

“O que nós constatamos é isso: é que da parte do primeiro-ministro parece não haver uma vontade, pelo menos com o Bloco de Esquerda, de chegar a bom porto negocial. Quais as intenções para isso? Pode haver várias, não sabemos, não estou na cabeça do primeiro-ministro. Aparentemente são insondáveis os seus desígnios”, defendeu.

O dirigente do BE reiterou que “o Orçamento do Estado tal como está”, e “mesmo com os desenvolvimentos que têm ocorrido ao longo da última semana”, “não merece um voto do Bloco de Esquerda que não o voto contra”.

“Ainda estamos em processo de diálogo com o Governo. Estamos à espera de que o Governo demonstre vontade para dialogar. Eu creio que há aqui uma mudança, que ela me parece necessária registar, é que nós estamos com dúvidas se realmente o senhor primeiro-ministro, em particular, tem vontade de negociar o Orçamento do Estado”, afirmou.

Segundo Pedro Filipe Soares, “a cada reunião” e depois de receber “alguma redação do Governo” das medidas em negociação, o partido levar com “um balde de água fria”.

O líder parlamentar do BE insistiu, mais do que uma vez, na perceção de que António Costa “não quer encontrar uma margem para entendimento”, avisando que “a cada dia que passa, o tempo vai-se esgotando para que a negociação chegue a bom porto”.

Questionado sobre quem perde mais com eleições antecipadas em caso de crise política, Pedro Filipe Soares recusou “entrar nesse debate” porque não, neste momento, não é essa discussão que está em cima da mesa.

“Nós estamos num momento de negociação. Ela ainda é possível, ainda temos dias para o fazer, ainda temos inclusive reuniões marcadas com o Governo para esse efeito”, afirmou.

Em relação ao calendário das novas reuniões, o dirigente do BE referiu que na sexta-feira está previsto um encontro com a ministra do Trabalho e no sábado com o primeiro-ministro.

“De reunião para reunião, os diálogos que nós vamos tendo são depois, logo a seguir, desfeitos com as propostas escritas que nos cheguem do Governo. Ficam muito aquém daquilo que discutimos na reunião, em alguns aspetos, e até às vezes muito aquém daquilo que atualmente a lei já prevê. para nós isso não faz sentido”, criticou.

Sobre se perceciona que António Costa, em 2015, “estava mais à esquerda” do que atualmente, Pedro Filipe Soares respondeu: “mais à esquerda não lhe sei dizer, mas posso-lhe dizer que mais dialogante com certeza”.

Questionado, uma por uma, sobre as nove propostas do BE para viabilizar o OE2022 e a disponibilidade do Governo para as acolher, Pedro Filipe Soares foi referindo a falta de abertura do executivo em relação a cada uma delas.

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